29 setembro 2018

Terço a São Rafael Arcanjo



Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amem.

- Credo :
Creio em um só Deus,
Pai todo-poderoso,
Criador do céu e da terra
De todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho Unigénito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos:
Deus de Deus, Luz da Luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro.
Gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
Por Ele todas as coisas foram feitas,
E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos céus
E encarnou pelo Espírito Santo,
no seio da Virgem Maria,
e Se fez homem.
Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos,
padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou ao terceiro dia,
conforme as Escrituras,
e subiu aos céus,
onde está sentado à direita do Pai.
De novo há-de vir em sua glória,
para julgar os vivos e os mortos,
e o seu reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo,
Senhor que dá a vida,
e procede do Pai e do Filho,
e com o Pai e o Filho
é adorado e glorificado:
Ele que falou pelos Profetas.
Creio na Igreja una, santa,
católica e apostólica.
Professo um só baptismo
Para remissão dos pecados.
E espero a ressurreição dos mortos,
e vida do mundo que há-de vir.
Amen.

- Pai-nosso 
- Ave-Maria (3 vezes) 
- Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
- Como era no princípio, agora e sempre. Amen.
- Nossa Senhora, Rainha dos Anjos
- Rogai por nós.

Rezar dez vezes as invocações do Terço.
No final de cada Mistério rezar o 'Glória" e a invocação: Nossa Senhora, Rainha dos Anjos, rogai por nós.

1° Mistério - Pai Nosso...
- São Rafael, médico de Deus.
- Intercedei pela cura do nosso coração.  (10 vezes)
- Glória ao Pai...

2° Mistério - Pai Nosso...
- São Rafael, arcanjo da libertação.
- Vinde nos livrar da escravidão do pecado. (10 vezes) 
- Glória ao Pai...

3° Mistério - Pai Nosso...
- São Rafael, fiel condutor de Tobias.
- Acompanhai nossos passos na estrada da vida. (10 vezes)
- Glória ao Pai...

4° Mistério - Pai-nosso...
- São Rafael, auxílio nas tribulações.
- Socorrei-nos na dor e no sofrimento. (10 vezes) 
- Glória ao Pai...

5° Mistério - Pai-nosso
- São Rafael, protector das famílias.
- Fazei de nosso lar um santuário do amor. (10 vezes) 
- Glória ao Pai...

(reze uma Salve Rainha no final)

Oremos: São Rafael Arcanjo, derramai vossos raios curativos sobre nós, dando-nos saúde e cura. Guardai nosso corpo e a nossa mente, livrando-nos de todas as doenças.
Expandi vossa beleza curativa em nosso lar e nossos familiares, no trabalho que executamos, nas pessoas com quem convivemos diariamente. Transformai a nossa alma e nosso ser, para que possamos sempre, reflectir a luz de Cristo. Amem




Terço a São Gabriel Arcanjo


Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Amém.

- Credo :
Creio em um só Deus,
Pai todo-poderoso,
Criador do céu e da terra
De todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho Unigénito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos:
Deus de Deus, Luz da Luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro.
Gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
Por Ele todas as coisas foram feitas,
E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos céus
E encarnou pelo Espírito Santo,
no seio da Virgem Maria,
e Se fez homem.
Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos,
padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou ao terceiro dia,
conforme as Escrituras,
e subiu aos céus,
onde está sentado à direita do Pai.
De novo há-de vir em sua glória,
para julgar os vivos e os mortos,
e o seu reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo,
Senhor que dá a vida,
e procede do Pai e do Filho,
e com o Pai e o Filho
é adorado e glorificado:
Ele que falou pelos Profetas.
Creio na Igreja una, santa,
católica e apostólica.
Professo um só baptismo
Para remissão dos pecados.
E espero a ressurreição dos mortos,
e vida do mundo que há-de vir.
Amen.

- Pai-Nosso
- 3 Aves-Maria
- Glória ao Pai...
- Nossa Senhora Rainha dos Anjo, rogai por nós.

1° Mistério: Pai Nosso...
- São Gabriel, amado do Coração de Maria.
- Ensinai-nos a viver como filhos de Deus. (10 vezes)
- Glória ao Pai ….

Nossa Senhora, Rainha dos Anjos, rogai por nós.

2° Mistério: Pai Nosso …. 
- São Gabriel, conforto dos necessitados.
- Consolai os pobres, os doentes e os aflitos. (10 vezes)
Glória ao Pai…

Nossa Senhora, Rainha dos Anjos, rogai por nós.

3° Mistério: - Pai Nosso …. 
- São Gabriel, esperança no sofrimento.
- Renovai as nossas forças com os dons de Deus. (10 vezes)
Glória ao Pai…

Nossa Senhora, Rainha dos Anjos, rogai por nós.

4° Mistério: - Pai Nosso …. 
- São Gabriel, fiel mensageiro do céu.
- Fazei de nós anunciadores do Evangelho. (10 vezes)
Glória ao Pai…

Nossa Senhora, Rainha dos Anjos, rogai por nós.

5° Mistério: - Pai Nosso …. 
- São Gabriel, protector da Sagrada Família.
-  Concedei-nos a união, o amor e o perdão. (10 vezes)
Glória ao Pai…

Nossa Senhora, Rainha dos Anjos, rogai por nós.

Salve Rainha
Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos, os degredados filhos de Eva; a vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei; e depois deste desterro nos mostrai Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria.
Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
R: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos: São Gabriel, arcanjo da Encarnação, fiel mensageiro de Deus, abri nossos ouvidos para as mais leves admoestações e toques da graça vindos do Coração de Nosso Senhor. Permanecei sempre connosco, nós vos suplicamos a compreensão da Palavra de Deus para que sigamos suas inspirações e, docilmente, cumpramos aquilo que Deus espera de nós. Fazei que estejamos sempre prontos, vigilantes para que o Senhor, quando passar por nós não nos encontre dormindo. Amem!
Em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo, Amém.




O poderoso Terço a São Miguel Arcanjo


Em Portugal, numa aparição de São Miguel à serva de Deus, Antónia d’Astonoac, o santo Arcanjo declarou que desejava que se fizessem nove saudações correspondentes aos nove coros dos anjos, que consistiriam na recitação de um Pai-nosso e de três Ave-Marias em honra de cada um daqueles coros.
Em retribuição àquele que lhe rendesse este culto, prometeu um cortejo de nove anjos durante todo o decurso da vida sempre que se aproximasse da Santa Mesa Eucarística, e depois da morte a libertação do purgatório para si e seus parentes. A devoção passou para outros países, foi aprovada por muitos bispos e até pelo Santo Papa Pio IX, que a enriqueceu de indulgências, em 08 de Agosto de 1851.
Este terço será para vós uma arma poderosa, porque desde o momento em que o pronunciais, vós podereis estar certos da presença celeste ao vosso lado e para quem vós rezais.

Modo de rezar este terço 

Sobre o crucifixo, diz-se:
V: Deus, vinde em nosso auxílio.
R: Senhor, socorrei-nos e salvai-nos.
Glória ao Pai…

Depois, deixando para o fim as quatro contas que seguem a medalha, toma-se a primeira conta grande do Terço e reza-se a primeira saudação.

Primeira saudação
Saudamos o primeiro coro dos Anjos pedindo, pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos Serafins, para que o Senhor nos torne dignos de ser abrasados de uma perfeita caridade. Amém.

Sobre as contas grandes:
São Miguel Arcanjo, Príncipe da Milícia Celeste, tu que foste escolhido para vencer as forças do mal, tu perante quem todo o inimigo recua, vem ajudar-nos, vem proteger-nos. Expulsa para longe tudo o que poderá dificultar o nosso caminho na Fé e Santidade. Com a tua espada atravessa o flanco daquele que quer afastar-nos da nossa Mãe, a Santíssima Virgem Maria, e leva-nos sempre junto do nosso Pai Celeste, lá, onde devemos morar como herdeiros do Reino. Amém.

– Credo :
Creio em um só Deus,
Pai todo-poderoso,
Criador do céu e da terra
De todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho Unigénito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos:
Deus de Deus, Luz da Luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro.
Gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
Por Ele todas as coisas foram feitas,
E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos céus
E encarnou pelo Espírito Santo,
no seio da Virgem Maria,
e Se fez homem.
Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos,
padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou ao terceiro dia,
conforme as Escrituras,
e subiu aos céus,
onde está sentado à direita do Pai.
De novo há-de vir em sua glória,
para julgar os vivos e os mortos,
e o seu reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo,
Senhor que dá a vida,
e procede do Pai e do Filho,
e com o Pai e o Filho
é adorado e glorificado:
Ele que falou pelos Profetas.
Creio na Igreja una, santa,
católica e apostólica.
Professo um só baptismo
Para remissão dos pecados.
E espero a ressurreição dos mortos,
e vida do mundo que há-de vir.
Amen.

– Pai Nosso
– Ave Maria (3x )
– Glória ao Pai

Nota: Tem em conta que este terço é ligeiramente diferente dos habituais. É tal e qual como demonstra a imagem em cima.

Sobre as contas pequenas:
São Miguel Arcanjo, Príncipe da Milícia Celeste, protege-nos, defende-nos, vem em nosso socorro. Amém.

