31 outubro 2018

Catequese sobre os Mandamentos #13



Hoje gostaria de completar a catequese sobre a Sexta Palavra do Decálogo — “Não cometerás adultério” — evidenciando que o amor fiel de Cristo é a luz para viver a beleza da afetividade humana. Com efeito, a nossa dimensão afetiva é uma chamada ao amor, que se manifesta na fidelidade, no acolhimento e na misericórdia. Isto é muito importante. Como se manifesta o amor? Na fidelidade, no acolhimento e na misericórdia.
Contudo, não se deve esquecer que este mandamento se refere explicitamente à fidelidade matrimonial, e portanto é bom refletir mais a fundo acerca do significado esponsal. Este trecho da Escritura, este excerto da Carta de São Paulo, é revolucionário! Refletir, com a antropologia daquele tempo, e dizer que o marido tem que amar a esposa como Cristo ama a Igreja: mas é uma revolução! Talvez, naquela época, seja o aspeto mais revolucionário que foi dito acerca do matrimónio. Sempre pelo caminho do amor. Podemos questionar-nos: a quem se destina este mandamento de fidelidade? Só aos esposos? Na realidade, este mandamento é para todos, é uma Palavra paterna de Deus dirigida a cada homem e mulher.
Recordemo-nos que o caminho da maturação humana é o próprio percurso do amor que vai do receber cuidados à capacidade de oferecer cuidados, do receber a vida à capacidade de dar a vida. Tornar-se homens e mulheres adultos significa chegar a viver a capacidade esponsal e parental, que se manifesta nas várias situações da vida como a capacidade de assumir sobre si o peso de outra pessoa e amá-la sem ambiguidades. Trata-se, por conseguinte, de uma atitude global da pessoa que sabe assumir a realidade e sabe entrar numa relação profunda com os demais.
Por conseguinte, quem é o adúltero, o luxurioso, o infiel? É uma pessoa imatura, que conserva para si a própria vida e interpreta as situações com base no seu bem-estar e satisfação. Portanto, para se casar, não é suficiente celebrar o matrimónio! É necessário percorrer um caminho do eu para o nós, do pensar sozinho para o pensar a dois, do viver sozinho para o viver a dois: é um bonito percurso, é um bonito percurso. Quando conseguimos descentralizar-nos, então cada ação é esponsal: trabalhamos, falamos, decidimos, encontramos os outros com a atitude acolhedora e oblativa.
Cada vocação cristã, neste sentido — agora podemos alargar um pouco a perspectiva e dizer que qualquer vocação cristã, neste sentido, é esponsal. É o caso do sacerdócio, porque é uma chamada, em Cristo e na Igreja, a servir a comunidade com todo o afeto, o cuidado concreto e a sabedoria que o Senhor concede. A Igreja não precisa de candidatos para desempenhar o papel de sacerdotes — não, não servem, é melhor que fiquem em casa — mas servem homens aos quais o Espírito Santo toca o coração com um amor sem reservas pela Esposa de Cristo. No sacerdócio ama-se o povo de Deus com toda a paternidade, a ternura e a força de um esposo e de um pai. Assim também a virgindade consagrada em Cristo deve ser vivida com fidelidade e alegria como relação esponsal e fecunda de maternidade e paternidade.
Repito: cada vocação cristã é esponsal, pois é fruto do vínculo de amor no qual todos somos regenerados, o vínculo de amor com Cristo, como nos recordou o trecho de Paulo lido no início. A partir da sua fidelidade, da sua ternura, da sua generosidade olhemos com fé para o matrimónio e para cada vocação, e compreendamos o sentido pleno da sexualidade.
A criatura humana, na sua inseparável unidade de espírito e corpo, e na sua polaridade masculina e feminina, é uma realidade muito boa, destinada a amar e a ser amada. O corpo humano não é um instrumento de prazer, mas o lugar da nossa chamada ao amor, e no amor autêntico não há espaço para a luxúria nem para a sua superficialidade. Os homens e as mulheres merecem mais do que isto!

Portanto, a Palavra «Não cometerás adultério», mesmo se em forma negativa, orienta-nos para a nossa chamada originária, ou seja, para o amor esponsal total e fiel, que Jesus Cristo nos revelou e doou (cf. Rm 12, 1).


Catequese do Papa Francisco
31 de Outubro de 2018
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26 outubro 2018

O Ministério do Leitor #07


Ordenamento das leituras da Missa (21/01/1981)

11.1 O Ordenamento das leituras da Missa diz coisas importantes sobre o ministério do leitor. É um bom resumo de tudo o que foi dito até aqui.
A finalidade primária da proclamação em voz alta e de forma clara e inteligente é comunicar correctamente a palavra de Deus à assembleia.
«A maneira como os leitores lêem, ao fazerem a proclamação em voz alta e de forma clara e inteligente, tem como finalidade primária comunicar correctamente, por meio das leituras, a palavra de Deus à assembleia...» (OLM 14: EDREL 816).

11.2 A importância do canto das conclusões Palavra do Senhor e Palavra da salvação justifica que um cantor, distinto do leitor que proclamou a leitura, as cante.
«A conclusão Palavra do Senhor (ou Palavra da salvação) no final das leituras, também pode ser cantada por um cantor distinto do leitor que proclamou a leitura, respondendo todos com a aclamação. Deste modo, a assembleia reunida honra a palavra de Deus, recebida com fé e com espírito de acção de graças» (OLM 18: EDREL 820).
«No final das leituras, para tornar mais fácil a aclamação do povo, propõem-se as palavras: «Palavra do Senhor», que o leitor deve proferir, ou outra expressão do mesmo género, conforme os costumes locais» (OLM 125: EDREL 927).

11.3 Ler as leituras bíblicas na Missa é função ministerial. Mas na falta de leitores e de diácono o sacerdote celebrante lê todas as leituras.
«A tradição litúrgica atribui a função de ler as leituras bíblicas na celebração da Missa aos ministros: leitores e diácono. Na falta de diácono ou de outro sacerdote, o próprio sacerdote celebrante lê o Evangelho, e, se também não há leitor, todas as leituras» (OLM 49: EDREL 851).

11.4 Os leitores não são um luxo, mas uma necessidade. Devem ser preparados. Convém distribuir, por eles, as várias leituras a fazer.
«A assembleia litúrgica precisa de leitores, embora não instituídos para esta função. Procure-se, portanto, que haja alguns leigos, dos mais idóneos, que estejam preparados para exercer este ministério. Se se dispuser de vários leitores e houver várias leituras a fazer, convém distribuí-las
entre eles» (OLM 52: EDREL 854).

11.5 As intenções da oração universal, na falta de diácono.
«Nas missas sem diácono, a função de propor as intenções da oração universal confia-se a um cantor, principalmente quando essas intenções forem cantadas, a um leitor ou a outra pessoa» (OLM 53: EDREL 855).

11.6 Vestes dos leitores instituídos e não instituídos, ao subirem ao ambão para proclamar as leituras.
«O... leitor instituído no seu ministério próprio, quando sobe ao ambão para ler a palavra de Deus na celebração da missa com participação do povo, deve usar a veste sagrada própria da sua função. No entanto, aqueles que exercem o ministério de leitor de forma ocasional, ou mesmo habitualmente, podem subir ao ambão com o trajo comum, respeitando, porém, os costumes das várias regiões» (OLM 54: EDREL 856).

