19 março 2017

Catequese de Rendufinho acolhe Fundação AIS


A missão da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) é a de procurar que a Igreja em geral esteja informada sobre a Igreja perseguida e que esta última tenha condições para realizar a sua missão de evangelização.
Nesse sentido, procuram proporcionar a divulgação de informação cristã, ajudando projectos nas seguintes áreas:
- apostolado através dos meios de comunicação (estações de rádio e televisão, agências de notícias, programas áudio e vídeo, espaços de divulgação na Internet, etc.);
- impressão e distribuição de literatura religiosa diversa (Bíblias, livros de oração, textos litúrgicos, jornais religiosos, catecismos e Bíblias para Crianças);
- publicação e divulgação de relatórios sobre situações concretas da Igreja perseguida.
A Fundação recolhe donativos junto de inúmeros benfeitores em todo o mundo e os redistribuí pelas várias áreas como para a formação de seminaristas, religiosas, catequistas e leigos; ajuda à subsistência de diversas comunidades religiosas; construção de igrejas, mosteiros, conventos, seminários e centros de catequese; disponibilização de meios de transporte para o trabalho pastoral e apoio a refugiados políticos que, por motivos de fé, são forçados a abandonar a sua pátria.
(cf. informação no site da Fundação)


Neste sábado tivemos a graça de ter connosco um membro desta Fundação, Félix Lungu, que, através de meios audiovisuais e sobretudo através da sua pessoa, da sua experiência, fez-nos uma apresentação de todo este trabalho que a Igreja (é uma fundação dependente da Santa Sé) faz junto dos cristãos, nossos irmãos na fé, que mais necessitam em todo o mundo.





Orgulho (3.º Domingo da Quaresma)


O Terceiro Domingo da Quaresma (Ano A) está em sintonia com o primeiro escrutínio dos catecúmenos (adultos que se prepararam para celebrar os Sacramentos da Iniciação Cristã: Baptismo, Confirmação e Eucaristia). No livro do Êxodo (primeira leitura), Deus vem em auxílio do seu povo, no deserto: faz jorrar água do rochedo. Depois, nas palavras de Paulo (segunda leitura), esse auxílio divino exprime-se como graça derramada nos corações. E, em Jesus Cristo, é apresentado como dom revelado à Samaritana (evangelho), o mesmo que recebemos no Baptismo. Neste momento, como está o nosso coração (salmo): aberto ou fechado a esse dom?


“Se conhecesses o dom de Deus…”
Neste e nos próximos Domingos são proclamadas três páginas do evangelho segundo João que, desde a mais antiga tradição, fazem parte do itinerário da Iniciação Cristã, razão pela qual se faz uma pausa no evangelho segundo Mateus: são três momentos caracterizados pelos sinais da água, da luz e da vida. O primeiro deles está patente no encontro com a Samaritana, junto ao poço de Sicar.
Se conhecesses… No diálogo entre Jesus Cristo e a mulher, o evangelista resume a mensagem cristã. Quando o horizonte vital daquela mulher se esgota no lugar aonde frequentemente ia buscar a água, Jesus Cristo dá-lhe a conhecer uma outra fonte e uma outra água.
… o dom de Deus. A fonte da qual brota “água viva” não é uma lei ou doutrina religiosa que se promulga ou revoga. É Jesus Cristo, a quem somos convidados a escutar, com quem podemos estabelecer um diálogo essencial para a vida.
Nele está o “dom de Deus” para saciar a nossa sede. Hoje, o dom de Deus é continuamente oferecido nos Sacramentos, em especial na Eucaristia, na qual temos a possibilidade de beber da fonte de onde jorra o mistério pascal de Jesus Cristo, centro da nossa fé.
Essa outra água prometida por Jesus Cristo pode ser identificada com o Espírito Santo que faz nascer naquela mulher, e em nós, o dom da fé. Jesus Cristo é o rosto de Deus entre nós, a Palavra de Deus que desce ao coração, através do qual podemos chegar ao Pai, graças à acção do Espírito Santo. Neste sentido, a Quaresma surge como um “tempo favorável para nos renovarmos, encontrando Cristo vivo na sua Palavra, nos Sacramentos e no próximo” (Francisco, Mensagem para a Quaresma de 2017).