Segunda saudação
Saudamos o segundo coro dos Anjos pedindo, pela intercessão de São Miguel e dos coros celestes dos Querubins, para que o Senhor nos conceda a graça de fugir do pecado e procurar a perfeição cristã. Amém.
(Um Pai-nosso e três Ave-Marias; Glória ao Pai…)

Terceira saudação
Saudamos o terceiro coro dos Anjos pedindo, pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos Tronos, para que Deus derrame em nosso coração o Espírito de verdadeira e sincera humildade. Amém.
(Um Pai-nosso e três Ave-Marias, Glória ao Pai…)

Quarta saudação
Saudamos o quarto coro dos Anjos pedindo, pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das Dominações, para que o Senhor nos conceda a graça de dominar nossos sentidos e de nos corrigir de nossas más paixões. Amém. 
(Um Pai-nosso e três Ave-Marias; Glória ao Pai…)

Quinta saudação
Saudamos o quinto coro dos Anjos pedindo, pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das Potes­tades, para que o Senhor se digne proteger nossas almas contra as ciladas e tentações do demónio. Amém. (Um Pai-nosso e três Ave-Marias; Glória ao Pai…)

Sexta saudação
Saudamos o sexto coro de Anjos pedindo, pela intercessão de São Miguel e do coro admirável das Virtudes, para que o Senhor não nos deixe cair em tentação, mas que nos livre de todo mal. Amém. 
(Um Pai-nosso e três Ave-Marias; Glória ao Pai…)

Sétima saudação
Saudamos o sétimo coro dos Anjos pedindo, pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos Principados, para que o Senhor encha nossas almas do Espírito de uma verdadeira e sincera obediência. Amém.
(Um Pai-nosso e três Ave-Marias; Glória ao Pai…)

Oitava saudação
Saudamos o oitavo coro dos Anjos pedindo, pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos Arcanjos, para que o Senhor nos conceda o dom da perseverança na fé e nas boas obras, a fim de que possamos chegar a possuir a glória eterna do Paraíso. Amém. 
(Um Pai-nosso e três Ave-Marias; Glória ao Pai…)

Nona saudação
Saudamos o nono coro dos Anjos pedindo, pela intercessão de São Miguel e do coro celeste de todos os Anjos, para que sejamos guardados por eles nesta vida mortal e por eles conduzidos à glória eterna do Céu. Amém. 
(Um Pai-nosso e três Ave-Marias, Glória ao Pai…)

Oremos (depois das cinco dezenas):
Deus todo-poderoso e eterno, que, por um prodígio de bondade e misericórdia para a salvação dos ho­mens, escolhestes para príncipe de Vossa Igreja, o glorioso Arcanjo São Miguel; tornai-nos dig­nos de ser preservados de todos os nossos inimigos, a fim de que na hora de nossa morte nenhum deles nos possa inquietar. São Miguel Arcanjo, contigo, pela graça de Deus Pai, nós queremos gritar no Céu: “Quem como Deus?!” Ajuda-nos a escolhermos sempre o bem e afastar para longe de nós tudo o que é mal, tudo o que possa ferir o coração de Deus. Ajuda-nos a ser dignos do nosso batismo, a fim de que no dia querido, podermos reinar junto do nosso Pai e rezar pelas almas que se afastem do Reino de Deus.  São Miguel Arcanjo, nós temos confiança em Ti, nós cremos em todo o poder que Deus te deu para salvar as almas e vencer as forças do mal. Amém.

No final, reza-se:
Um Pai-nosso em honra de São Miguel Arcanjo.
Um Pai-nosso em honra de São Gabriel.
Um Pai-nosso em honra de São Rafael.
Um Pai-nosso em honra de nosso Anjo da Guarda.

Recitar: Glorioso São Miguel, chefe e príncipe dos exércitos celestes, fiel guardião das almas, vencedor dos espíritos rebeldes, amado da casa de Deus, nosso admirável guia depois de Cristo, vós, cuja excelência e virtude são eminentíssimas, dignai-vos livrar-nos de todos os males, nós todos que recorremos a vós com confiança, e fazei por vossa incomparável protecção que nos adiantemos cada dia mais na fidelidade e na perseverança em servir a Deus.

V: Rogai por nós, ó bem-aventurado São Miguel, príncipe da Igreja de Cristo.
R: Para que sejamos dignos de suas promessas.

Jaculatórias

Rogai por nós, bem-aventurado São Miguel, príncipe da Igreja de Jesus Cristo, para que sejamos dignos de suas promessas.

Ó Luminares radiosos do Céu, exército triunfante da Corte Celeste, assisti a Santa Igreja e dai-lhe vitória sobre todos os seus inimigos.

Ó Coros admiráveis da hierarquia celeste, que servis a Deus no Céu e na Terra opondo-vos ao mal, fazei que o bem triunfe sempre em nome de Deus Trino. Amem.


28 setembro 2018

Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael



Arcanjo, do grego: arkhaggelos, (arkhos, principal, primeiro; aggelos, mensageiro), latim eclesiáticos: archangelus, é o anjo principal ou anjo da mais alta ordem (a oitava) na hierarquia celeste. 
Na bíblia cristã, o termo aparece apenas duas vezes e apenas no Novo Testamento.
I Tes 4,16:"(...) pois o próprio Senhor, à ordem dada, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, descerá do Céu, e os mortos em Cristo ressurgirão primeiro." 
Jd 1,9:"Até mesmo Miguel, o arcanjo, quando discutia com o diabo, disputando-lhe o corpo de Moisés, não se atreveu a pronunciar uma sentença injuriosa contra ele, mas disse somente: Que seja o Senhor a castigar-te!"
No Antigo Testamento, de Js 5,13 até Js 5,15 descreve um mensageiro que se identifica como "um príncipe dos exércitos do Senhor".

Breve descrição:

São Miguel é o grande capitão do exército celeste. Seu nome Mi-cha-el significa, quem é igual a Deus? Quando Lúcifer, cego pelo orgulho, quis igualar-se ao Altíssimo, Miguel exclamou com voz trovejante: "Quem é igual a Deus?" E acompanhado pelos anjos fiéis, precipitou do alto dos céus a tropa rebelde dos apóstatas. Assim se tornou o generalíssimo do incontável exército dos santos anjos. Vê-se, nos profetas, que era o protetor do povo de Israel; agora o é da Igreja.

São Gabriel, cujo nome significa Força de Deus, anuncia ao profeta Daniel a época da grande obra de Deus, a época do Filho de Deus feito homem, Cristo condenado à morte, a remissão dos pecados, o Evangelho pregado a todas as nações, a ruína de Jerusalém e de seu templo, a condenação final do povo judeu. É o mesmo anjo Gabriel que prediz ao sacerdote Zacarias, no templo, no santuário, junto ao altar dos perfumes, o nascimento de um homem que será chamado João, ou cheio de graça, e que não mais anunciará a vinda do Salvador, mas que o apontará: "Eis o Cordeiro de Deus! Eis quem tira os pecados do mundo!" É o mesmo arcanjo, sempre enviado para anunciar grandes coisas, que irá à humilde casa de Nazaré anunciar à Virgem Maria a maior de todas as coisas; comunicar que, sem deixar de ser virgem, ela daria à luz ao Filho do Altíssimo, que seria chamado Jesus ou Salvador, porque seria o Salvador do mundo. É esse glorioso arcanjo que nos ensina a dizer tal como ele: "Ave-Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres!"


São Rafael, cujo nome significa Médico ou cura de Deus, dá-se a conhecer a Tobias: "Quando oráveis, vós e Sara vossa nora, ou apresentava o memorial de vossas orações diante do santo; e quando sepultáveis os mortos, estava presente junto de vós. Quando não vos recusáveis a levantar-vos da mesa e deixar vosso jantar para amortalhardes um morto, o bem que praticáveis não permanecia oculto; pois eu estava convosco. E por que éreis agradáveis a Deus, foi necessário que fosseis provados. Agora, porém, Deus enviou-me para curar-vos, a vós e a Sara, esposa de vosso Filho. Sou Rafael, um dos sete anjos que apresentam as orações dos santos, e que podem defrontar a majestade do Santíssimo!


Fonte: Arautos do Evangelho




O Ministério do Leitor #03


5.6 Felizmente foi esquecida e ultrapassada, e esperamos que para sempre, a restrição que aparecia nas edições anteriores da Instrução geral ao lugar da leitura, quando esta é feita por uma leitora.
Na nova edição, nem uma vez se faz qualquer distinção entre leitor e leitora. Todos são leitores, sem mais. Nada mais lógico e natural. A partir de agora, é do ambão, e sempre, que os cristãos e as cristãs fazem as leituras que lhes pertencem.
O ambão deve estar bem situado, para que o povo possa ver e ouvir os seus leitores.

«A dignidade da palavra de Deus requer que haja na igreja um lugar adequado para a sua proclamação e para o qual, durante a liturgia da palavra, convirja espontaneamente a atenção dos fiéis. Em princípio, este lugar deve ser um ambão estável e não uma simples estante móvel...
Do ambão são proferidas unicamente as leituras, o salmo responsorial e o precónio pascal... A dignidade do ambão exige que só o ministro da palavra suba até ele» (IGMR 309: cf. EDREL 555).

«Atenda-se a que os fiéis não somente possam ver... os leitores, mas também consigam ouvi-los comodamente, recorrendo aos meios da técnica moderna» (IGMR 311: cf. EDREL 556).


5.7 O óptimo é inimigo do bom. Seria óptimo que todos os membros de uma comunidade cristã pudessem, ao longo do ano litúrgico, ser leitores ou leitoras. Provavelmente nunca será possível. Basta pensar nos que não sabem ler, nas crianças e nos portadores de alguma deficiência, mais ligeira
ou mais profunda, presentes nas nossas reuniões dominicais.
Se nem todos podem ler, nada impede que um mesmo ministério seja distribuído por várias pessoas. É até melhor que assim seja. É preferível confiar várias leituras a outros tantos leitores ou leitoras, do que fazê-las ler todas pela mesma pessoa. Não apenas para assegurar a variedade de vozes, e evitar a monotonia, mas sobretudo para conseguir que a diversidade de ministros leve a descobrir o mistério da assembleia, composta de muitos membros, todos diferentes entre si, mas comungando numa só fé, que vem pela palavra, ainda que proclamada por vozes diferentes.
A nova Instrução traz uma restrição que as anteriores desconheciam, mas ainda bem que diz apenas que não é conveniente, ou seja, não diz que é proibido fazer o contrário. De facto, parece-nos que, pelo menos em certas celebrações mais festivas com jovens e crianças, poderá ser pastoralmente válido dividir uma leitura ou uma oração dos fiéis por vários leitores.

«Se estão presentes várias pessoas que podem exercer o mesmo ministério, nada obsta a que distribuam e desempenhem entre si as diversas partes desse ministério ou ofício. Por exemplo:... quando há mais que uma leitura, é preferível confiá-las a diversos leitores, e assim noutros casos. Mas não é conveniente, que vários ministros dividam entre si um único elemento da celebração: p. ex. a mesma leitura lida por dois, um após o outro, a não ser que se trate da Paixão do Senhor» (IGMR 109: cf. EDREL 354).


5.8 Quando forem muitos os serviços mas houver um só ministro capaz de os realizar, nada obsta que ele os assuma todos. No caso das leituras, quando não houver leitor idóneo, para as fazer, proclama-as o diácono, se estiver presente, ou o próprio sacerdote, se não houver diácono. A necessidade não conhece lei.

«Quando na Missa com o povo há um só ministro, este desempenha as diversas funções» (IGMR 110: cf. EDREL 355).

«Se não há leitor, é o próprio sacerdote que de pé proclama, no ambão, todas as leituras e o salmo» (IGMR 135: cf. EDREL 379).

«Se não estiver presente outro leitor idóneo, o diácono profere também as outras leituras» (IGMR 176: texto novo).