11.7 A preparação dos leitores deve ser espiritual (formação bíblica e litúrgica) e técnica (formação para a arte de ler em público). Foi destes princípios que surgiu a estrutura deste livro, nas várias partes que o compõem.
«A preparação (dos leitores) deve ser principalmente espiritual, mas é necessária a preparação técnica. A preparação espiritual pressupõe pelo menos a dupla formação, bíblica e litúrgica: a formação bíblica, para que possam os leitores compreender as leituras, no seu contexto próprio e
entender à luz da fé o núcleo da mensagem revelada; a formação litúrgica, para que os leitores possam perceber o sentido e a estrutura da liturgia da palavra e os motivos que explicam a conexão entre a liturgia da palavra e a liturgia eucarística. A preparação técnica deve tornar os leitores cada vez mais aptos na arte de ler em público, quer de viva voz, quer com a ajuda dos modernos instrumentos de amplificação sonora» (OLM 55: EDREL 857).

Código de Direito Canónico (25/01/1983)

12.1 Leitores instituídos.
«Os leigos do sexo masculino, possuidores da idade e das qualidades determinadas por decreto da Conferência episcopal, podem, mediante o rito litúrgico, ser assumidos de modo estável para desempenharem o ministério de leitor (...); porém, a colação deste ministério não lhes confere o direito à sustentação ou remuneração por parte da Igreja» (CDC, can 230, § 1).

12.2 Leitores não instituídos.
«Os leigos, por deputação ocasional, podem desempenhar nas acções litúrgicas a função de leitor...» (CDC, can. 230, § 2).

12.3 Alguns ministérios que os leigos podem suprir.
«Onde as necessidades da Igreja o aconselharem, por falta de ministros, os leigos, mesmo que não sejam leitores..., podem suprir alguns ofícios, como os de exercer o ministério da palavra, presidir às orações litúrgicas, conferir o baptismo e distribuir a sagrada Comunhão, segundo as prescrições do direito» (CDC, can 230, § 3).


in O Ministério do Leitor
Secretariado Nacional de Liturgia



25 outubro 2018

Domingo - O dia do Senhor




«Fazei isto em memória de Mim» (1 Cor 11,24)

A Igreja fiel a este mandamento do Senhor, sempre celebrou a Eucaristia no Domingo, dia da ressurreição de Jesus – primeiro dia da semana.
O Domingo é o dia por excelência da assembleia litúrgica, em que os fiéis se reúnem para, ouvindo a Palavra de Deus e participando na Eucaristia, fazem memória da paixão, ressurreição, e glória do Senhor Jesus. (catecismo da igreja católica, nº 1167).

A reunião dos cristãos à volta do altar no dia do Senhor tem as suas raízes na experiência pascal dos Apóstolos.

Contam as escrituras que estavam eles reunidos, quando Maria Madalena e as companheiras vieram ter com eles, trazendo a grande notícia. Pedro e João foram então verificar que o túmulo estava de facto vazio (Jo 20,3-10).
Ainda eles se encontravam reunidos, à tarde, quando os discípulos que tinham partido para Emaús vieram juntar-se-lhes, deslumbrados do seu encontro com o Ressuscitado. De repente, Jesus manifestou-Se e pediu que Lhe dessem o que sobrara da refeição (Lc 24,33-34).
Oito dias depois, estavam novamente reunidos, quando o Senhor mostrou a Tomé o seu lado aberto (Jo 20,26).
Para estes discípulos, reunir-se no dia da ressurreição não constitui um dever entre outros, mas uma necessidade, uma ALEGRIA - “No primeiro dia da semana, estai sempre alegres, pois quem se aflige num dia como este, comete pecado” (Doutrina dos Apóstolos).

Ao longo dos tempos, o facto de o domingo ser feriado, impôs a cessação de todo o trabalho manual, e nessa medida deu um prolongamento familiar e social à alegria dos batizados, solicitando também a sua abertura aos outros, fazendo assim eco da Palavra de Deus

Adaptado de Pierre Journel, A Missa Ontem e Hoje, SNL
“Os cristãos não celebram a Missa porque é Domingo, mas é Domingo precisamente porque celebram a Missa”.
(SNL – A Eucaristia faz a  Igreja)


24 outubro 2018

Catequese sobre os Mandamentos #12


No nosso itinerário de catequeses sobre os Mandamentos, hoje chegamos à sexta Palavra, que se refere à dimensão afetiva e sexual, e recita: «Não cometerás adultério».
A exortação imediata é à fidelidade e, com efeito, nenhum relacionamento humano é autêntico sem fidelidade e lealdade.
Não se pode amar só enquanto for “conveniente”; o amor manifesta-se precisamente além do limite da própria vantagem, quando se doa tudo incondicionalmente. Como afirma o Catecismo: «O amor quer ser definitivo. Não pode ser “até nova ordem”» (n. 1.646). A fidelidade é a caraterística da relação humana livre, madura, responsável. Até um amigo se demonstra autêntico, porque permanece tal em qualquer eventualidade, caso contrário não é um amigo. Cristo revela o amor autêntico, Ele que vive do amor ilimitado do Pai, e em virtude disto é o Amigo fiel que nos acolhe mesmo quando erramos e quer sempre o nosso bem, até quando não o merecemos.
O ser humano tem necessidade de ser amado sem condições, e quem não recebe este acolhimento tem em si uma certa incompletude, muitas vezes sem o saber. O coração humano procura preencher este vazio com sucedâneos, aceitando compromissos e mediocridades que só têm um gosto vago do amor. O risco consiste em chamar “amor” a relações acerbas e imaturas, com a ilusão de encontrar luz de vida em algo que, no melhor dos casos, é apenas um seu reflexo.
Assim acontece, por exemplo, que sobrestimamos a atração física, a qual em si é uma dádiva de Deus, mas finalizada a preparar o caminho para uma relação autêntica e fiel com a pessoa. Como dizia São João Paulo II, o ser humano «é chamado à plena e madura espontaneidade dos relacionamentos», que «é o fruto gradual do discernimento dos impulsos do próprio coração». É algo que se conquista, uma vez que cada ser humano, «com perseverança e coerência, deve aprender qual é o significado do corpo» (cf. Catequese, 12 de novembro de 1980).
Portanto, a chamada à vida conjugal exige um discernimento atento sobre a qualidade da relação e um período de noivado para a averiguar. A fim de aceder ao Sacramento do Matrimónio, os noivos devem amadurecer a certeza de que no seu vínculo está a mão de Deus, que os precede e acompanha, permitindo-lhes dizer: «Com a graça de Cristo, prometo ser-te sempre fiel». Não podem prometer-se fidelidade «na alegria e na dor, na saúde e na doença», nem amar-se e honrar-se todos os dias da sua vida, unicamente com base na boa vontade ou na esperança de que “isto funcione”. Precisam de se fundamentar no terreno firme do Amor fiel de Deus. E per isso, antes de receber o Sacramento do Matrimónio, é necessária uma preparação atenta, diria um catecumenato, porque a vida inteira depende do amor, e com o amor não se brinca. Não se pode definir “preparação para o casamento” três ou quatro encontros realizados na paróquia; não, isto não é preparação: é falsa preparação. E a responsabilidade de quem faz isto cai sobre ele: sobre o pároco, sobre o bispo que permite tais situações. A preparação deve ser madura e leva tempo. Não é um ato formal: é um Sacramento. Mas deve-se preparar com um verdadeiro catecumenato.
Com efeito, a fidelidade é um modo de ser, um estilo de vida. Trabalha-se com lealdade, fala-se com sinceridade, permanecendo fiel à verdade nos próprios pensamentos, nas próprias ações. Uma vida tecida de fidelidade exprime-se em todas as dimensões e leva a ser homens e mulheres fiéis e confiáveis em todas as circunstâncias.
Mas para chegar a uma vida tão bonita não é suficiente a nossa natureza humana, é preciso que a fidelidade de Deus entre na nossa existência, nos contagie. Esta sexta Palavra chama-nos a dirigir o olhar para Cristo que, com a sua fidelidade, pode tirar de nós um coração adúltero e doar-nos um coração fiel. N’Ele, e somente n’Ele, existe o amor sem reservas nem arrependimentos, a doação completa, sem parênteses, e a tenacidade do acolhimento total.
A nossa fidelidade deriva da sua morte e ressurreição, a constância nos relacionamentos deriva do seu amor incondicional. A comunhão entre nós e o saber viver na fidelidade os nossos vínculos derivam da comunhão com Ele, com o Pai e com o Espírito Santo.