Orgulho
O outro, tal como a Palavra, é também um dom. Contudo, em ambos os casos, nem sempre estamos receptivos a esses dons. Isso acontece, nomeadamente, quando nos deixamos dominar pelo orgulho. O papa Francisco apresenta-o como o “degrau mais baixo” da “deterioração moral” a que pode chegar o ser humano.
E, na Mensagem para esta Quaresma, acrescenta que, para quem assim procede, “nada mais existe além do próprio eu e, por isso, as pessoas que o rodeiam não caiem sob a alçada do seu olhar”. Para acolher a Palavra como dom e o outro como dom, preciso de me libertar da cegueira do pecado do orgulho, assim reza Maria no seu (e queira Deus seja também nosso) Magnificat: Deus dispersa os soberbos e exalta os humildes.

Reflexão preparada por Laboratório da Fé

12 março 2017

Egoísmo (2.º Domingo da Quaresma)




A Liturgia da Palavra do Segundo Domingo da Quaresma (Ano A) começa com o exemplo de Abraão (primeira leitura), pai dos crentes: deixa a sua terra e vai para outra indicada por Deus. Depois, Jesus Cristo leva consigo Pedro, Tiago e João “a um alto monte” (Evangelho). E nós, até onde nos deixamos levar por Jesus Cristo? Acreditamos no seu amor por nós? Antes de mais, acreditemos que um dia seremos, como Jesus Cristo, transfigurados pela luz da graça que nos é oferecida (segunda leitura). Em Deus, coloquemos a nossa esperança (salmo), deixemo-nos abrasar pelo seu amor.

“Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha
complacência. Escutai-O”

Este é o meu Filho muito amado… O convite divino a escutar o “Filho muito amado” é revelado pela voz que se ouve a partir da nuvem, segundo a passagem evangélica da transfiguração. Este acontecimento está presente nos três ciclos litúrgicos de acordo com as diferentes versões sinóticas. Este ano acompanhamos o relato segundo Mateus.
… no qual pus toda a minha complacência… O monte na perspectiva bíblica simboliza o “lugar” da proximidade e/ou do encontro com Deus. Naquele dia e naquele “alto monte”, a luz da vida e da imortalidade reflectiram-se no rosto de Jesus Cristo diante de Pedro, Tiago e João. É certo que, apesar dessa experiência, os apóstolos também continuaram a viver dias sombrios e monótonos, tal como
nos acontece a todos no quotidiano. No nosso caso, hoje, urge deixar-se levar por Jesus Cristo ao “alto monte” da eucaristia dominical, para que os nossos desejos e as nossas forças sejam transfigurados gradualmente pelo contacto habitual com o mistério pascal de Jesus Cristo. Na celebração da eucaristia abre-se a possibilidade de contemplar e louvar toda a “complacência” que o Pai coloca no seu Filho e em todos os seus filhos e filhas. Isto há de permitir a conversão do nosso olhar, reflexo do nosso interior, que nos tornará capazes de anunciar a luz e a paz que nos são oferecidas por Deus.
… Escutai-O. Escutar a voz do “Filho muito amado”, Jesus Cristo, é o alimento espiritual necessário para participar na mesa eucarística. Antes desta, é preciso sentar-se à mesa da palavra com disposição atenta e serena para escutar o que Deus tem para nos dizer em cada Domingo (em cada dia). A oração colecta pede a força do “alimento interior” que é a palavra de Deus como caminho de purificação do “nosso olhar espiritual”, tendo em vista a alegria de um dia participarmos na “visão” da glória divina, ou seja, a nossa própria transfiguração.



Egoísmo

“A Quaresma é um novo começo, uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte” — assim começa a mensagem quaresmal do papa Francisco. E recorda que a raiz do nosso egoísmo “é não dar ouvidos à Palavra de Deus. (…) Fechar o coração ao dom de Deus que fala, tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão”. Um dos pontos da penitência quaresmal é renunciar ao egoísmo que tantas vezes (sempre!) domina a nossa vida.


Reflexão preparada por Laboratório da Fé




04 março 2017

Esquecimento de Deus (1.º Domingo da Quaresma)


A tentação não é uma coisa do passado, mas um combate quotidiano. Quando é mais forte do que a nossa resistência, faz-nos mergulhar no pecado, afasta-nos de Deus. No Primeiro Domingo da Quaresma (Ano A), a Liturgia da Palavra quer fortalecer os nossos corações, consolidar a nossa fé. Não nos deixemos levar pela habilidade e a sedução da “serpente” (primeira leitura) que continua a
aproximar-se de nós para nos afastar de Deus ou da Igreja. Tomemos consciência da existência do pecado e da sua gravidade (salmo), no plano pessoal e colectivo, e dêmos graças a Deus pela nossa salvação em Jesus Cristo (segunda leitura).
Ele jamais cedeu às tentações do Diabo (evangelho). Ele é, por nós, vitorioso!