5.9 A presença de ao menos um leitor é de regra em qualquer Missa. Antes, chamava-se «típica» à celebração em que o sacerdote celebrante era assistido por um acólito, para servir, por um leitor, para ler, e por um cantor, para cantar.
Não nos parece mal que tal designação tenha desaparecido, pois pensamos que, chamar «típica» a uma Missa sem diácono, era simplificar demasiado as coisas e correr o risco de levantar problemas onde eles não existiam. Apesar de sabermos, por experiência, que a celebração sem diácono continua a ser a regra em quase todas as paróquias, não é proibido sonhar com o dia em que, pelo menos nas comunidades cristãs mais importantes, haja um diácono permanente.
Então acharíamos bem chamar de novo «típica» à celebração em que ele estivesse presente, não no sentido de celebração ideal, mas enquanto nela se tornava visível a totalidade do mistério e do ministério de Cristo: o seu sacerdócio real e ministerial (na assembleia e no presbítero), o seu ministério de servidor (no diácono e no acólito), a sua palavra de anunciador do Reino de Deus (no leitor), e a sua voz de cantor único do Pai (no cantor).

«Em qualquer celebração da Missa, estando presente um diácono, este deve desempenhar o seu ministério. Convém ainda que o sacerdote celebrante seja assistido normalmente por um acólito, um leitor e um cantor. O rito adiante descrito prevê, no entanto, a possibilidade de maior número de ministros» (IGMR 116: cf. EDREL 361).


5.10 Ao menos nos domingos e solenidades, a entrada do presidente da celebração e dos ministros ganharia em ser feita de maneira solene, mesmo nos casos em que a igreja se não preste muito para isso.
Na ausência do diácono, toma parte na procissão de entrada o primeiro leitor, que vai à frente do sacerdote e leva o Evangeliário um pouco elevado.
A assembleia, enquanto canta o cântico de entrada, deve voltar-se para a coxia central. Dessa forma, acompanhará com o olhar os que entram em procissão, mas, particularmente, poderá contemplar o Evangeliário, símbolo de Cristo Palavra, antes de escutar o Filho de Deus, quando o presidente proclamar a Boa Nova que Ele nos trouxe, de junto do Pai.
Ao chegar ao altar, o primeiro leitor saúda-o e depõe sobre ele o Evangeliário, indo depois para o seu lugar, no presbitério (se for leitor instituído), ou na nave, junto dos outros fiéis (se for leitor designado ou nomeado), pormenor que a Instrução não deveria ter omitido, por ser essa a prática mais habitual nas celebrações paroquiais, em que os leitores, como leigos que são, devem apresentar-se, de preferência, com as suas próprias vestes, e não de alva, cuja utilização é sempre facultativa para os ministros abaixo do diácono.

«Reunido o povo, o sacerdote e os ministros (...) encaminham-se para o altar por esta ordem: o turiferário (...), os ceroferários (...), os acólitos (...), o leitor, que pode levar o livro dos Evangelhos, um pouco elevado, e o sacerdote que vai celebrar a Missa» (IGMR 120: cf. EDREL 365).

«Na procissão de entrada, na ausência do diácono, o leitor, vestido com a veste aprovada, pode levar o Evangeliário um pouco elevado. Neste caso, vai à frente do sacerdote; se não, vai junto com os outros ministros» (IGMR 194: cf. EDREL 431).

«Chegando ao altar, faz com os outros uma inclinação profunda. Se leva o Evangeliário, sobe ao altar e sobre ele depõe o Evangeliário. Depois ocupa o seu lugar no presbitério, junto com os outros ministros» (IGMR 195: cf. EDREL 432).

«Os leitores... podem vestir a alva ou outra veste legitimamente aprovada pela Conferência Episcopal em cada região» (IGMR 339: cf. EDREL 584).


in O Ministério do Leitor
Secretariado Nacional de Liturgia




26 setembro 2018

Outubro Missionário | 2018



A Conferência Episcopal Portuguesa decidiu que, de outubro de 2018 a outubro de 2019, Portugal viverá um intenso Ano Missionário. É a resposta lusa à vontade do Papa Francisco fazer de Outubro de 2019 um Mês Missionário Extraordinário. Esta ‘Igreja em saída’, na direção das periferias e margens, não pode parar o seu impulso missionário e solidário.
Na 3.ª Exortação Apostólica, ”Alegrai-vos e exultai”, o Papa Francisco recorda à Igreja o texto mais emblemático dos Evangelhos: ‘As Bem-Aventuranças são como que o bilhete de identidade do cristão’ (nº63).
Estas palavras de Jesus estão decididamente contracorrente ao que é habitual, àquilo que se faz na sociedade’ (nº65). ‘O Evangelho convida-nos a reconhecer a verdade do nosso coração para ver onde colocamos a segurança da nossa vida’ (nº67). ‘Ser pobre de coração: isto é santidade’ (nº70). ‘Reagir com humilde mansidão: isto é santidade’ (nº74). ‘Saber chorar com os outros: isto é santidade’ (nº76). ‘Buscar a justiça com fome e sede: isto é santidade’ (nº79).
Olhar e agir com misericórdia: isto é santidade’ (nº82). ‘Manter o coração limpo de tudo o que mancha o amor: isto é santidade’ (nº86). ‘Semear a paz ao nosso redor: isto é santidade’ (nº89).
Abraçar diariamente o caminho do Evangelho, mesmo que nos acarrete problemas: isto é santidade’ (nº94).
MARIA é um modelo perfeito de Missão. Lembra o Papa Francisco: ‘Viveu como ninguém as Bem-aventuranças de Jesus. É a mais abençoada dos santos entre os santos, aquela que nos mostra o caminho da santidade e nos acompanha. Conversar com ela consola-nos, liberta-nos, santifica-nos’.
Que este especial Ano Missionário comprometa mais a Igreja na urgência do testemunho dos valores gravados nas páginas dos Evangelhos.








Primeira semana (Oração)



Ambientação
Espalhar fotografias de diferentes missões.

Introdução
A Igreja Peregrina é, por natureza, missionária, visto que, segundo o desígnio de Deus Pai, tem a sua origem na missão do Filho e na missão do Espírito Santo” (Ad Gentes).
“A palavra missão vem do verbo latino mittere que significa enviar. Entre outros significados, o termo missão aplica-se à ação evangelizadora da Igreja entre aqueles que ainda não conhecem o Evangelho. (…) No singular, a palavra missão refere-se à missio Dei, ou seja, à auto-revelação de
Deus como Aquele que ama o mundo, ao seu compromisso no e com o mundo e à natureza e atividade de Deus que abraça o mundo e a Igreja. No plural, o termo missões designa as atividades missionárias e obras apostólicas específicas, ou seja, as missiones ecclesiae – datadas no tempo, localizadas no espaço e respondendo a situações concretas – através das quais a Igreja participa na missio Dei.” José Antunes Svd in Diálogo, Profecia e Missão.

Cântico inicial

Escutar a Palavra - João 14, 7-14

A Palavra gera Oração
Conhecer o Pai é a proposta que Jesus faz a cada um de nós.
Silenciar no coração os ruídos que distraem e os apelos que nos afastem desta proposta, nem sempre é fácil. Escutar a palavra e rezar são duas atitudes necessárias, para quem se quer deixar transformar pelo Evangelho. E contemplar a cruz, descobrindo na sua beleza a expressão máxima do Amor de Cristo. A cruz como sinal de uma vida dada em Missão. Cristo diz a cada um de nós: toma a minha cruz e segue-me. Só assim poderemos vivenciar como é belo ser missionário, enviado de Cristo e ser tudo em Cristo.

A Palavra torna-se Ação
Jesus Cristo é o primeiro missionário, enviado pelo Pai (cf. João 1, 9-14). Ele mostrou-nos o que é ser missionário: deixar o conforto das nossas casas, ir ter com os que sofrem, com os pobres, os marginalizados, curar os doentes, acolher os perseguidos, ser voz dos que são vítimas de descriminação ou preconceito, ser sinal de justiça e amor no mundo. E só assim poderemos aspirar a conhecer o Pai.

Preces: preces espontâneas

Pai Nosso: unidos a todos os povos, rezamos de mãos dadas

Final: MISSÃO É PARTIR
“Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu. É parar de dar volta ao redor de nós mesmos, como se fôssemos o centro do mundo e da vida. É não se deixar bloquear nos problemas do pequeno mundo a que pertencemos: a humanidade é maior. Missão é sempre partir, mas não devorar quilómetros. É sobretudo abrir-se aos outros como irmãos, descobri-los e encontrá-los. E, se para encontrá-los e amá-los é preciso atravessar os mares e voar lá nos céus, então Missão é partir até aos confins do mundo.”

D. Hélder Câmara

Cântico final


Segunda semana (Sacrifício)


Introdução
A palavra “sacrifício” parece não ter lugar num mundo que privilegia, cada vez mais, o prazer e o comodismo. Mas, por outro lado, a palavra “amor” está em todo o lado: nas canções, nos filmes, nos murais do facebook, nas SMS… Que “amor” é este? Um “amor” despojado de sacrifício será AMOR?
Na verdade, podemos dizer que amar é oferecermo-nos por inteiro ao outro, sem cálculos, sem rede. Ora, a palavra “sacrifício”, na perspetiva bíblica, remete-nos, também, para o nosso oferecimento e entrega. Amor e sacrifício fazem parte da mesma realidade.
“O sinal revelador de que já se deixou de amar torna-se manifesto quando os sacrifícios começam a custar; o sinal de que se ama pouco acende-se quando nos damos conta de que os estamos a fazer” (Cardeal Gianfranco Ravasi in Avvenire, 30/04/2016).
O Papa Francisco diz-nos que «não devemos ter medo do sacrifício. Pensemos numa mãe ou num pai: quantos sacrifícios! Mas porque o fazem? Por amor. E como o enfrentam? Com alegria porque são sacrifícios para as pessoas a quem querem bem. A cruz de Cristo abraçada com amor não leva à tristeza, mas à alegria» (Celebração do Domingo de Ramos, 24/03/2013).

Cântico inicial

Escutar a Palavra - Rm 12, 1-2

A Palavra gera Oração
Senhor, nosso Deus,
queremos deixar-nos transformar por Ti,
em todos os dias da nossa vida,
para que sejamos verdadeiros instrumentos no mundo
da Tua Graça e da Tua Misericórdia.
Ensina-nos a amar-Te nos nossos irmãos,
a ser Teus discípulos junto dos mais frágeis,
e a sacrificarmo-nos por quem não nos retribui.
Faz-nos reconhecer os nossos erros e o nosso egoísmo,
a nossa pequenez, face à grandeza do Teu Amor exposto na Cruz.
Que a Tua Vida seja tudo em nós.
Ámen.