Catequese do Papa Francisco
24 de Outubro de 2018
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19 outubro 2018

O Ministério do Leitor #06


Rito da instituição dos leitores (03/12/1972)

8. Logo após a chamada dos candidatos, o bispo explica-lhes as funções que irão realizar e como devem anunciar a palavra de Deus. Segue-se uma oração de bênção e a entrega da Bíblia.

«Como leitores que proclamam a palavra de Deus, ides prestar uma grande ajuda nesta missão. Para isso recebereis no povo de Deus um ofício particular, e sereis designados para servir a fé, que tem a sua raiz na palavra de Deus. Haveis de ler a palavra de Deus na assembleia litúrgica, educareis na fé as crianças e os adultos, prepará-los-eis para receberem dignamente os Sacramentos, e anunciareis a Boa Nova da salvação aos homens que ainda a não conhecem. Deste modo, e com a vossa ajuda, os homens poderão chegar ao conhecimento de Deus Pai e de seu Filho Jesus Cristo, por Ele enviado, e conseguir a vida eterna.
Quando anunciardes aos outros a palavra de Deus, recebei-a vós também em docilidade ao Espírito Santo, meditai-a atentamente, para adquirirdes cada vez mais o suave e vivo amor da Sagrada Escritura, e com a vossa vida, revelai o Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo...
[Convite à oração] Irmãos caríssimos, roguemos a Deus Pai que derrame a graça da sua bênção sobre estes seus servos, escolhidos para o ministério dos leitores, e que eles, desempenhando com zelo o ministério que lhes é confiado e anunciando a Cristo, glorifiquem o Pai que está nos céus.
[Oração de bênção] Senhor nosso Deus, fonte de toda a luz e bondade, que enviastes o vosso Filho Unigénito, Palavra da vida, para revelar aos homens o mistério do vosso amor, dignai-Vos + abençoar estes nossos irmãos, escolhidos para o ministério dos leitores, e concedei que, meditando assiduamente a vossa Palavra, sejam nela instruídos e fielmente a anunciem aos seus irmãos...
[Entrega da Bíblia] Recebe o livro da Sagrada Escritura e anuncia fielmente a palavra de Deus, para que ela seja cada vez mais viva no coração dos homens» (RIL 8-11).

Instrução Immensae caritatis (29/01/1973)

9. O leitor pode, em casos concretos de verdadeira necessidade, ser chamado pelo presidente da celebração para distribuir a Comunhão.

«A pessoa idónea, de que se fala nos nn. I e II (para distribuir a comunhão em caso de necessidade) será designada tendo presente a ordem que a seguir se indica, a qual, no entanto, poderá ser alterada, segundo o juízo prudente do Ordinário do lugar: leitor..., religiosa, catequista, simples fiel – homem ou mulher» (IC I, 4: EDREL 2731).

Directório das Missas com crianças (01/11/1973)

10. Nas Missas com crianças, convém que os leitores sejam crianças e adultos.

«Nas missas com crianças favoreça-se também a diversidade de ministérios, a fim de que a celebração manifeste o seu carácter comunitário; escolham-se por exemplo os leitores... quer entre as crianças, quer entre os adultos. Assim, a variedade das vozes evitará o aborrecimento» (DMC 24: EDREL 2783).



in O Ministério do Leitor
Secretariado Nacional de Liturgia





17 outubro 2018

Paulo, Apóstolo de Cristo (Filme)


O filme “Paulo, Apóstolo de Cristo”, com actuação de Jim Caviezel como o apóstolo Lucas (actor que fez de Jesus em «A Paixão de Cristo»)

O filme, realizado por Affirm Films, foi produzido por David Zelon e T.J.Berden e dirigido por Andrew Hyatt, director de “Full of Grace” (Cheia de Graça), que trata sobre a Virgem Maria.
Os dois protagonistas deste novo filme são o apóstolo São Paulo, interpretado por James Faulkner, e o evangelista São Lucas, interpretado por Jim Caviezel.
O site do filme indica que São Lucas arrisca a sua vida para viajar até Roma e visitar São Paulo, que está preso, fisicamente fragilizado e à espera da sua sentença de morte. Além disso, os cristãos estavam a ser perseguidos por Nero.
O filme conta os desafios e as lutas enfrentadas por São Paulo, que escreve cartas às comunidades cristãs da prisão; assim como São Lucas para proclamar a mensagem de Jesus Cristo.
Jim Caviezel destacou à ‘USA Today’ a importância da transformação de Paulo de Tarso, de perseguidor de cristãos a uma das pessoas mais importantes na evangelização.
O site norte-americano revelou que, numa das cenas, São Paulo impede que São Lucas exorte a violência justa contra a opressão romana, explicando-lhe o significado do perdão.
Nesse sentido, Caviezel assinalou que “o perdão não começa somente com o amor, mas com um amor ardente. Realmente é fácil amar as pessoas que gostam daquilo que pensamos. É mais difícil tratar alguém que tenha uma visão contrária, com a mesma dignidade e respeito com o qual trataríamos um amigo. Essa é a mensagem central deste filme”.
“Foi um argumento apaixonado, mas realizado com benevolência”, acrescentou.
Caviezel assegurou que Faulkner e ele “estavam comprometidos. Esse compromisso foi mantido durante todo o filme. E o resultado final foi maravilhoso”.

Para poderes assistir o filme com os teus catequizandos faz o download do filme AQUI(link disponível até dia 21/10)