“Nem só de pão vive o homem, 
mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”

“Nem só de pão vive o homem…”. As coisas materiais não são suficientes para alimentar a nossa condição humana e dar-lhe pleno sentido. Certo é que Jesus Cristo não diz para desprezar o alimento ou qualquer outra dimensão material.
Aliás, o cristão tem, entre outras, a responsabilidade de “dar de comer a quem tem fome”, sem descurar a sua própria sobrevivência. O que está na “tentação” é o fixar-se apenas na dimensão material. É nesta perspectiva que se insere a penitência quaresmal: o jejum abre espaço ao encontro com o essencial.
“… mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”. O cristão centra-se no essencial: o próprio Deus. “A Palavra de Deus é uma força viva, capaz de suscitar a conversão no coração dos homens e orientar de novo a pessoa para Deus”, lembra o Papa na mensagem quaresmal. A Quaresma afigura-se como uma preparação para receber a vida nova oferecida por Deus através da morte e ressurreição de
Jesus Cristo (mistério pascal). Alcançar uma “maior compreensão do mistério de Cristo” (oração coleta) é a aspiração que impulsiona o caminho da Quaresma.
É por isso que depois da oração do Pai nosso, na preparação da comunhão, aquele que preside pede que “sejamos sempre livres do pecado e de toda a perturbação”, ajudados pela misericórdia divina. A graça baptismal, que vai ser recordada ao longo do itinerário quaresmal, não anula a nossa debilidade nem faz desaparecer por completo a inclinação para o pecado. Contudo, dá-nos capacidade para
enfrentar com serenidade e fortaleza as provações de cada dia, quando nos deixamos conduzir pelo Espírito Santo e nos alimentamos de “toda a palavra que sai da boca de Deus” (tomando o exemplo de Jesus Cristo e de Maria).




Penitência: esquecimento de Deus

A Quaresma é um tempo terapêutico, uma espécie de tratamento homeopático.
Não é um tempo triste e desolador. É um tempo profundo, um tempo que privilegia a privação em sentido positivo: permite a purificação, a eliminação das “toxinas” espirituais. A isto chamamos penitência ou conversão. A Quaresma é um tempo favorável para recentrar a vida, lutar contra o esquecimento de Deus, deixar-se guiar pelo Espírito Santo, redescobrir o “dom da Palavra de Deus”
(cf. Francisco, Mensagem para a Quaresma de 2017).


Reflexão preparada por Laboratório da Fé


01 março 2017

Recoleção para catequistas | Quaresma 2017


Tendo como base a mensagem do Papa Francisco para este tempo de Quaresma - "A palavra é um dom. O outro é um dom." -, assim vivemos este dia de reflexão, no sábado passado, orientados pelo Pe. Daniel Neves e pelo diácono Rúben.
Conscientes de que para podermos dar/dar-nos nas nossas catequeses, aos nossos catequizandos, às nossas comunidades, é fundamental nós, catequistas, irmos à fonte, pararmos para beber da Palavra e, juntos, reflectirmos a nossa missão como dom para o outro e como meio para o despertar do dom no outro.  Assim foi o nosso dia... tomando essa consciência do nosso real papel junto das crianças, adolescentes e jovens das nossas paróquias. Seja muito ou pouco o tempo que estejamos com eles, podemos fazer a diferença nas suas vidas se olharmos cada um como um dom de Deus e aceitarmos também o facto de que nós podemos ser também importantes na vida deles.


«A Quaresma é um novo começo, uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte. E este tempo não cessa de nos dirigir um forte convite à conversão: o cristão é chamado a voltar para Deus «de todo o coração» (Jl 2, 12), não se contentando com uma vida medíocre, mas crescendo na amizade do Senhor. Jesus é o amigo fiel que nunca nos abandona, pois, mesmo quando pecamos, espera pacientemente pelo nosso regresso a Ele e, com esta espera, manifesta a sua vontade de perdão. A Quaresma é o momento favorável para intensificarmos a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola. Na base de tudo isto, porém, está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo. Aqui queria deter-me, em particular, na parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31). Deixemo-nos inspirar por esta página tão significativa, que nos dá a chave para compreender como temos de agir para alcançarmos a verdadeira felicidade e a vida eterna, incitando-nos a uma sincera conversão.»