A Palavra torna-se Ação
A vida cristã, como vida santificada para Deus, está enxertada na dinâmica efetiva do sacrifício de Cristo. Fomos redimidos e santificados “com o sangue precioso de Cristo” (1 Pe 1,18); por isso, estamos “destinados a oferecer sacrifícios agradáveis a Deus por Jesus Cristo” (1 Pe 2,5). Estes “sacrifícios” já não são os da Antiga Aliança porque foram ultrapassados pelo Sacrifício de Cristo de onde nascemos, mas a humildade de coração, o arrependimento dos pecados, a confissão dos mesmos, a oração pelo próximo, as esmolas, as obras de misericórdia, a caridade, a fé, a esperança, o que é de verdadeiro benefício para a pessoa humana, a própria pessoa humana, como nos diz Santo Agostinho na sua obra “Cidade de Deus”.
Que sacrifícios estou disposto a fazer? Como e quando me ofereço a Deus e aos irmãos?

Cântico final

Terceira semana (Partilha)


Introdução
A Missão desafia-nos. O sonho de um mundo mais justo e mais humano exige de nós uma ação concreta, uma ação real e verdadeira. Agarrar o desafio desta missão é ousar dar de si, é partilhar o que se é e o que se tem, na confiança que o pouco que se tem, colocado nas mãos de Deus, tornar-se-á sempre abundância e será sempre para o bem de muitos. Do mesmo modo, aceitar o desafio de colocar nas mãos de Deus a nossa pequenez e as nossas fragilidades, é agarrar o desafio da Missão que Deus coloca no coração de cada um de nós e deixar-se conduzir por caminhos de partilha e de vida em abundância.

Cântico inicial

Escutar a Palavra - Lc 9,10-17

A Palavra gera Oração
Senhor, queremos colocar nas Tuas mãos o pouco que temos, para que o transformes e multipliques para o bem da humanidade, sobretudo, para o bem daqueles que mais sofrem, dos que mais têm fome de pão, de justiça e de amor. Queremos aceitar e agarrar o desafio da missão que colocas diante de nós: a missão da partilha, a missão de dar e de nos darmos para que o mundo, por Ti criado, se torne verdadeiramente mais justo e mais humano; se torne num mundo onde ninguém passe necessidade e, em Ti, todos possam ter Vida… a Vida em abundância que Tu nos dás.

A Palavra torna-se Ação
Diz-nos o Papa Francisco: «De onde nasce a multiplicação dos pães? A resposta está no convite de Jesus aos discípulos: «Dai vós mesmos...», “dar”, partilhar. O que é que os discípulos partilham? O pouco que têm: cinco pães e dois peixes. Mas são precisamente aqueles pães e aqueles peixes que, nas mãos do Senhor, tiram a fome a toda a multidão. E são os próprios discípulos, perplexos diante da incapacidade dos seus meios, na pobreza do que podem colocar à disposição, a fazer acomodar as pessoas e a distribuir - confiando na palavra de Jesus - os pães e os peixes que alimentam a multidão. E isto diz-nos que na Igreja, mas também na sociedade, uma palavra chave de que não devemos ter medo é «solidariedade», saber colocar à disposição de Deus o que temos, as nossas humildes capacidades, porque só na partilha, no dom, a nossa vida será fecunda, dará fruto».
Com estas palavras do Papa Francisco queremos dar passos na nossa capacidade de partilhar. Queremos assumir a partilha como dom e como modo de vida; queremos ser capazes de partilhar o que temos com os mais pobres do mundo e, mais ainda, queremos partilhar a nossa alegria de conhecermos Jesus Cristo e de n’Ele nos sentirmos, com toda a humanidade, filhos amados de Deus.

Cântico final


Quarta semana (Vocação Missionária)



Introdução
Vocação deriva do latim “vocare” que significa “chamar”. A vocação, na sua plenitude, só pode ser descoberta e vivida no encontro com Deus e no serviço aos outros.
Maria é o modelo de escuta e disponibilidade total ao chamamento de Deus. Deus bateu à porta do coração de Maria e ela respondeu: “Eis a escrava do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra”. A jovem nazarena, assombrada de medos mas carregada de confiança, arriscou e entregou a sua vida à vocação que Deus lhe havia confiado.
Neste mês das missões, peçamos a Maria, Mãe do Sim, que nos ensine a seguir os seus passos e nos dê a ousadia de imitar a sua entrega desprendida e o seu exemplo de suprema missionária da Igreja.

Cântico inicial

Escutar a Palavra - Lc 1, 26-38

A Palavra gera Oração
Maria, Mulher da escuta,
Abre os nossos ouvidos;
Faz com que saibamos ouvir a Palavra do teu Filho Jesus,
No meio das mil palavras deste mundo;
Faz com que saibamos ouvir a realidade em que vivemos,
Cada pessoa que encontramos,
Especialmente quem é pobre e necessitado,
Quem se encontra em dificuldade.
Maria, Mulher da decisão,
Ilumina a nossa mente e o nosso coração,
A fim de que saibamos obedecer à Palavra do teu Filho Jesus,
Sem hesitações;
Concede-nos a coragem da decisão,
De não nos deixarmos arrastar para que os outros orientem a nossa
vida.
Maria, Mulher da ação,
Faz com que as nossas mãos e os nossos pés se movam
apressadamente
Rumo aos outros, para levar a caridade e o amor do teu Filho Jesus,
Para levar ao mundo, como Tu, a luz do Evangelho, Ámen!

A Palavra torna-se Ação
Precisamos de parar por uns momentos, abrandar toda a agitação, e livrarmo-nos dos fardos pesados da vida. De que nos serve todo o fervilhar de pensamentos se não somos capazes de compreender o que se passa ao nosso redor? A sociedade grita por ajuda, aos ouvidos! O mundo clama por auxílio!
É urgente a atitude! É urgente despertar! Está na hora de caminhar lado a lado com MARIA! O mesmo Deus que outrora a chamou é o mesmo Deus que agora nos chama!
Que o nosso espírito se sossegue na segurança de que: “Deus não escolhe os capazes, mas capacita os escolhidos!”.

Cântico final




24 setembro 2018

Mensagem do Papa Francisco ao II Congresso internacional da catequese

Mensagem Vídeo do Santo Padre aos participantes no Simpósio Internacional sobre o tema: 
"O catequista, testemunha do mistério"
22 de setembro

Queridos catequistas, bom dia!
Teria gostado tanto de pessoalmente ter partilhado convosco este momento tão importante em que vos reunis para refletir sobre a segunda parte do Catecismo da Igreja Católica, que toca conteúdos importantes e fundamentais para a Igreja e para todos os cristãos, como são a vida sacramental, a ação litúrgica e seu impacto na catequese. Monsenhor Fisichella informou-me que estais muitos, cerca de 1.500 catequistas, e que vindes de 48 países diferentes, em muitos casos acompanhados pelos vossos Bispos, a quem saúdo cordialmente. Obrigado pela vossa presença. Obrigado pelo entusiasmo com o qual cada um de vós vive o seu ser catequista na Igreja e para a Igreja.
Recordo-me com prazer do primeiro encontro que tive convosco no Ano da Fé, em 2013, e como vos pedi que fosseis catequistas, não que trabalhásseis na catequese: isto não é necessário! Eu trabalho como catequista porque gosto de ensinar. Mas se tu não és um catequista não serve de nada. Não serás fecundo, não será fecunda! Catequista é uma vocação: ser catequista, é vocação, não trabalhar como catequista. Lembrai-vos bem, eu não disse para fazer catequese, mas ser catequista, porque convoca a vida. Leva ao encontro com Jesus com a palavra e com a vida, com o testemunho.
Hoje estou em Vilnius para a viagem apostólica aos países bálticos, planeada há algum tempo. Aproveito estas poderosas ferramentas da tecnologia para estar convosco e dar-vos conta de alguns pensamentos que me envolvem, para que a vossa vocação de ser catequista assuma sempre e cada vez mais uma forma de serviço que advém da comunidade cristã e que precisa ser reconhecido como um verdadeiro e genuíno ministério da Igreja, do qual temos particular necessidade.
Muitas vezes penso no catequista como alguém que se colocou ao serviço da Palavra de Deus, que frequenta quotidianamente esta Palavra de modo a torná-la seu alimento e possa assim dar dela conhecimento a outros com outros com eficácia e credibilidade. O catequista sabe que esta Palavra é «viva» (Hb 4,12), porque é a regra de fé da Igreja (cf. Concílio Ecuménico Vaticano Vat II, Dei Verbum, 21; Lumen Gentium, 15). Consequentemente, o catequista não pode esquecer, especialmente hoje num contexto de indiferença religiosa, que a sua palavra é sempre um primeiro anúncio. Pensai bem: neste mundo, nesta área de muita indiferença, a vossa palavra será sempre um primeiro anúncio, que toca o coração e a mente de muitas pessoas que estão à espera de se encontrar com Cristo. Mesmo sem o saberem, mas estão há espera. E quando digo o primeiro anúncio, não quero dizer apenas no sentido temporal. Claro, isso é importante, mas nem sempre é o caso. O primeiro anúncio equivale a salientar que Jesus Cristo morreu e ressuscitou pelo amor do Pai, dá o seu perdão a todos sem distinção de pessoas, somente requer que abram o coração para se converterem! Muitas vezes não percebemos o poder da graça que, através das nossas palavras, toca profundamente os nossos interlocutores e moldando-os para que descubram o amor de Deus. O catequista não é um mestre ou um professor que pensa como desenvolve a aula. A catequese não é uma lição; A catequese é a comunicação de uma experiência e o testemunho de uma fé que acende corações, porque introduz o desejo de encontrar Cristo. Este anúncio de várias maneiras e com diferentes idiomas é sempre o primeiro que o catequista é chamado a realizar!
Por favor, na comunicação da fé, não caiais na tentação de derrubar a ordem com que a Igreja sempre anunciou e apresenta o kerygma, e que também se reflete na estrutura do próprio Catecismo. Não se pode, por exemplo, dar primazia à lei, até mesmo a da moral, em detrimento do anúncio tangível do amor e da misericórdia de Deus. Não podemos esquecer as palavras de Jesus: «Eu não vim para condenar, mas para perdoar... » (Cf. Jo 3,17; 12,47). Do mesmo modo, não se pode pretender impor uma verdade de fé prescindindo da chamada à liberdade e ao que ela comporta. Se existe experiência do encontro com o Senhor ela encontra-se sempre como na mulher samaritana que tem o desejo de beber água que não se esgota, mas ao mesmo tempo corre imediatamente aos aldeões para fazê-los vir a Jesus (cf. 30). É necessário que o catequista entenda, então, o grande desafio que está perante si acerca da forma de educar a fé, em primeiro lugar, daqueles que têm uma identidade cristã fraca e, portanto, necessidade de proximidade, carinho, paciência, de amizade. Só assim a catequese se torna a promoção da vida cristã, o apoio na formação global dos fiéis e o incentivo para ser discípulos missionários.
Uma catequese que pretende ser frutuosa e em harmonia com toda a vida cristã encontra a sua vida na liturgia e nos sacramentos. A iniciação cristã exige que as nossas comunidades implementem, cada vez mais, um caminho catequético que ajude a experimentar o encontro com o Senhor, no crescimento do conhecimento e do amor como consequência. A Mistagogia oferece as oportunidades fortemente significativas para percorrer um caminho com coragem e decisão, favorecendo a saída de uma fase estéril da catequese, que encontramos sobretudo nos nossos jovens, porque não encontram nela a frescura da proposta cristã e a significância nas suas vidas. O mistério que a Igreja celebra encontra a sua expressão mais bela e coerente na liturgia. Não nos esqueçamos de aproveitar com a nossa catequese a contemporaneidade de Cristo. De facto, na vida sacramental, que encontra o seu ápice na Eucaristia, Cristo é contemporâneo com a sua Igreja: acompanha as vicissitudes da sua história e nunca está longe da sua Esposa. É Ele que se torna vizinho e próximo de quantos o recebem no seu Corpo e no seu Sangue, e se tornam instrumento de perdão, testemunhas da caridade com aqueles que sofrem, e participantes ativos na criação da solidariedade entre os homens e os povos. Quão útil seria para a Igreja se as nossas catequeses estivessem baseadas no deixar experimentar a presença de Cristo que age e opera na nossa salvação, permitindo-nos experimentar a partir de agora a beleza da vida de comunhão com o mistério de Deus Pai, Filho e Espírito Santo! Desejo que vivais estes dias com intensidade, para transportardes, em seguida para as vossas comunidades a riqueza do que haveis vivido neste encontro internacional. Acompanho-vos com a minha bênção e, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Obrigado.
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Tradução e destaques: Educris