Catequese sobre os Mandamentos #11


Hoje gostaria de prosseguir a catequese sobre a quinta Palavra do Decálogo, «Não matarás». Como já salientamos, este mandamento revela que aos olhos de Deus a vida humana é preciosa, sagrada e inviolável. Ninguém pode desprezar a vida do próximo, nem sequer a própria; com efeito o homem traz em si a imagem de Deus e é objeto do seu amor infinito, independentemente da condição em que foi chamado à existência.
No trecho do Evangelho que há pouco ouvimos, Jesus revela-nos um sentido ainda mais profundo deste mandamento. Ele afirma que, diante do tribunal de Deus, até a ira contra o irmão é uma forma de homicídio. Por isso, o Apóstolo João escreverá: «Quem odeia o seu irmão é assassino» (1 Jo 3, 15). Mas Jesus não se limita a isto, e na mesma lógica acrescenta que até o insulto e o desprezo podem matar. E é verdade que nós estamos habituados a insultar. Em nós o insulto nasce espontâneo como se fosse um respiro. Mas Jesus diz-nos: “Detém-te, porque o insulto faz mal, mata!”. O desprezo. «Mas eu... desprezo esta gente”. E esta é uma forma de matar a dignidade de uma pessoa. Como seria bom se este ensinamento de Jesus entrasse na mente e no coração, e cada um de nós dissesse: “Nunca insultarei ninguém”. Seria um bom propósito, porque Jesus nos diz: “Olha, se tu desprezares, insultares, odiares, isto é um homicídio”.
Nenhum código humano equipara gestos tão diferentes, atribuindo-lhes o mesmo grau de juízo. E, coerentemente, Jesus convida até a interromper a oferenda do sacrifício no templo, se nos recordarmos que um irmão está ofendido connosco, a ir à sua procura para nos reconciliarmos com ele. Também nós, quando vamos à Missa, deveríamos ter esta atitude de reconciliação com as pessoas com as quais tivemos problemas. Só pensar mal delas, já é um insulto. Muitas vezes, enquanto esperamos que o sacerdote chegue para celebrar a Missa, bisbilhotamos um pouco e falamos mal do próximo. Mas não se pode fazer isto! Pensemos na gravidade do insulto, do desprezo, do ódio: Jesus coloca-os no nível do assassínio.
O que tenciona dizer Jesus, ampliando a tal ponto o âmbito da quinta Palavra? O homem tem uma vida nobre, muito sensível, e possui um eu recôndito não menos importante que o seu ser físico. Com efeito, para ofender a inocência de uma criança é suficiente uma frase inoportuna. Para ferir uma mulher, pode bastar um gesto de insensibilidade. Para partir o coração de um jovem, é suficiente negar-lhe a confiança. Para aniquilar um homem basta ignorá-lo. A indiferença mata. É como se disséssemos a outrem: “Para mim estás morto”, porque tu o mataste no teu coração. Não amar é o primeiro passo para matar; e não matar é o primeiro passo para amar.
No início da Bíblia lê-se aquela frase terrível que saiu dos lábios do primeiro homicida, Caim, depois de o Senhor lhe ter perguntado onde está o seu irmão. Caim respondeu: «Não sei! Sou porventura eu o guarda do meu irmão?» (Gn 4, 9).(1) Assim falam os assassinos: “Não me diz respeito”, “são problemas teus”, e outras frases semelhantes. Procuremos responder a esta pergunta: somos nós os guardas dos nossos irmãos? Sim, somos! Somos guardas uns dos outros! E este é o caminho da vida, é a vereda do não-assassínio.
A vida humana precisa de amor. E qual é o amor autêntico? É aquele que Cristo nos mostrou, ou seja, a misericórdia. O amor ao qual não podemos renunciar é aquele que perdoa, que acolhe quem nos fez mal. Nenhum de nós pode sobreviver sem misericórdia; todos temos necessidade do perdão. Portanto, se matar significa destruir, suprimir, eliminar alguém, então não matar quer dizer cuidar, valorizar, incluir. E também perdoar.
Ninguém se pode iludir, pensando: “Estou tranquilo, pois não faço nada de mal”. Um mineral ou uma planta têm este tipo de existência, mas um homem não. Uma pessoa — um homem ou uma mulher — não! Exige-se mais de um homem ou de uma mulher. Há o bem a fazer, preparado para cada um de nós, cada qual o seu, que nos torna nós mesmos até ao fundo. “Não matarás” é um apelo ao amor e à misericórdia, é uma chamada a viver segundo o Senhor Jesus, que deu a vida por nós, e por nós ressuscitou. Certa vez repetimos todos juntos, aqui na Praça, uma frase dum Santo sobre isto. Talvez nos ajude: “Não praticar o mal é algo bom. Mas não praticar o bem não é bom”. Devemos praticar sempre o bem. Ir além!
Ele, o Senhor que, encarnando-se, santificou a nossa existência; Ele que, com o seu sangue, a tornou inestimável; Ele, «o Autor da vida» (At 3, 15), graças ao qual cada pessoa é um dom do Pai. N’Ele, no seu amor mais forte do que a morte, e pelo poder do Espírito que o Pai nos confere, podemos acolher a Palavra «Não matarás» como o apelo mais importante e essencial: ou seja, não matarás significa um apelo ao amor.


Catequese do Papa Francisco
17 de Outubro de 2018
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12 outubro 2018

O Ministério do Leitor #05


Instrução Geral da Liturgia das Horas (02/02/1971)

6. Não deveria haver comunidade religiosa nenhuma onde, nomeadamente em Laudes e Vésperas, o leitor (ou leitora) se não levantasse e fosse ao ambão ou ao menos diante da comunidade reunida, fazer a leitura breve. Dá pena ver o que habitualmente acontece, num tempo em que tanto se fala de sinais e gestos litúrgicos feitos com beleza! Por onde andam eles? Ler do lugar e sem se levantar tira dignidade e força à própria leitura, dado que, aquele que lê, não é visto pelos membros da assembleia e a palavra não bate no rosto das pessoas mas nas costas. Terá Deus falado assim alguma vez a alguém? E nós próprios, como fazemos, mesmo nas conversas mais simples?

«Os que desempenham o ofício de leitores [na Liturgia das Horas] farão as leituras, quer longas quer breves, de pé, no lugar próprio» (IGLH 259: EDREL 1439).


Carta apostólica Ministeria quaedam (15/08/1972) 

7.1 Pela Carta apostólica Ministeria quaedam foi revista a disciplina da instituição nos ministérios, e adaptados estes à nossa época.
Breve história da evolução dos ministérios e das «ordens menores». Entre as funções peculiares a manter e a adaptar às exigências do nosso tempo, contam-se, antes de mais, aquelas que estão particularmente relacionadas com os ministérios da Palavra e do Altar.

«A Igreja instituiu, já em tempos antiquíssimos, alguns ministérios, com o fim de render a Deus o devido culto e de prestar serviços ao Povo de Deus, segundo as suas necessidades; com esses ministérios eram confiadas aos fiéis funções da sagrada liturgia... que eles haviam de exercer em conformidade com as diversas circunstâncias. A entrega destas funções fazia-se, muitas vezes, com um rito especial, em virtude do qual o fiel, mediante uma bênção implorada de Deus, ficava constituído numa classe ou grau determinado, para desempenhar algum ofício eclesiástico.
Alguns destes ofícios, mais intimamente relacionados com a acção litúrgica, pouco a pouco passaram a ser considerados instituições prévias à recepção das ordens sacras; de tal maneira que... o Leitorado... começou a ser denominado, na Igreja Latina, Ordem menor... 
No entanto, dado que as ordens menores não foram sempre as mesmas e que muitas das funções a elas anexas eram, na realidade, também desempenhadas por leigos, como aliás ainda agora acontece, pareceu oportuno rever esta disciplina e adaptá-la às necessidades actuais...
Entre as funções peculiares a manter e a adaptar às exigências do nosso tempo, contam-se antes de mais aquelas que estão particularmente relacionadas com os ministérios da Palavra e do Altar, e que, na Igreja Latina, são denominadas Leitorado, Acolitado e Subdiaconado. Convém que estas funções sejam mantidas e adaptadas de tal maneira, que, a partir de agora, elas passem a ser consideradas como dois ofícios apenas, o de Leitor e o de Acólito, os quais englobarão também as funções do Subdiácono...» (MQ: EDREL 1518. 1520).


7.2 As ordens menores passaram a chamar-se ministérios instituídos, e a partir de agora são apenas dois para toda a Igreja latina: Leitorado e Acolitado. Clérigos são aqueles fiéis que receberam a Ordem do Diaconado. Todos os outros são leigos. Desapareceram os restantes graus das citadas «ordens menores», bem como o Subdiaconado.

«É mais conforme com a realidade das coisas e com a mentalidade dos nossos dias que os ministérios acima referidos já não sejam chamados, doravante, ordens menores, e que a sua colação não se chame «ordenação», mas «instituição»; clérigos propriamente ditos são, e como tais devem ser considerados, apenas aqueles que receberam o Diaconado. Deste modo aparecerá com maior nitidez a distinção entre clérigos e leigos, e entre aquilo que é próprio e reservado aos clérigos e aquilo que pode ser confiado aos fiéis leigos. Além disso aparecerá mais claramente a relação entre uns e outros, na medida em que, «o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial ou hierárquico, embora se diferenciem essencialmente e não apenas em grau, se ordenam mutuamente um ao outro, pois um e outro participam, a seu modo, do sacerdócio único de Cristo...
As ordens que até agora se chamavam menores, para o futuro devem designar-se «ministérios». Os ministérios podem ser confiados aos fiéis leigos, pelo que já não devem ser tidos como reservados aos candidatos ao sacramento da Ordem. Os ministérios que devem ser mantidos em toda a Igreja Latina, adaptados às necessidades do nosso tempo, são dois: o de Leitor e o de Acólito. As funções que até agora eram confiadas ao Subdiácono passam a ser desempenhadas pelo Leitor e pelo Acólito...» (MQ: EDREL 1521. 1523-1525).


7.3 O leitor é instituído para ler a palavra de Deus nas assembleias litúrgicas, com excepção do Evangelho. No caso de faltarem os ministros próprios pode recitar o salmo responsorial, apresentar as intenções da oração dos fiéis, dirigir o canto, preparar outros fiéis para receber os Sacramentos ou
para serem leitores. Para se desempenhar destas tarefas, deve ele próprio meditar muito a palavra de Deus.

«O leitor é instituído para a função que lhe é própria, de ler a palavra de Deus nas assembleias litúrgicas. Por isso mesmo, na missa e nas demais acções sagradas, será ele a fazer as leituras da Sagrada Escritura (com excepção, porém, do Evangelho); na falta do salmista, será ele a recitar o salmo entre as leituras; quando não houver diácono ou cantor, será ele a enunciar as intenções da oração universal; a dirigir o canto e a orientar a participação do povo fiel; a preparar os fiéis para a recepção digna dos Sacramentos. Poderá, além disso, na medida em que for necessário, ocupar-se da preparação de outros fiéis que, por encargo temporário, devam ler a Sagrada Escritura nas acções litúrgicas. Para poder desempenhar-se destas funções, cada vez com maior aptidão e perfeição, procure meditar com assiduidade a Sagrada Escritura» (MQ: EDREL 1526).


7.4 O leitor, para chegar a ser bom e excelente na realização do seu ministério, há-de aplicar-se e lançar mão de todos os meios oportunos. A meta a atingir é vir a ser discípulo, sempre mais perfeito, do Senhor.

«O leitor consciente da responsabilidade do ofício recebido, há-de ter o cuidado de aplicar-se e de lançar mão de todos os meios oportunos para alcançar mais plenamente e cada dia desenvolver o conhecimento e o suave e vivo amor da Escritura Sagrada, de modo a tornar-se um discípulo mais perfeito do Senhor...» (MQ: EDREL 1526).

7.5 A instituição no Leitorado é reservada aos homens e compete ao Ordinário: 
«A instituição de leitor..., de acordo com a venerável tradição da Igreja, é reservada aos homens...
Os ministérios serão conferidos pelo Ordinário (que é o Bispo e, nos institutos de perfeição clericais, o Superior Maior), com o rito litúrgico «Instituição dos Leitores e dos Acólitos» (MQ: EDREL 1528. 1530).


in O Ministério do Leitor
Secretariado Nacional de Liturgia




10 outubro 2018

Catequese sobre os Mandamentos #10


A catequese de hoje é dedicada à quinta Palavra: não matarás. O quinto mandamento: não matarás. Já estamos na segunda parte do Decálogo, aquela que diz respeito às relações com o próximo; e este mandamento, com a sua formulação concisa e categórica, ergue-se como uma muralha em defesa do valor básico nos relacionamentos humanos. E qual é o valor fundamental nas relações humanas? O valor da vida.(1) Por isso, não matarás!
Poder-se-ia dizer que todo o mal cometido no mundo se resume nisto: o desprezo pela vida. A vida é agredida pelas guerras, pelas organizações que exploram o homem — lemos nos jornais ou vemos nos noticiários muitas coisas — a partir das especulações sobre a criação e da cultura do descarte, e de todos os sistemas que submetem a existência humana a cálculos de oportunidade, enquanto um número escandaloso de pessoas vive em condições indignas do homem. Isto significa desprezar a vida, ou seja, de certo modo, matar.
Uma abordagem contraditória permite também a supressão da vida humana no ventre materno, em nome da salvaguarda de outros direitos. Mas como pode ser terapêutico, civil ou simplesmente humano um ato que suprime a vida inocente e inerme no seu desabrochar? Pergunto-vos: é justo “eliminar” uma vida humana para resolver um problema? É correto contratar um sicário para resolver um problema? Não se pode, não é justo “eliminar” um ser humano, por mais pequenino que seja, para resolver um problema. É como pagar a um assassino para resolver um problema.
De onde vem tudo isto? No fundo, de onde nascem a violência e a rejeição da vida? Do medo. Com efeito, o acolhimento do outro é um desafio ao individualismo. Pensemos, por exemplo, em quando se descobre que uma vida nascente é portadora de deficiência, até grave. Nestes casos dramáticos, os pais precisam de verdadeira proximidade, de autêntica solidariedade, para enfrentar a realidade superando os compreensíveis temores. Ao contrário, muitas vezes recebem conselhos apressados para interromper a gravidez, ou seja, é um modo de dizer: “interromper a gravidez” significa “eliminar alguém” diretamente.
Uma criança doente é como qualquer necessitado da terra, como um idoso que precisa de assistência, como tantos pobres que têm dificuldade de ir em frente: aquele, aquela que se apresenta como um problema, na realidade constitui um dom de Deus, que pode tirar-me do egocentrismo e fazer-me crescer no amor. A vida vulnerável indica-nos a saída, o caminho para nos salvar de uma existência fechada em si mesma, e descobrir a alegria do amor. E aqui gostaria de parar para dar graças, agradecer a tantos voluntários, agradecer ao vigoroso voluntariado italiano, o mais forte que conheci. Obrigado!
E o que leva o homem a rejeitar a vida? São os ídolos deste mundo: o dinheiro — é melhor eliminar isto, porque custará — o poder, o sucesso. Estes são parâmetros errados para valorizar a vida. Qual é a única medida autêntica da vida? É o amor, o amor com que Deus a ama! O amor com o qual Deus ama a vida: esta é a medida. O amor com que Deus ama cada vida humana.
Com efeito, qual é o sentido positivo da Palavra: «Não matarás»? Que Deus é «amante da vida», como há pouco ouvimos da Leitura bíblica.
O segredo da vida é-nos revelado pelo modo como a tratou o Filho de Deus, que se fez homem a ponto de assumir na cruz a rejeição, a debilidade, a pobreza e a dor (cf. Jo 13, 1). Em cada criança enferma, em cada idoso débil, em cada migrante desesperado, em cada vida frágil e ameaçada, é Cristo que está à nossa procura (cf. Mt 25, 34-46), está em busca do nosso coração, para nos revelar a alegria do amor.
Vale a pena acolher todas as vidas, porque cada homem vale o sangue do próprio Cristo (cf. 1 Pd 1, 18-19). Não se pode desprezar o que Deus tanto amou!
Devemos dizer aos homens e às mulheres do mundo: não desprezeis a vida! A vida do próximo, mas inclusive a própria, porque também para ela é válido o mandamento: «Não matarás». É preciso dizer a tantos jovens: não desprezes a tua existência! Deixa de rejeitar a obra de Deus! Tu és uma obra de Deus! Não te subestimes, não te desprezes com as dependências, que te hão de arruinarão e te levarão à morte!
Que ninguém meça a vida segundo os enganos deste mundo, mas que cada qual se acolha a si mesmo e aos outros, em nome do Pai que nos criou. Ele é «amante da vida»: isto é bonito, “Deus é amante da vida”. E todos nós lhe somos tão queridos, que Ele enviou o seu Filho por nós. «Com efeito — diz o Evangelho — Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu o seu único Filho, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16).