23 setembro 2018

O longo caminho da gratidão

“(...) atirou-se aos pés de Jesus, com o rosto por terra, e lhe agradeceu.”  
(Lc 17,16)



“A gratidão é a memória do coração” (Paul H. Dunn))
Aquele que é marcado pela experiência de que tudo é dom e dado pelo Deus providente, adquire a fina percepção de que tudo é graça, tudo é “de graça”, somos “agraciados”, “cheios de graça”...
É Ele mesmo que, ao criar-nos gratuitamente no amor, nos ensina a “sermos gratuitos e gratos”.
Só Ele é capaz de gerar o verdadeiro sentido e força do “de graça”; só a generosidade gratuita do coração de Deus é capaz de reconfigurar mentes e encorajar atitudes oblativas em nós.
Enquanto a memória da mente é a lembrança, a do coração encontra expressão na gratidão. Afinal, estar grato é uma forma de memória. Normalmente vivemos inúmeras bênçãos diárias que esquecemos. Quanto maior a memória do coração mais ele poderá nos mostrar o quanto somos gratos.
Na espiritualidade cristã, a gratidão nasce com naturalidade e espontaneidade nos corações humildes, nas pessoas conscientes de que aquilo que recebem não é por mérito ou retribuição. Tudo é gratuidade. O agradecimento é a experiência humana que mais mobiliza a generosidade da pessoa; a gratidão é a mais agradável das virtudes: que virtude mais leve, alegre, mais luminosa, mais humilde, mais feliz!!! É por isso que ela se aproxima da caridade, que seria como a gratidão sem causa, uma gratidão incondicional.
Parece ser que a gratidão, juntamente com o amor, é um dos sentimentos mais terapêuticos: centra-nos, (re)situa-nos, faz.nos porosos, abre-nos a dimensões infinitas, arrancando-nos de mecanismos ego-centrados, que nos fazem girar sobre nós mesmos de um modo doentio.
Grandeza da gratidão, pequenez do ser humano.
“De graça”: esta é uma expressão cada vez mais estranha e distante numa cultura marcada pelo consumismo, pelo “toma lá, dá cá”. O que é que se encontra “de graça?” Onde? Quem pratica essa aventura da “mão aberta”, da largueza de coração? Desconfia-se de quem oferece alguma coisa “de graça”. Há interesses escondidos, motivações escusas, para ganhar alguma coisa.
“De graça” parece já não fazer parte mais do nosso vocabulário. Esta é a lei dura, imposta e forjada pelo mecanismo perverso da exploração, da concentração de bens... Nesse horizonte o que vale são os cálculos e os interesses egoístas.
Há aqueles que não conhecem a palavra “gratuito” e, por isso, petrificados à “gratidão”. São surdos e mudos para o “muito obrigado”. Para eles tudo se compra e tudo se vende. O egoísta é ingrato não porque não goste de receber, mas porque não gosta de reconhecer o que recebe do outro, e a gratidão é esse reconhecimento; não gosta de retribuir, e a gratidão, de facto, retribui com o agradecimento.
Um outro horizonte, no entanto, é apresentado por Jesus. Ele está a caminho, quase a chegar à etapa final da viagem: Jerusalém. A estrada é a vida e a missão de Jesus, enviado para revelar o rosto de Deus aos homens. A sua estrada é marcada pela solidariedade e cuidado para com os mais excluídos e sofridos.
Entre Jesus e aquela estrada, que conduz a Jerusalém, há uma relação vital: Ele é o “autor” daquela estrada; Ele é a estrada do cumprimento da vontade de amor e de salvação do Pai; Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Essa estrada deverá ser a mesma também dos discípulos, a do seguimento, a que conduz à Cidade santa, à plena bem-aventurança. Um Caminho que faz viver e realiza a comunhão em plenitude.
Logo que Jesus entrou na aldeia, “dez leprosos” foram ao seu encontro. Pela narração do evangelista, dá a entender que não há mais ninguém na cena: Jesus parece estar sozinho com os leprosos. A aldeia apresenta-se surpreendentemente vazia. É óbvio, os leprosos deviam estar separados e longe de todos. Na verdade, a lepra era entendida como manifestação de uma condição de pecado. Os leprosos, embora mantivessem a devida distância, vão ao encontro de Jesus, a gritar. Aqueles pobres miseráveis buscam-n'O como o “misericordioso”: “Jesus, mestre, tende piedade de nós”. É uma oração surpreendente, na qual o homem de Nazaré é chamado pelo próprio nome. Jesus, por sua vez, pousa sobre eles o seu “olhar” e os envolve com tanta atenção e sedução, que os dez não hesitam, nem um momento sequer, em pôr em prática, com confiança, a ordem que lhes foi dada: “Ide mostrar-vos aos sacerdotes”. Assim, Jesus põe-se com eles na estrada da esperança, na estrada da experiência da solidariedade que cura e os acompanha, mesmo de longe, até aos sacerdotes.
A recuperação da saúde deles torna-se também reinserção na sociedade, no âmbito familiar e na comunidade religiosa. Eles não serão mais rejeitados.
No entanto, somente um dos dez leprosos, ao longo do caminho, descobriu ter sido curado. Então “voltou dando glória a Deus, em alta voz”. Cai com o rosto ao chão, aos pés de Jesus, e dá graças a Deus: ele era um samaritano. A sua admiração por ter sido curado torna-se caminho de retorno e hino de gratidão. Assim, a cura, em sentido pleno, consiste em descobrir que o verdadeiro ponto de chegada do caminho tomado consiste, justamente, em voltar ao ponto de partida: a pessoa de Jesus, reencontrada no pleno esplendor da sua luz.
Somente aquele estrangeiro, capaz de dizer “obrigado”, volta a Jesus, a quem obedecera na obscuridade da fé. No fundo, ele descobriu não só ter sido curado, mas, sobretudo, ter sido amado.
É exactamente isso que o leva para além do agradecimento e o faz entoar um hino de louvor, onde toma forma o gosto pelas coisas e pela vida, porque foram dadas por um Amor eterno. Também Jesus não esconde a sua profunda surpresa, seja pelos nove que não voltaram, seja pela única volta agradecida de um samaritano. Mais uma vez, pousando o seu olhar de amor e de misericórdia sobre o estrangeiro, dirige-lhe uma palavra de envio: “Levanta-te e vai”, como também uma palavra de consolação: “A tua fé te salvou”.
Ao leproso-estrangeiro, portanto, nada mais resta a não ser pôr-se novamente a caminho, na novidade deste encontro e deste acontecimento, que o marcou profundamente, e seguir a estrada indicada por Jesus, tornando-se um sinal concreto da presença de Deus e do seu Amor que salva. O samaritano curado, agora a caminho com Jesus, pode comunicar a todos a alegria do seu reconhecimento, mediante a gratuidade do dom recebido.
O verdadeiro sentido do retorno é a “gratidão”, o “agradecimento”, o “louvor”: esta é a realidade da conversão. Tal retorno é a real “peregrinação” do cristão. Ser “curado” e viver em plenitude significa deixar espaço ao agradecimento e transformar o caminho humano em canto de louvor.
Cabe a nós, enquanto seguidores de Jesus, pensar/sentir agradecidamente e ter gestos de gratuidade. Cabe a nós falar agradecidamente. A expressão “muito obrigado” é das primeiras que se aprende quando alguém se inicia noutro idioma. Ser agradecido aprende-se agradecendo e tudo se pacifica quando o gratuito marca nosso ser inteiro.
A vida nova vem da vida recebida e partilhada; ela nos coloca acima do êxito e do fracasso, pois está no nível da gratuidade.