Catequese do Papa Francisco
10 de Outubro de 2018
© Copyright - Libreria Editrice Vaticana




Ser Catequista, uma vocação


Ser catequista é uma vocação de serviço na Igreja. Sua vocação encontra-se espalhada em meio a toda acção da comunidade. É um dom que recebemos do Senhor e com alegria o transmitimos. O dom que o Pai nos oferece em Cristo é o amor mais real que se possa imaginar. Nós o recebemos como um chamado de Deus para transmitir o que o Senhor anunciou, o seu primeiro anúncio, ou kerigma, o dom que mudou a nossa vida. Por isso, somos chamados a levar o anúncio a todas as pessoas para que ele também possa causar transformações nas suas vidas.

A vocação do catequista tem a sua raiz inserida na vocação cristã. No Baptismo e no Crisma recebemos o compromisso de colaborar no anúncio da Palavra de Deus, segundo as nossas condições. Somos Chamados por Deus para o anúncio da sua Palavra, para ser testemunha dos valores do seu Reino e para sermos os porta-vozes da sua mensagem. É viver e anunciar a boa-nova do amor do Senhor: «Jesus ama-te verdadeiramente, tal como és».

A missão do catequista transforma-se num caminhar constante, um itinerário que vai se fazendo a partir de Cristo e com Cristo, deixando que Ele se torne o centro da nossa vida, que nos faça arder o coração com o seu olhar atento e perspicaz, um olhar que nos convida a sair de nós mesmos e nos fazermos próximos dos outros.

Parece um caminho difícil. Precisamos de coragem para entrar no barco da vida e ir em busca do extraordinário que acontece em meio à simplicidade do nosso quotidiano. Muitas vezes, no ritmo frenético que caminhamos, com experiências cada vez maiores das exigências que nos cercam, acabamos por não dar atenção àquelas realidades que nos educam para uma visão mais ampla da vida.

Nas várias fases das nossas vidas estamos a perguntar-nos: quem somos, o que nos faz realmente felizes, o que faço da minha vida? Como estou para Deus? São perguntas da nossa existência e das nossas razões que norteiam as nossas escolhas. Estamos sempre à procura de Deus. Somos suas criaturas. Seu desejo está inscrito nos nossos corações. Somos sempre atraídos a Ele e por Ele. Para entender a Ele e a seus sinais, necessitamos da fé. E a cada experiência da vida leva-nos em direcção a Ele. Somos conduzidos em direcção ao mistério da fé.

Percorrendo o itinerário no mar da vida, dámo-nos conta de que o que estamos a fazer na vida diz respeito ao modo como Jesus viveu. Vivemos o que herdamos dele e das primeiras comunidades que bem souberam apreender o seu modo de vida. Crer no Ressuscitado é um processo que pode durar anos. A fé em Cristo vai despertando no nosso coração de forma frágil e humilde. Precisamos de tempo.

O catequista, ao ser chamado a fazer ecoar a Palavra de Deus, vai junto com Cristo e entrega-se dando o seu testemunho que é sustentado pela certeza do amor de Cristo que se dispõe a nos doar, a fim de nutrir o crescimento espiritual de outras pessoas e de nós mesmos. Vamos juntos fazer a experiência de Deus. É ela a matéria-prima da nossa prática catequética.

Não há um conteúdo que seja mais importantes. Cada conteúdo da fé torna-se perfeito, quando ele se mantém ligado ao centro que é Jesus Cristo; quando ele se apresenta permeado pelo anúncio pascal; mas se, pelo contrário, se isolar, perde sentido e força.

No dia a dia vamos deixando a nossa vocação despertar e se transparecer. Pode ser através do gosto pela catequese, busca de criatividade para melhorar os encontros catequéticos; esperança de melhorar a nossa sociedade; motivação para obter uma crescente formação e a consciência de ser enviado em nome da Igreja. Vamos porque sempre tem e terá alguém à espera.

Vamos catequizar! Catequizar é aproximar, escutar, estar junto, participar é sofrer e alegrar com alguém ou para alguém. Este alguém pode ser a criança, o jovem, o adulto, o velho, o enfermo, o menor carente, ou uma pessoa que necessita da nossa atenção. Vamos caminhar e deixar-nos encontrar com Jesus Cristo. No encontro pessoal faremos a experiência de conviver com alguém que nos pode ajudar a conhecer-nos com mais verdade, despertando o que há de melhor em nós. Ele pode-nos levar ao essencial, convida-nos a reorientar tudo para uma vida mais digna, mais generosa, mais humana.

Catequistas, procuremos abastecermos nas fontes do Cristo crendo n'Ele, seguindo-o e fazendo-se um continuador de sua obra, participando da sua vida em comunidade. Continuemos a nossa jornada alimentados pela fé e pela esperança. 

Valorizemo-nos! Não deixemos a palavra de Deus morrer afogada no poço do medo, da insegurança, do comodismo. Sejamos criativos sem medo de sair dos próprios esquemas. Sejamos profetas, porta-vozes de Deus



por Neuza Silveira de Souza
in Catequese Hoje







09 outubro 2018

As tarefas fundamentais da catequese



As tarefas fundamentais da catequese são:

– Favorecer o conhecimento da fé
Aquele que encontrou Cristo deseja conhecê-Lo o mais possível, assim como deseja conhecer o desígnio do Pai, que Ele revelou. O conhecimento da fé (fides quae) é exigência da adesão à fé (fides qua). Já na ordem humana, o amor por uma pessoa leva a desejar conhecê-la sempre mais. A catequese deve levar, portanto, a «compreender progressivamente toda a verdade do projecto divino», introduzindo os discípulos de Jesus Cristo no conhecimento da Tradição e da Escritura, a qual é a «eminente ciência de Jesus Cristo» (Fil 3,8).
O aprofundamento no conhecimento da fé ilumina cristãmente a existência humana, alimenta a vida de fé e habilita também a prestar razão dela no mundo. A entrega do símbolo, compêndio da Escritura e da fé da Igreja, exprime a realização desta tarefa.

– A educação litúrgica
De facto, «Cristo está sempre presente em Sua Igreja, sobretudo nas acções litúrgicas». A comunhão com Jesus Cristo leva a celebrar a sua presença salvífica nos sacramentos e, particularmente, na Eucaristia. A Igreja deseja ardentemente que todos os fiéis cristãos sejam levados àquela participação plena, consciente e activa, que exigem a própria natureza da Liturgia e a dignidade do seu sacerdócio baptismal. Por isso, a catequese, além de favorecer o conhecimento do significado da liturgia e dos sacramentos, deve educar os discípulos de Jesus Cristo «à oração, à gratidão, à penitência, à solicitação confiante, ao sentido comunitário, à linguagem simbólica...», uma vez que tudo isso é necessário, a fim de que exista uma verdadeira vida litúrgica.

– A formação moral
A conversão a Jesus Cristo implica o caminhar na sua sequela. A catequese deve, portanto, transmitir aos discípulos as atitudes próprias do Mestre. Eles empreendem assim, um caminho de transformação interior, no qual, participando do mistério pascal do Senhor, «passam do velho para o novo homem aperfeiçoado em Cristo». O Sermão da Montanha, no qual Jesus retoma o decálogo e o imprime com o espírito das bem-aventuranças, é uma referência indispensável na formação moral, hoje tão necessária. A evangelização, «que comporta também o anúncio e a proposta moral», difunde toda a sua força interpeladora quando, juntamente com a palavra anunciada, sabe oferecer também a palavra vivida. Este testemunho moral, para o qual a catequese prepara, deve saber mostrar as consequências sociais das exigências evangélicas.