Pe. Adroaldo Palaoro, sj


21 setembro 2018

O Ministério do Leitor #02


Instrução Geral do Missal Romano (06/04/1969) 

5.1 A Instrução Geral do Missal Romano foi o primeiro documento da reforma litúrgica a abordar sistematicamente todos os aspetos do ministério dos leitores (diáconos, leitores instituídos, leitores e leitoras nomeados).
Em 4 de Dezembro de 2003, no 40.º aniversário da aprovação da Constituição Sacrosanctum Concilium, o Secretariado Nacional de Liturgia publicou a 3.ª edição típica deste documento fundamental da reforma do Missal, que apresenta diversas modificações em relação às duas edições anteriores. É desta 3.ª edição que vão ser extraídos os textos citados e respetivos números, todos eles novos, dado que, ao contrário do que sucedera anteriormente, o Capítulo I dá sequência à numeração iniciada no Proémio.
A tradição litúrgica mostra que não é ao presidente da celebração que compete ler os textos bíblicos na liturgia. O presidente tem outras funções. Quando acontece ser leitor (o que infelizmente não é raro), o facto deveria aparecer como exceção. Mesmo na Missa semanal. Muito mais na Missa dominical.
O Evangelho, que o presidente lê com tanta frequência, deveria ser proclamado por um diácono ou então por outro sacerdote distinto daquele que preside. Este princípio tão simples e óbvio continua, em muitos casos, a não ser tido em conta.

«Segundo a tradição, a função de proferir as leituras não é presidencial, mas ministerial. Por isso as leituras são proclamadas por um leitor, mas o Evangelho é anunciado pelo diácono ou, na ausência deste, por outro sacerdote. Se, porém, não estiver presente o diácono nem outro sacerdote, leia o Evangelho o próprio sacerdote celebrante; e se também faltar outro leitor idóneo, o sacerdote celebrante proclame igualmente as outras leituras» (IGMR 59: cf. EDREL 317).

5.2 O texto deste número foi bastante modificado em relação ao anterior, sendo-lhe acrescentado um inciso, que não figurava nas outras edições, para explicar o sentido da resposta Graças a Deus ou Glória a Vós, Senhor, no final das leituras:

«Depois de cada leitura, aquele que a lê profere a aclamação; ao responder-lhe, o povo reunido presta homenagem à palavra de Deus, recebida com fé e espírito agradecido» (IGMR 59: cf. Edrel 317).

5.3 Pelo menos nos dois primeiros séculos, todas as leituras da Missa eram proclamadas por um leitor leigo, mesmo o Evangelho. Sabemo-lo explicitamente por S. Justino (Apologia I, n. 67: AL 397) e temos outros indícios nalguns textos da tradição.
Este costume litúrgico é de uma importância excecional, se nos lembrarmos que foi aos Apóstolos que o Senhor encarregou de anunciar o Evangelho por todo o mundo. Se os leitores leigos aparecem desde a primeira hora a ler a Palavra nas celebrações eucarísticas, mesmo o Evangelho, isso significa que os bispos, sucessores dos Apóstolos e responsáveis pela liturgia das suas Igrejas, quiseram associar dessa forma os leigos a uma parte significativa do seu ministério, reservando para si próprios a explicação do anúncio feito pelos leitores.
Para manifestar a importância desta proclamação da Palavra feita pelos leigos cristãos, os bispos não se limitavam a mandá-los ler, mas instituíam-nos no ministério de leitores, no Ocidente entregando-lhes o livro (Tradição Apostólica), no Oriente impondo-lhes a mão (Constituições Apostólicas).
Infelizmente, isso não durou muito tempo. No espaço de três séculos, os leigos deixaram de ser instituídos leitores, passando as leituras antes do Evangelho a ser lidas por jovens que tivessem recebido a ordem menor do leitorado. Começara um movimento de clericalização da liturgia, de consequências negativas.
Voltámos agora ao princípio. O leitor deixou de ser ordenado e é de novo instituído. Não lê o Evangelho, mas deve ser ele próprio a fazer todas as outras leituras da Missa, e pode até, na falta de ministros próprios, realizar outros serviços.

«O leitor é instituído para fazer as leituras da Sagrada Escritura, com exceção do Evangelho. Pode também propor as intenções da oração universal e ainda, na falta de salmista, recitar o salmo entre as leituras. 
Na celebração eucarística o leitor tem uma função que lhe é própria (cf. nn. 194-198) e que ele deve exercer por si mesmo» (IGMR 99: cf. EDREL 349).

5.4 Não se deve porém esconder, que na sua quase totalidade os leitores das nossas comunidades paroquiais não são instituídos. Tendo presente essa realidade, a nova Instrução geral modificou o texto que a eles se referia, dando-lhe uma redação mais clara, e substituindo a anterior expressão leitores encarregados deste ofício, por esta que nos parece mais exigente: leigos designados para proclamar as leituras da Sagrada Escritura. 
«Na falta de leitor instituído, podem ser designados outros leigos para proclamar as leituras da Sagrada Escritura, desde que sejam realmente aptos para o desempenho desta função e se tenham cuidadosamente preparado, de tal modo que, pela escuta das leituras divinas, os fiéis desenvolvam no seu coração um afeto vivo e suave pela sagrada Escritura» (IGMR 101: cf. EDREL 349).

5.5 Acentuamos o termo designados, que acabamos de citar, e sugerimos, de acordo com o n. 107 da Instrução geral, todo ele novo, que a realidade aí expressa passe a ser visível nas nossas paróquias. De que modo? Organizando, com alguma frequência, pequenos cursos para leitores, que deverão terminar pela designação, sob forma de bênção litúrgica e por nomeação temporária, daqueles que os frequentaram com aproveitamento, e que o pároco declare capazes de desempenhar, com qualidade, a função de leitores. Esta designação, a realizar pelo pároco ou reitor da igreja, bem como a instituição, que é reservada ao bispo, em nada mudam o estatuto dos fiéis que as recebem, dado que, o primeiro grau do ministério ordenado é o de diácono. Ao ser designado, nomeado ou instituído leitor, um leigo não passa a ser clérigo. Continua a ser leigo. «As funções litúrgicas, que não são próprias do sacerdote ou do diácono, e das quais se tratou acima..., também podem ser confiadas a leigos idóneos, escolhidos pelo pároco ou reitor da igreja, mediante uma bênção litúrgica ou por nomeação temporária...» (IGMR 107: texto novo).


in O Ministério do Leitor
Secretariado Nacional de Liturgia



19 setembro 2018

Catequese sobre os Mandamentos #09


Na viagem no interior das Dez Palavras, hoje chegamos ao mandamento sobre o pai e a mãe. Fala-se da honra devida aos pais. Em que consiste esta “honra”? O termo hebraico indica a glória, o valor, à letra, o “peso”, a consistência de uma realidade. Não é questão de formas exteriores, mas de verdades. Nas Escrituras, honrar a Deus quer dizer reconhecer a sua realidade, fazer as contas com a sua presença; isto exprime-se também mediante os ritos, mas implica sobretudo atribuir a Deus o lugar certo na existência. Portanto, honrar o pai e a mãe significa reconhecer a sua importância até com gestos concretos, que manifestam dedicação, afeto e esmero. Mas não se trata apenas disto.
A Quarta Palavra tem uma sua caraterística: é o mandamento que contém um êxito. Com efeito, reza: «Honra teu pai e tua mãe, como te mandou o Senhor teu Deus, para que se prolonguem os teus dias e prosperes na terra que te deu o Senhor teu Deus» (Dt5, 16). Honrar os pais leva a uma vida longa e feliz. No Decálogo, a palavra “felicidade” só aparece ligada ao relacionamento com os pais.
Esta sabedoria multimilenária declara aquilo que as ciências humanas souberam elaborar só há pouco mais de um século: ou seja, que a marca da infância se reflete sobre a vida inteira. Muitas vezes pode ser fácil entender se alguém cresceu num ambiente saudável e equilibrado. Mas igualmente perceber se uma pessoa provém de experiências de abandono ou de violência. A nossa infância é um pouco como uma tinta indelével, exprime-se nos gostos, nos modos de ser, não obstante alguns procurem esconder as feridas das próprias origens.
Mas o quarto mandamento diz ainda mais. Não fala da bondade dos pais, não exige que os pais e as mães sejam perfeitos. Fala de um gesto dos filhos, prescindindo dos méritos dos pais, e diz algo extraordinário e libertador: embora nem todos os pais sejam bons e nem todas as infâncias sejam tranquilas, todos os filhos podem ser felizes, porque o êxito de uma vida plena e feliz depende do justo reconhecimento por aqueles que nos deram a vida.
Pensemos como esta Palavra pode ser construtiva para tantos jovens que provêm de histórias de dor e para todos aqueles que sofreram na própria juventude. Muitos santos — e numerosos cristãos — depois de uma infância dolorosa, levaram uma vida luminosa porque, graças a Jesus Cristo, se reconciliaram com a vida. Pensemos no jovem Sulprizio, hoje Beato e no próximo mês Santo, que com 19 anos concluiu a sua vida reconciliado com muitas dores, com tantas situações, porque o seu coração estava sereno e nunca tinha renegado os seus pais. Pensemos em São Camilo de Lellis que, de uma infância desordenada, construiu uma vida de amor e de serviço; em Santa Josefina Bakhita, que cresceu numa escravidão horrível; ou no Beato Carlos Gnocchi, órfão e pobre; e no próprio São João Paulo II, marcado pela perda da mãe em tenra idade.
Independentemente da história da sua proveniência, o homem recebe deste mandamento a orientação que conduz a Cristo: com efeito, é n’Ele que se manifesta o verdadeiro Pai, que nos oferece o “renascimento do Alto” (cf. Jo 3, 3-8). Os enigmas das nossas vidas iluminam-se quando se descobre que Deus nos prepara desde sempre para uma vida como seus filhos, onde cada gesto é uma missão recebida d’Ele.
As nossas feridas começam a ser potencialidades quando, por graça, descobrimos que o verdadeiro enigma já não é “porquê?”, mas “por quem?”, por quem me aconteceu isto. Em vista de qual obra Deus me forjou, através da minha história? Aqui tudo se inverte, tudo se torna precioso, tudo se torna construtivo. A minha experiência, ainda que seja triste e dolorosa, à luz do amor, como se torna para os outros, para quem, fonte de salvação? Então, podemos começar a honrar os nossos pais com liberdade de filhos adultos e com misericordiosa aceitação dos seus limites.[1]
Honrar os pais: eles deram-nos a vida! Se tu te afastaste dos teus pais, faz um esforço e regressa, volta para eles; talvez sejam idosos... Eles deram-te a vida. Além disso, temos o hábito de proferir expressões feias, até palavrões... Por favor, nunca, nunca, nunca insulteis os pais de outrem. Jamais! Nunca se insulta a mãe, nunca se insulta o pai. Jamais! Tomai vós mesmos esta decisão interior: doravante, nunca insultarei a mãe ou o pai de alguém. Foram eles que lhe deram a vida! Não devem ser insultados.
Esta vida maravilhosa é-nos oferecida, não imposta: renascer em Cristo é uma graça a acolher livremente (cf. Jo 1, 11-13), e constitui o tesouro do nosso Batismo no qual, por obra do Espírito Santo, um só é o nosso Pai, aquele que está no Céu (cf. Mt 23, 9; 1 Cor 8, 6; Ef 4, 6). Obrigado!