– Ensinar a rezar
A comunhão com Jesus Cristo conduz os discípulos a assumirem a atitude orante e contemplativa que adoptou o Mestre. Aprender a rezar com Jesus é rezar com os mesmos sentimentos com os quais Ele se dirigia ao Pai: a adoração, o louvor, o agradecimento, a confiança filial, a súplica e a contemplação da sua glória. Estes sentimentos se reflectem no Pai Nosso, a oração que Jesus ensinou aos discípulos e que é modelo de toda oração cristã. A «entrega do Pai Nosso», resumo de todo o Evangelho, é, portanto, verdadeira expressão da realização desta tarefa. Quando a catequese é permeada por um clima de oração, o aprendizado de toda a vida cristã alcança a sua profundidade. Este clima se faz particularmente necessário quando o catecúmeno e os catequizandos encontram-se diante dos aspectos mais exigentes do Evangelho e se sentem fracos, ou quando descobrem, admirados, a acção de Deus na sua vida.

Outras tarefas fundamentais da catequese: iniciação e educação à vida comunitária e à missão

A catequese torna o cristão idóneo a viver em comunidade e a participar activamente da vida e da missão da Igreja. O Concílio Vaticano II aponta a necessidade, para os pastores, de «desenvolver devidamente o espírito de comunidade» e para os catecúmenos, de «aprender a cooperar activamente na evangelização e na edificação da Igreja».

– A educação para a vida comunitária
a) A vida cristã em comunidade não se improvisa e é preciso educar para ela, com cuidado. Para esta aprendizagem, o ensinamento de Jesus sobre a vida comunitária, narrado pelo Evangelho de Mateus, requer algumas atitudes que a catequese deverá inculcar: o espírito de simplicidade e de humildade («e não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças...», Mt 18,3); a solicitude pelos pequeninos («Caso alguém escandalize um desses pequeninos que crêem em mim...», Mt 18,6); a atenção especial para com aqueles que se afastaram («vai à procura da ovelha extraviada...», Mt 18,12); a correcção fraterna («...ai corrigi-lo a sós», Mt 18,12); a oração em comum («se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que queiram pedir...», Mt 18,19); o perdão mútuo («até setenta e sete vezes...», Mt 18,22). O amor fraterno unifica todas estas atitudes: «Amai-vos uns aos outros como eu vos amei» (Jo 13,34).

b) Ao educar para este sentido comunitário, a catequese dará uma especial atenção à dimensão ecuménica, e encorajará atitudes fraternas para com os membros de outras Igrejas cristãs e comunidades eclesiais. Por isso, a catequese, ao procurar atingir esta meta, exporá com clareza toda a doutrina da Igreja Católica, evitando expressões que possam induzir ao erro. Favorecerá, além disso, « um bom conhecimento das outras confissões», com as quais existem bens comuns, tais como: «a Palavra escrita de Deus, a vida da graça, a fé, a esperança, a caridade e outros dons interiores do Espírito Santo». A catequese terá uma dimensão ecuménica, na medida em que saberá suscitar e alimentar «um verdadeiro desejo de unidade», feito não em vista de um fácil irenismo, mas em vista da unidade perfeita, quando o Senhor assim o desejar e através das vias que Ele escolher.

– A iniciação à missão
a) A catequese é igualmente aberta ao dinamismo missionário. Ela se esforça por habilitar os discípulos de Jesus a se fazerem presentes, como cristãos, na sociedade e na vida profissional, cultural e social. Prepara-os também a prestarem a sua cooperação nos diferentes serviços eclesiais, segundo a vocação de cada um. Este empenho evangelizador origina-se, para os fiéis leigos, dos sacramentos da iniciação cristã e do carácter secular de sua vocação. É também importante usar todos os meios disponíveis para suscitar vocações sacerdotais e de particular consagração a Deus, nas diversas formas de vida religiosa e apostólica e para acender no coração de cada um a vocação especial missionária.
As atitudes evangélicas que Jesus sugeriu aos seus discípulos, quando os iniciou na missão, são aquelas que a catequese deve alimentar: ir em busca da ovelha perdida; anunciar e curar ao mesmo tempo; apresentar-se pobres, sem posses nem mochila; saber assumir a rejeição e a perseguição; pôr a própria confiança no Pai e no amparo do Espírito Santo; não esperar outra recompensa senão a alegria de trabalhar pelo Reino.

b) Ao educar para este sentido missionário, a catequese formará ao diálogo inter-religioso, que pode tornar os fiéis idóneos a uma comunicação fecunda com os homens e mulheres de outras religiões. A catequese mostrará que os laços entre a Igreja e as outras religiões não cristãs são, em primeiro lugar, aqueles da origem comum e do fim comum do género humano, assim como também aqueles das múltiplas «sementes da Palavra», que Deus depôs naquelas religiões. A catequese ajudará também a saber conciliar e, ao mesmo tempo, a saber distinguir o «anúncio de Cristo» do «diálogo inter-religioso». Estes dois elementos, embora conservem a sua íntima relação, não devem ser confundidos nem considerados equivalentes. Com efeito, «o diálogo não dispensa da evangelização».


in Directório Geral para a Catequese (números 85 e 86)


As Bem-Aventuranças do Catequista


Ser catequista é ser encantador de gente, como Jesus foi. Ser encantador de gente melhora com o tempo e talvez seja uma das coisas mais lindas do Catequista: ser capaz de “abrir os olhos” das pessoas para a vida, para si mesmas, para o sagrado mistério do mundo e de Deus.
É uma maravilha ser catequista, mesmo na dor, sofrimento, dúvidas e decepções. Por isso, o catequista precisa ser declarado Feliz ou Bem-Aventurado:

- Bem-aventurado o catequista que se sente chamado, no fundo de si mesmo, para essa missão. Foi capaz de ouvir a voz amorosa de Deus que o convida a ser companheiro na tarefa de construir um mundo novo.

- Bem-aventurado o catequista que se descobre incompleto e, por isso, se coloca a caminho, em busca de formação, de reflexões, de conversas, de partilhas de experiências. É capaz de perder noites de sono, de dedicar dias inteiros a estudar, a ler bons livros, porque sabe que a educação da fé é uma arte que precisa de muita dedicação.

- Bem-aventurado o catequista que se esforça para participar do seu grupo de catequistas porque acredita que o trabalho em conjunto é capaz de remover obstáculos e criar coisas novas. Sabe que a amizade é o tempero da caminhada e da vida.

- Bem-aventurado o catequista que, mesmo sem recursos disponíveis, aprendeu a ser criativo, sobretudo na arte de ser amigo dos catequizandos e soube inventar lugares e meios para anunciar a beleza de ser cristão e viver em comunidade.

- Bem-aventurado o catequista teimoso que não desiste diante de desafios que aparecem na Igreja, na comunidade, no grupo de catequistas, no trabalho com os catequizandos. É capaz de “chorar as mágoas”, sem endurecer o coração. Tem o dom de se alegrar muito com as pequeninas conquistas e passos dados.

- Bem-aventurado o catequista que descobriu a Internet e as redes sociais como lugar de evangelização. Percebeu que Deus se revela em todo lugar. Está atento às novas linguagens e tem na música, na arte, no cinema, na poesia, formas privilegiadas para a transmissão da fé no mundo de hoje.

- Bem-aventurado o catequista que percebeu que, sem a Beleza a experiência cristã e a catequese permanecem incompletas, porque Deus é Beleza, esplendor e espanto. A educação da fé provoca admiração, sobressaltos de infinito, paixão pelo Absoluto, uma inexplicável emoção que nos derruba nos caminhos de Damasco, que são os de todas as vidas e nos faz novos e inquietos.

- Bem-aventurado o catequista que, apaixonado pela Palavra de Deus, descobriu na experiência de seguir Jesus Cristo a alegria de viver e, por isso, anuncia a Fé na Vida. Procura ser íntegro, justo, solidário, verdadeiro, de bem com a vida, comprometido com a comunidade de fé.

- Bem-aventurados os catequistas que foram e são capazes de inspirar a caminhada, agregar pessoas, vislumbrar novos horizontes para a catequese na comunidade. Souberam prever ou apontar desafios e saídas em momentos de crise e escuridão. Conseguiram manter acesa a chama da alegria, apesar dos dramas que surgem no cumprimento da missão.

Não se trata de ser perfeito, mas consciente da sua imperfeição, o catequista é Feliz porque ama e deixa-se surpreender pelo amor de Deus.


por Lucimara Trevizan
in Catequese Hoje




05 outubro 2018

O Ministério do Leitor #04


5.11 A liturgia da Palavra começa com a primeira leitura e termina pela oração universal, quando esta se faz. As leituras são proclamadas a partir do Leccionário, colocado no ambão antes da Missa. Colocado e devidamente marcado.
O primeiro leitor só deve deslocar-se para fazer a primeira leitura quando tiver terminado a oração Colecta, da qual faz parte o Amen da assembleia. Não é agradável, nem ajuda a celebração, vê-lo já a caminhar, para o ambão, quando o presidente ainda ora ao Pai, em nome e na pessoa de Cristo. Pormenores como estes são bons indicadores para percebermos se os ministros da celebração já descobriram o espírito da sagrada liturgia, da acção litúrgica em geral, e de cada celebração em particular [nn. 23, 41, 386, 387, 396], espírito esse que não se confunde nem com o desprezo das rubricas, nem tão pouco com a sua meticulosa observância, pois está para além dos textos, embora se encontre também neles.
Nos domingos e solenidades, o leitor deve cantar Palavra do Senhor, no fim de cada leitura, e, se souber, também o início da leitura (p. ex. “Leitura do Livro do Génesis” ou, no caso do diácono ou do presbítero, “Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Mateus”), pormenor que a Instrução omite sempre, apesar da sua importância para dar beleza e amplitude às leituras.
Uma tal omissão significa que, mesmo nos documentos litúrgicos oficiais, haverá sempre pormenores a completar ou a corrigir. Não desconhecemos que, no n. 38 da Instrução, se diz: «nas rubricas e normas que se seguem, as palavras “dizer” ou “proferir” devem ser entendidas como referentes quer ao canto quer à simples recitação». Mas não tinha custado nada dizê-lo expressamente em relação ao título da leitura ou do Evangelho, nos lugares próprios da descrição do rito, tal como se faz, nesta edição, relativamente ao final dessas mesmas leituras.

«Terminada a oração colecta, todos se sentam... Entretanto, o leitor vai ao ambão e, a partir do Leccionário aí colocado antes da Missa, proclama a primeira leitura, que todos escutam. No fim, o leitor profere a aclamação: Palavra do Senhor (Verbum Domini), e todos respondem:
Graças a Deus (Deo gratias). Pode então observar-se, se for oportuno, um breve espaço de silêncio, para que todos meditem brevemente no que ouviram» (IGMR 128: cf. EDREL 372).

«Na escolha das partes que efectivamente se cantam, dê-se preferência às mais importantes, sobretudo às que devem ser cantadas pelo... leitor, com resposta do povo» (IGMR 40: cf. EDREL 302).


5.12 Embora a Instrução fale sempre de “o leitor”, o que poderia dar a impressão de que este é único e sempre o mesmo, tenha-se em conta que os leitores são vários, ou que, pelo menos, podem sê-lo: o da primeiro leitura, o da segunda leitura, o do Evangelho (diácono ou presbítero), o do salmo responsorial (particularmente quando não é cantado), e o leitor das intenções da oração universal.
Se é verdade que há cristãos cultos na assembleia que jamais fizeram fosse o que fosse em favor dela, há outros que sofrem duma espécie de sofreguidão. Se os deixassem liam tudo e faziam tudo. Nem uma coisa nem outra é boa. Mas há que reconhecer que não é fácil levar quem nada quer fazer a fazer alguma coisa, e quem gostaria de fazer tudo a contentar-se com pouco. Os textos que vão seguir-se possuem, quase todos, a forma verbal “pode”, a qual indica uma hipótese, uma possibilidade. 

«Então, o salmista ou o próprio leitor recita o versículo do salmo, ao qual o povo responde habitualmente com o refrão» (IGMR 129: cf. EDREL 373).

«Se há segunda leitura antes do Evangelho, o leitor proclama-a do ambão. Todos escutam em silêncio e no fim respondem com a aclamação, como acima se disse (n. 128). A seguir, se for oportuno, pode observar-se um breve espaço de silêncio» (IGMR 130: cf. EDREL 374).

«[O leitor] lê do ambão as leituras que precedem o Evangelho. Na ausência do salmista, pode proferir o salmo responsorial, depois da primeira leitura» (IGMR 196: cf. EDREL 433).

«Na ausência do diácono, pode proferir do ambão as intenções da oração universal, depois da introdução feita pelo sacerdote (cf. nn. 71, 138)» (IGMR 197: cf. EDREL 434).

«Se não houver cântico de entrada nem da Comunhão e os fiéis não recitarem as antífonas que vêm no Missal, pode proferir, no momento próprio, estas antífonas (cf. nn. 48, 87)» (IGMR 198: cf. EDREL 435).


5.13 É muito desagradável ver, no ambão, o leitor à procura do texto que lhe pertence proclamar, virando as páginas do Leccionário. Igualmente desagradável é vê-lo interromper a leitura, molhar o dedo com saliva e virar a página. Tais gestos nunca deveriam fazer-se diante duma assembleia. Além
disso, os livros devem ser tratados com delicadeza, e deve pôr-se todo o cuidado em não os sujar, em não dobrar as páginas nem partir o papel.
Para evitar tudo isto é necessário que o leitor, antes de chegar à última linha, tenha já tomado a página entre o polegar e o indicador da mão direita para a virar, sem ruído, no momento próprio, e sem interromper o ritmo da leitura.

«A eficácia pastoral da celebração aumentará certamente, se a escolha das leituras... se fizer... de comum acordo com aqueles que têm parte activa na celebração... É necessário que, antes da celebração..., os leitores... saibam perfeitamente, cada um pela parte que lhe cabe, quais os textos que vão ser utilizados, não deixando nada à improvisação...» (IGMR 352: cf. EDREL 596).


5.14 Os textos que os leitores têm de ler não são todos iguais, nem pelo tamanho, nem pela mensagem, nem pelo género literário (verso ou prosa, texto narrativo ou épico, simples ou complexo, lírico ou despojado, denso de conceitos ou fácil de compreender, meditativo ou exortativo, com muito
ou pouco vocabulário, com nomes difíceis de pessoas ou de terras, com acentuação silábica conhecida ou desconhecida).
A acrescentar a estas hipóteses há ainda outras (edifícios amplos ou de tamanho reduzido, assembleias pequenas ou numerosas, celebração festiva ou simples, ambiente de alegria ou de dor, local bem sonorizado ou com péssima acústica).
Só há uma forma de responder a tantos problemas que as leituras podem colocar a cada leitor: a preparação remota e a preparação próxima.
Não se podem abordar, de ânimo leve, situações tão sérias e diversas. Fazer uma leitura é um acto de grande responsabilidade e de consequências imprevisíveis. Não o esqueças, leitor ou leitora, sejas tu jovem ou adulto, pessoa com um curso superior ou a simples instrução primária. A sorte da mensagem depende em grande parte de ti. Não defraudes a expectativa de tantas pessoas, cheias de boa vontade, que acabam de se sentar nos bancos da igreja, da catedral ou da capela, ou estão de pé no amplo santuário que tens à tua frente, interessadas em te ouvir proclamar com alegria, entusiasmo
e fé, a palavra do Senhor que te foi indicada.

«Nos textos que devem ser proferidos claramente e em voz alta...pelo leitor..., a voz deve corresponder ao género do próprio texto..., à forma de celebração e à solenidade da assembleia» (IGMR 38: cf. EDREL 301).


in O Ministério do Leitor
Secretariado Nacional de Liturgia