Catequese do Papa Francisco
19 de setembro de 2018
© Copyright - Libreria Editrice Vaticana



15 setembro 2018

Como rezar o Terço das Sete Dores de Nossa Senhora

Também conhecido como Coroa das Sete Dores ou Rosário das Sete Dores


Inicia-se com o Sinal da Cruz: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Oração Introdutória: Ó Deus e Senhor meu, eu vos ofereço este Terço para a Vossa glória, para que sirva para honrar a Vossa Santa Mãe, a Virgem Maria, e para que eu a possa compartilhar e meditar os seus sofrimentos. Humildemente eu vos peço: concedei-me o arrependimento verdadeiro de meus pecados e dai-me a sabedoria e a humildade necessárias para que eu receba todas as indulgências concedidas por essas orações.
Ato de Contrição: Senhor meu, Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro, Criador e Redentor meu: por serdes Vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas, e porque Vos amo e estimo, pesa-me, Senhor, de todo o meu coração, de Vos ter ofendido; pesa-me também de ter perdido o Céu e merecido o Inferno; e proponho firmemente, ajudado com o auxílio da Vossa divina graça, emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender. Espero alcançar o perdão de minhas culpas pela Vossa infinita misericórdia”.
Rezam-se três Ave-Marias.

1. Mistério da Primeira Dor de Maria: a profecia de Simeão


Jaculatória: “Ó Mãe de Misericórdia, lembrai-nos sempre das dores de vosso filho, Jesus Cristo”.
Meditação: A Santa Virgem Maria levou Jesus ao Templo de Jerusalém, como mandava a tradição que dizia que todos os recém-nascidos deveriam ser abençoados no Templo perante Deus. Lá, o velho sacerdote Simeão segurou o menino Jesus em seus braços e o Espírito Santo encheu o seu coração. Simeão então reconheceu Jesus como o Salvador prometido e elevou a criança na direção do Céu, dando graças e louvor a Deus por ter cumprido a promessa que Ele havia feito a Simeão – a de que ele viveria o suficiente para ver o Messias.
‘Eis que agora Vosso servo pode deixar em paz esta vida, meu Senhor’, disse ele. Então, ele olhou para Maria e disse: ‘E tu, mulher, uma espada de dor irá transpassar teu coração por conta do sofrimento que deve recair sobre o teu filho’.
A Santíssima Virgem sabia que havia dado à luz o Salvador da humanidade, então ela compreendeu e aceitou imediatamente a profecia de Simeão. Por mais que seu coração tivesse sido tocado profundamente pela graça de ser portadora do menino Jesus, ele permanecia pesado e atormentado, afinal ela sabia o que havia sido escrito a respeito das provações e subsequente morte do Salvador. Sempre que via seu filho, ela era constantemente relembrada dos sofrimentos aos quais ele seria submetido, até que esse sofrimento tornou-se inerente ao dela.
Oração: Querida Mãe Maria, cujo coração padeceu além da conta por nós, ensinai-nos a sofrer como vós sofrestes e, através do amor, a aceitar todo sofrimento pelo qual Deus considerar necessário que passemos. Que nós soframos, e que nosso sofrimento possa ser reconhecido por Deus somente, como o foi o vosso e o de vosso filho, Jesus. Não deixai que demonstremos o nosso sofrimento ao mundo, para que assim ele valha mais e possa ser usado para reparar os pecados de todos. A vós, ó Mãe, que sofrestes com o Salvador, nós oferecemos nosso sofrimento e o do mundo, por sermos todos filhos vossos. Uni nossas dores às vossas e às de Nosso Senhor Jesus Cristo e então oferecei-as a Deus nosso pai, para que Ele as reconheça – vós que sois a Mãe maior de tudo o que há.
De vós me compadeço, ó Mãe Dolorosa, pela dor que o vosso terno coração sentiu com a profecia do velho santo Simeão. Ó Mãe querida, pelo vosso tão aflito coração, concedei-me a virtude da humildade e o dom salutar do temor de Deus. Amém.
Reza-se um Pai-Nosso e sete Ave-Marias.

2. Mistério da Segunda Dor de Maria: a fuga para o Egito


Reza-se a jaculatória: Ó Mãe de Misericórdia, lembrai-nos sempre das dores de vosso filho, Jesus Cristo.
Meditação: O coração de Maria se partiu e suas perturbações só aumentaram quando José lhe contou as palavras do anjo: eles deveriam levantar imediatamente e partir para o Egito, porque o rei Herodes estava à procura de Jesus para matá-lo. A Santa Virgem não teve nem tempo para decidir o que levar e o que deixar; ela pegou seu filho e deixou todo o resto, saindo às pressas, à frente de José, para que fossem rápidos conforme Deus havia pedido. Ela, então, disse: ‘Ainda que Deus tenha poder sobre tudo, Ele quer que fujamos com Jesus, Seu filho. Deus nos mostrará o caminho e nós chegaremos lá sem que o inimigo nos acompanhe’.
Por ser a mãe de Jesus, a Virgem Santíssima o amava mais do que qualquer outra pessoa. Seu coração se perturbava profundamente só de pensar no incômodo de seu filho e, portanto, ela sofreu muito por ele ter passado frio e temor. Enquanto ela e seu marido estavam cansados, com sono e com fome durante a viagem de fuga, o pensamento de Maria sempre se focava na segurança e no conforto de seu filho. Ela temia se encontrar cara a cara com os soldados ordenados para matar Jesus, afinal ela sabia que o inimigo ainda estava em Belém. Seu coração permaneceu angustiado durante toda a fuga. Ela também sabia que, no lugar para o qual estavam indo, eles não encontrariam rostos amigáveis que os dessem boas-vindas.
Oração: Querida Mãe Maria, que tanto sofrestes, dai-nos o vosso coração tão valente. Dai-nos força para que sejamos também corajosos e aceitemos com amor os sofrimentos que Deus colocar em nosso caminho. Ajudai-nos também a aceitar todo sofrimento que a nós mesmos sujeitamos e que nos são infligidos por outros. Ó Mãe do Céu, vós somente purifiqueis o nosso sofrimento, para que sejamos gratos a Deus e tenhamos salvas as nossas almas.
De vós me compadeço, ó Mãe Dolorosa, pela angústia que o vosso sensibilíssimo coração experimentou com a fuga para o Egito e a permanência naquela terra estranha. Mãe querida, pelo vosso coração tão angustiado, alcançai-me a virtude da liberalidade, especialmente com os pobres, e o dom da piedade. Amém.
Reza-se um Pai-Nosso e sete Ave-Marias.

3. Mistério da Terceira Dor de Maria: a perda de Jesus no Templo


Reza-se a jaculatória: Ó Mãe de Misericórdia, lembrai-nos sempre das dores de vosso filho, Jesus Cristo.
Meditação: Jesus é o único filho gerado por Deus, mas ele foi também filho de Maria. A Virgem Santíssima amou Jesus mais do que ela mesma, porque ele era Deus. Comparado a outras crianças, ele era único justamente porque já vivia como Deus. Quando Maria perdeu Jesus, na volta de Jerusalém, o mundo fez-se tão vasto e fez dela tão solitária que ela sentiu que não poderia continuar vivendo sem ele, tão grande era seu sofrimento (ela sentiu a mesma dor que seu filho sentiu mais tarde, quando seus discípulos o abandonaram durante sua Paixão).
Enquanto procurava ansiosamente por seu filho amado, uma dor profunda atravessava o coração da Santa Mãe. Ela se culpava, se perguntava como tinha sido possível que não tivesse tido mais cuidado com ele. Mas não era culpa dela; Jesus não mais precisava de sua proteção, como até então havia precisado. O que doía mesmo em Maria era o fato de que seu filho havia decidido ficar sem o consentimento dela. Jesus havia agradado a ela em tudo: nunca a havia irritado de forma alguma e nem tinha feito desfeita alguma para com os seus pais. No entanto, ela sabia que ele sempre fazia aquilo que era necessário e, portanto, nunca suspeitou de sua obediência.
Oração: Querida Mãe Maria, ensinai-nos a aceitar todos os nossos sofrimentos por conta de nossos pecados e também para que sirvam de reparação pelos pecados do mundo.
De vós me compadeço, ó Mãe Dolorosa, pela tristeza e inquietação que o vosso coração sofreu com a perda do vosso amado Jesus. Mãe querida, pelo vosso coração tão vivamente agitado, alcançai-me a virtude da castidade e o dom da ciência. Amém.
Reza-se um Pai-Nosso e sete Ave-Marias.

4. Mistério da Quarta Dor de Maria: o encontro com Jesus a caminho do Calvário


Reza-se a jaculatória: Ó Mãe de Misericórdia, lembrai-nos sempre das dores de vosso filho, Jesus Cristo.
Meditação: Maria viu Jesus carregar a pesada cruz sozinho – a mesma na qual ele seria crucificado. Isso não surpreendeu a Virgem Santa porque ela já sabia da morte iminente de Nosso Senhor. Vendo que seu filho já estava quase abatido pelos inúmeros e duros golpes dos soldados, ela se enchia de angústia com a sua dor.
Os soldados continuavam a puxá-lo e a apressá-lo, ainda que ele não tivesse forças sobrando. Ele caiu, exausto, incapaz de se reerguer. Naquele momento, os olhos de Maria, que tanto já haviam se enchido de amor e compaixão, encontraram os dele, cheios de dor e cobertos de sangue. Seus corações, parecia, dividiam o fardo: toda dor que ele sentia, ela sentia também. Eles sabiam que não podiam fazer nada, a não ser esperar e acreditar em Deus e dedicar seus sofrimentos a Ele. Tudo que podiam fazer era colocar tudo nas mãos de Deus.
Oração: Querida Mãe Maria, tão arrasada pela dor, ajudai-nos a suportar nossos sofrimentos com amor e coragem, para que possamos aliviar o vosso coração pesaroso e também o de Jesus, vosso filho. Ao fazê-lo, que possamos glorificar Deus por ter nos dado Jesus, Seu filho amado, e também vós, ó Santa Mãe. Ensinai-nos a sofrer paciente e silenciosamente, como vós sofrestes. Concedei a graça de amar Deus em tudo. Ó Mãe Dolorosa, a mais aflita dentre todas as mães, tende piedade de nós, pecadores do mundo inteiro.
De vós me compadeço, ó Mãe Dolorosa, pela consternação que do vosso maternal coração se apoderou quando encontrastes Jesus com a pesada cruz a caminho do Calvário. Mãe querida, pelo vosso coração tão duramente provado, alcançai-me a virtude da paciência e o dom da fortaleza. Amém.
Reza-se um Pai-Nosso e sete Ave-Marias.

5. Mistério da Quinta Dor de Maria: aos pés da cruz


Reza-se a jaculatória: Ó Mãe de Misericórdia, lembrai-nos sempre das dores de vosso filho, Jesus Cristo.
Meditação: A Santíssima Virgem Maria continua a subir o monte do Calvário, seguindo de perto a Jesus, dolorosa e tristemente, embora sofresse em silêncio. Ela pôde vê-lo cambaleando e caindo com a cruz mais algumas vezes, e testemunhou seu filho sendo golpeado impiedosamente pelos soldados, que o puxavam pelo cabelo para que ficasse novamente em pé.
Além de ser inocente, Jesus, quando chegou ao topo do Calvário, foi ordenado a se manifestar perante a multidão, para que pudessem rir dele. Maria sentiu profundamente a dor e a humilhação de seu filho, particularmente quando seus opressores forçaram-no a despir o que havia sobrado de sua roupa. A Santa Mãe teve dores no coração ao ver aqueles tiranos crucificarem seu filho praticamente nu, envergonhando-o terrivelmente apenas para agradar a multidão zombeteira (ele e Maria sentiam mais vergonha do que as pessoas normais, porque eram santos e não conheciam o pecado).
A abençoada Virgem Maria sentiu uma dor insuportável quando Jesus foi estirado na cruz. Seus assassinos cantavam alegremente enquanto se aproximavam dele com martelos e pregos. Sentaram-se em cima dele, para que não pudesse se mover, enquanto o fincavam na cruz. Ao martelarem em suas mãos e pés, Maria sentiu os golpes em seu coração; os pregos perfuraram também a sua carne enquanto rasgavam o corpo de seu filho. Ela sentia a própria vida se desvanecendo.
Quando os soldados ergueram a cruz para encaixá-la no buraco que haviam cavado, eles empurraram-na para que caísse deliberadamente e, assim, fizesse com que o peso do corpo de Jesus rasgasse ainda mais suas mãos e expusesse seus ossos. A dor trespassou seu corpo como fogo líquido. Ele suportou três excruciantes horas pregado à cruz, mas a dor física que sentia não era nada comparada à dor agonizante que sentia no coração por ser obrigado a ver que sua mãe assistia ao seu sofrimento de perto. Misericordiosamente, ele então morre.
Oração: Querida Mãe Maria, Rainha dos Mártires, dai-nos a coragem que tivestes durante todo seu sofrimento para que possamos unir os nossos sofrimentos com os vossos e glorificar a Deus. Ajudai-nos a seguir os mandamentos que ele nos deixou, e também os da Igreja, para que o sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo não seja em vão e todos os pecadores do mundo sejam salvos.
De vós me compadeço, ó Mãe Dolorosa, pelo martírio que o vosso generosíssimo coração padeceu, assistindo à agonia de Jesus. Mãe querida, pelo vosso tão martirizado coração, alcançai-me a virtude da temperança e o dom do conselho. Amém.
Reza-se um Pai-Nosso e sete Ave-Marias.

6. Mistério da Sexta Dor de Maria: a Virgem Dolorosa recebe o corpo de Jesus em seus braços


Reza-se a jaculatória: Ó Mãe de Misericórdia, lembrai-nos sempre das dores de vosso filho, Jesus Cristo.
Meditação: Os amigos de Jesus, José de Arimateia e Nicodemos, desceram da cruz seu corpo morto e o colocaram nos braços abertos de sua Mãe Santíssima. Maria, então, lavou-o com profundo respeito e amor, pois era sua mãe e sabia melhor do que ninguém que ele era Deus incarnado, que tinha tomado um corpo de homem para ser o Salvador de todos os homens.
Maria podia ver as feridas da flagelação pela qual Jesus havia passado por ordens de Pilatos. Sua carna havia sido despedaçada, grandes tiras haviam sido arrancadas de suas costas. Seu corpo todo havia sido tão dilacerado que algumas feridas entrecruzavam-se, escancarando-o da cabeça aos pés. Maria descobriu que as feridas causadas pelos pregos eram menos cruéis que as causadas pela flagelação e pelo carregamento da cruz. Ela ficou horrorizada ao notar que seu filho havia sido capaz de carregar aquela cruz tão pesada e lascada até o Calvário. Ela viu a poça de sangue que havia se formado em sua testa por causa da coroa de espinhos e, para seu horror completo, ela percebeu que muitos dos espinhos farpados haviam penetrado tão fundo em sua cabeça que chegaram até a perfurar seu cérebro.
Olhando para seu filho inteiramente [… ferido], a Santíssima Mãe sabia que sua morte havia sido muito pior do que a tortura reservada ao mais perverso dos criminosos. Enquanto limpava seu corpo, ela se recordava dele em cada etapa de sua curta vida, rememorava o primeiro olhar que deu ao seu rosto de recém-nascido enquanto estavam ainda deitados na manjedoura, e se lembrou também de cada dia que se sucedeu a esse, até o fatídico e dilacerante momento em que ela banhava gentilmente o seu corpo sem vida. Sua angústia era implacável no momento em que preparava seu filho e Senhor para o sepultamento, mas ela permanecia valente e forte, tornando-se assim a verdadeira Rainha dos Mártires. Enquanto lavava seu filho, ela rezou por todos, para que conhecêssemos as riquezas do Paraíso e entrássemos pelos portões do Céu. Ela rezou por cada uma das almas do mundo, para que abraçassem a fé em Deus e, assim, fizessem com que a morte dolorosa de seu filho não fosse em vão e beneficiasse toda a humanidade. Maria rezou pelo mundo; ela rezou por todos nós.
Oração: Querida Mãe Maria, nós vos agradecemos pela vossa valentia ao suportar a dor de assistir o vosso filho padecer na cruz até o fim, para confortá-lo. No momento em que o nosso Salvador deu seu último suspiro, vós vos tornastes uma grande mãe de todos nós; vós vos tornastes a Santa Mãe do mundo. Bem sabemos que tendes mais amor por nós do que os nossos próprios pais, e nós vos imploramos: sede a nossa advogada perante o trono da graça e da misericórdia divinas, para que possamos realmente nos tornar vossos filhos. Nós vos agradecemos por Jesus, nosso Salvador e Redentor, e agradecemos a Jesus por ter vos dado a nós. Rogai por nós, ó Santa Mãe de Deus.
De vós me compadeço, ó Mãe Dolorosa, pela ferida que abriu no vosso piedosíssimo coração a lança que rasgou o lado de Jesus e feriu o seu amabilíssimo coração. Mãe querida, pelo vosso coração assim trespassado, alcançai-me a virtude da caridade fraterna e o dom do entendimento. Amém.
Reza-se um Pai-Nosso e sete Ave-Marias.

7. Mistério da Sétima Dor de Maria: Jesus é sepultado


Reza-se a jaculatória: Ó Mãe de Misericórdia, lembrai-nos sempre das dores de vosso filho, Jesus Cristo.
Meditação: A vida da Santíssima Virgem Maria foi tão proximamente ligada à de Jesus que ela achou que não havia mais motivo para continuar vivendo após a morte de seu filho. O único consolo que ela tinha era o de saber que a morte do filho havia dado fim àquele seu sofrimento inenarrável. Nossa Mãe Dolorosa, com a ajuda de João e da outra santa mulher, colocou cuidadosamente o corpo de Jesus no sepulcro e o deixou lá, como se fazia com todos os outros mortos. Ela foi para casa com uma dor terrível e uma tristeza aguda; pela primeira vez, ela estava sem ele e essa solidão era um novo tipo de dor, mais amargo. Seu coração vinha morrendo desde que o coração de seu filho havia parado de bater, mas ela ainda assim estava certa de que o nosso Salvador logo ressuscitaria.
Oração: Querida Mãe Maria, cuja beleza supera a de todas as mães; ó Mãe de Misericórdia, Mãe de Jesus e de todos nós, nós somos os vossos filhos e colocamos toda a nossa confiança em vós. Ensinai-nos a ver Deus em todas as coisas e situações, até mesmo em nossos sofrimentos. Ajudai-nos a entender a importância de sofrer e também o sentido que tem o nosso sofrimento, de acordo com a vontade de Deus.
Vós fostes concebida sem pecados e preservada do pecado, a ainda sim sofrestes mais do que qualquer um de nós. Vós aceitastes o sofrimento e a dor com amor e insuperável coragem. Vós ficastes ao lado de vosso filho desde que ele foi preso até que morresse. Vós sofrestes com ele, sentistes todas as dores e tormentos que ele teve. Vós cumpristes a vontade de Deus nosso Pai, e, de acordo com a Sua vontade, vos tornastes nossa salvadora junto de Jesus. Nós vos suplicamos, ó Mãe, que nos ensineis a fazer como fez Jesus: ensinai-nos a aceitar nossa cruz com coragem. Nós confiamos em vós, ó misericordiosa mãe, então ensinai-nos a nos sacrificar por todos os pecadores do mundo. Ajudai-nos a seguir os passos de vosso filho e a sermos capazes até de dar a nossa vida pelo outro.
De vós me compadeço, ó Mãe Dolorosa, pela dor intensa que amargurou o vosso amantíssimo coração na sepultura de Jesus. Mãe querida, pelo vosso imaculado coração, amargurado ao extremo, alcançai-me a virtude da diligência e o dom da sabedoria. Amém.
Reza-se um Pai-Nosso e sete Ave-Marias.

Reza-se a jaculatória: Ó Mãe de Misericórdia, lembrai-nos sempre das dores de vosso filho, Jesus Cristo.
Oração Final: Ó Rainha do Mártires, vosso coração muito sofreu. Eu vos imploro pelo mérito das lágrimas que chorastes durante esses períodos tristes e terríveis, que concedeis a mim e a todos os pecadores do mundo a graça de nos arrependermos sincera e verdadeiramente. Amém.
Reza-se três vezes a jaculatória: Ó Maria, que foi concebida sem pecado e sofreu por todos nós, rogai por nós!
Encerra-se o Terço com o Sinal da Cruz: Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém