18 dezembro 2018

Rito de bênção da árvore de Natal em família




Em muitas famílias, costuma-se colocar a árvore de Natal num lugar visível da casa e enfeitá-la com luzes, estrelas e presentes. Mas, o que significa para um cristão preparar a sua árvore? Conheça a mensagem que traz este símbolo e como abençoá-lo em família.
ÁRVORE traz-nos à memória a árvore do Paraíso (cf. Gn 2,9-17) de cujo fruto comeram Adão e Eva, desobedecendo a Deus. A árvore, então, lembra-nos da origem da nossa desgraça: o pecado. Também nos recorda que o menino que vai nascer de Santa Maria é o Messias prometido que vem nos trazer o dom da reconciliação.
As LUZES nos recordam que o Senhor Jesus é a luz do mundo que ilumina as nossas vidas, tirando -nos das trevas do pecado e guiando-nos no nosso peregrinar para a Casa do Pai.
ESTRELA. Em Belém, há mais de dois mil anos, uma estrela se deteve sobre o lugar onde estava o Menino Jesus, com Maria e José. Este acontecimento gerou uma grande alegria nos Reis Magos (cf. Mt 2, 9-10), quando viram este sinal. Também hoje, uma estrela coroa nossa árvore recordando-nos que o acontecimento do nascimento de Jesus trouxe a verdadeira alegria às nossas vidas.
Os PRESENTES colocados aos pés da árvore simbolizam aqueles dons com os quais os Reis Magos adoraram o Menino Deus. Além disso, recordam-nos que Deus Pai tanto amou o mundo que entregou (como um presente) o seu único Filho para que todo o que Nele crer tenha vida eterna.

Bênção da Árvore de Natal
Todos (fazendo o sinal da Cruz): Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
O pai da família: Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto do céu nos abençoou com toda a bênção espiritual em Cristo.
Todos: Bendito seja o Senhor pelos séculos. Amém.

LEITURA
(Um dos presentes lê o seguinte texto da Sagrada Escritura)
Escutemos com atenção a leitura do profeta Isaías (Is 60,13):
A glória do Líbano virá sobre ti, com o cipreste, o abeto e o pi­nheiro, para adornar o lugar do meu san­tuário, e mostrar a glória do trono em que me sento.

ORAÇÃO DE BÊNÇÃO
(Em seguida o pai da família, com as mãos postas, diz a oração de bênção)
Oremos: Bendito seja, Senhor e nosso Pai, que nos concede recordar com fé, nestes dias de Natal, os mistérios do nascimento do Senhor Jesus. Conceda-nos a todos que adornamos esta árvore e a enfeitamos com luzes, com a alegria celebrar o Natal. Que possamos viver também à luz dos exemplos da vida plena de seu Filho e sermos enriquecidos com as virtudes que resplandecem em tua santa infância. A Ele a glória pelos séculos dos séculos.
Todos: Amém.
Todos (fazendo o sinal da Cruz): Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. 

Fonte: ACI Digital



12 dezembro 2018

Catequese sobre o Pai Nosso #02


Prossigamos o caminho de catequeses sobre o “Pai-Nosso”, iniciado na semana passada. Jesus põe nos lábios dos seus discípulos uma prece breve, audaz, formada por sete pedidos — um número que na Bíblia não é casual, indica plenitude. Digo audaz, porque se Cristo não a tivesse sugerido, provavelmente nenhum de nós — aliás, nenhum dos teólogos mais famosos! — ousaria rezar a Deus desta maneira.
Com efeito, Jesus convida os seus discípulos a aproximar-se de Deus e a fazer-lhe com confidência alguns pedidos: antes de tudo em relação a Ele e depois em relação a nós. Não há prefácios no “Pai-Nosso”. Jesus não ensina fórmulas para “adular” o Senhor, aliás, convida a pedir-lhe abatendo as barreiras da reverência e do medo. Não diz para se dirigir a Deus chamando-lhe “Omnipotente”, “Altíssimo”, “Tu, que estás tão distante de nós, eu sou miserável”: não, não diz assim, mas simplesmente “Pai”, com toda a simplicidade, como as crianças se dirigem ao pai. E esta palavra “Pai", expressa a confidência e a confiança filial.
A oração do “Pai-Nosso” afunda as suas raízes na realidade concreta do homem. Por exemplo, faz-nos pedir o pão de cada dia: pedido simples mas essencial, o qual diz que a fé não é uma questão “decorativa”, separada da vida, que intervém quando todas as outras necessidades foram satisfeitas. No máximo, a oração começa com a própria vida. A prece — ensina-nos Jesus — não começa na existência humana quando o estômago está cheio: ao contrário, existe onde quer que haja um homem, um homem qualquer que tem fome, que chora, que luta, que sofre e se pergunta “porquê”. A nossa primeira prece, num certo sentido, foi o gemido que acompanhou o primeiro respiro. Naquele choro de recém-nascido anunciava-se o destino de toda a nossa vida: a nossa fome contínua, a nossa sede perene, a nossa busca de felicidade.
Jesus, na oração, não quer apagar o humano, não o quer anestesiar. Não quer que moderemos as perguntas nem os pedidos aprendendo a suportar tudo. Ao contrário, quer que cada sofrimento, qualquer preocupação, se projete rumo ao céu e se torne diálogo.
Ter fé, dizia uma pessoa, significa acostumar-se ao brado.
Todos deveríamos ser como o Bartimeu do Evangelho (cf. Mc 10, 46-52) — recordemos aquele excerto do Evangelho, Bartimeu, o filho de Timeu — aquele homem cego que mendigava às portas de Jericó. Tinha à sua volta tantas pessoas bondosas que lhe impunham o silêncio: “Cala-te! O Senhor passa. Cala-te. Não incomodes. O Mestre tem muitas coisas a fazer; não o aborreças. Tu importunas com os teus gritos. Não perturbes”. Mas ele não ouvia aqueles conselhos: com santa insistência, pretendia que a sua mísera condição pudesse finalmente encontrar Jesus. E bradava mais alto! E as pessoas educadas: “Não, é o Mestre, por favor! Ficas mal visto!”. E ele bradava porque queria ver, queria ser curado: «Jesus, tem piedade de mim!» (v. 47). Jesus restitui-lhe a vista e diz-lhe: «A tua fé te salvou» (v. 52), como que para explicar que o mais decisivo para a sua cura foi aquela prece, aquela invocação bradada com fé, mais forte que o “bom senso” de muitas pessoas que queriam que ele se calasse. A oração não só precede a salvação, mas de certa forma já a contém, pois liberta do desespero de quem não acredita numa saída para tantas situações insuportáveis.
Depois, certamente, os crentes sentem também a necessidade de louvar a Deus. Os evangelhos contêm a exclamação de júbilo que promana do Coração de Jesus, cheio de grata admiração pelo Pai (cf. Mt 11, 25-27). Os primeiros cristãos sentiram até a exigência de acrescentar ao texto do “Pai-Nosso” uma doxologia: «Porque teu é o poder e a glória nos séculos» (Didaqué, 8, 2).
Mas nenhum de nós é obrigado a aceitar a teoria que no passado alguém propôs, isto é, que a oração de pedido seja uma forma tíbia da fé, enquanto que a oração mais autêntica seria o louvor puro, aquele que procura Deus sem o peso de pedido algum. Não, isto não é verdade. A prece de pedido é autêntica, espontânea, é um ato de fé em Deus que é Pai, que é bom, omnipotente. Trata-se de um ato de fé em mim, que sou pequenino, pecador, necessitado. E por isso a oração para pedir algo é muito nobre. Deus é o Pai que tem imensa compaixão por nós, e deseja que os seus filhos lhe falem sem medo, chamando-lhe diretamente “Pai”; ou nas dificuldades dizendo: “Mas Senhor, o que me fizeste?”. Por isso podemos contar-lhe tudo, até aquilo que na nossa vida permanece distorcido e incompreensível. E prometeu-nos que teria ficado connosco para sempre, até ao último dia que vivermos nesta terra. Rezemos o Pai-Nosso, começando assim, simplesmente: “Pai” ou “Papá”. E Ele compreende-nos e ama-nos muito.

Catequese do Papa Francisco
12 de Dezembro de 2018



05 dezembro 2018

Catequese sobre o Pai Nosso #01


Hoje iniciamos um ciclo de catequeses sobre o “Pai-Nosso”.
Os Evangelhos transmitiram-nos alguns retratos muito vivos de Jesus como homem de oração: Jesus rezava. Não obstante a urgência da missão e a premência de tantas pessoas que o reivindicavam, Jesus sentia a necessidade de se afastar na solidão e de orar. O Evangelho de Marcos narra-nos este pormenor desde a primeira página do ministério público de Jesus (cf. 1, 35). O dia inaugural de Jesus em Cafarnaum concluiu-se de modo triunfal. Ao anoitecer, uma multidão de doentes chegou à porta onde Jesus estava: o Messias prega e cura. Realizam-se as antigas profecias e as expetativas de muitos sofredores: Jesus é o Deus próximo, o Deus que nos liberta. Mas aquela multidão ainda é pequena se for comparada a muitas outras multidões que se reunirão em volta do profeta de Nazaré; em certos momentos trata-se de assembleias oceânicas, e Jesus permanece no centro de tudo, o esperado pelo povo, o êxito da esperança de Israel.
E no entanto ele afastava-se; não permanecia refém das expetativas de quem o elegeu líder. Este é um perigo para os líderes: apegar-se demasiado às pessoas, não manter as distâncias. Jesus dá-se conta disto e não permanece refém do povo. Desde a primeira noite de Cafarnaum demonstra que é um Messias original. Na última parte da madrugada, quando já se anunciava a aurora, os discípulos procuravam-no mas não conseguiam encontrá-lo. Onde está? Até que Pedro finalmente o encontra num lugar isolado, completamente absorto em oração. E diz-lhe: «Todos te procuram!» (Mc 1, 37). A exclamação parece ser a cláusula ligada a um sucesso plebiscitário, a prova do bom êxito de uma missão.
Mas Jesus diz aos seus discípulos que deve ir para outro lugar; que não é o povo que o procura mas, antes de tudo, é Ele que procura os outros. Por isso não pode ganhar raízes, mas permanece continuamente peregrino pelas estradas da Galileia (vv. 38-39). E peregrino também rumo ao Pai, isto é: rezando. A caminho em oração. Jesus reza. E tudo acontece numa noite de oração.
Nalgumas páginas da Escritura parece que principalmente é a oração de Jesus, a sua intimidade com o Pai, que governa tudo. Por exemplo, será assim sobretudo na noite do Getsémani. O último trecho do caminho de Jesus (absolutamente o mais difícil entre os que tinha percorrido) parece encontrar o seu sentido na escuta contínua que Jesus oferece ao Pai. Uma oração certamente não fácil, aliás, uma verdadeira “agonia”, no sentido agonístico dos atletas, e no entanto uma prece capaz de apoiar o caminho da cruz.
Eis o ponto essencial: ali Jesus rezava.
Jesus orava com intensidade nos momentos públicos, partilhando a liturgia do seu povo, mas procurava também lugares afastados, separados do turbilhão do mundo, lugares que permitissem entrar no segredo da sua alma: é o profeta que conhece as pedras do deserto e sobe aos cimos dos montes. As últimas palavras de Jesus, antes de expirar na cruz, foram palavras dos salmos, isto é da oração, da prece dos judeus: rezava com as orações que a mãe lhe ensinara.
Jesus orava como todos os homens do mundo. E no entanto, no seu modo de rezar, havia também um mistério, algo que certamente não escapava aos olhos dos seus discípulos, se nos Evangelhos encontramos aquela súplica tão simples e imediata: “Senhor, ensina-nos a rezar” (Lc 11, 1). Eles viam Jesus rezar e tinham vontade de aprender a orar: “Senhor, ensina-nos a rezar”. E Jesus não se recusou, não era ciumento da sua intimidade com o Pai, pois veio precisamente para nos introduzir nesta relação com o Pai. E assim torna-se mestre de oração dos seus discípulos, como certamente quer sê-lo para todos nós. Também nós devemos dizer: “Senhor, ensina-me a rezar. Ensina-me”.
Mesmo se rezamos há muitos anos, devemos aprender sempre! A oração do homem, este anseio que nasce de maneira tão natural da nossa alma, talvez seja um dos mistérios mais impenetráveis do universo. E não sabemos sequer se as preces que dirigimos a Deus são efetivamente aquelas que Ele quer que lhe dirijamos. A Bíblia dá-nos inclusive testemunho de orações inoportunas, que no fim são recusadas por Deus: é suficiente recordar a parábola do fariseu e do publicano. Somente este último, o publicano, volta justificado do templo para casa, porque o fariseu era orgulhoso e gostava que as pessoas o vissem rezar e fingia que orava: o coração era frio. E Jesus disse: este não é justificado «porque quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado» (Lc18, 14). O primeiro passo para rezar é ser humilde, ir ter com o Pai e dizer: “Olha para mim, sou pecador, débil, malvado”, cada um sabe o que dizer. Mas começa-se sempre com a humildade, e o Senhor ouve. A prece humilde é ouvida pelo Senhor.
Portanto, ao iniciar este ciclo de catequeses sobre a oração de Jesus, o melhor e mais correto que todos deveríamos fazer seria repetir a invocação dos discípulos: “Mestre, ensina-nos a rezar!”. Será bom, neste tempo de Advento, repetir: “Senhor, ensina-me a rezar”. Todos podemos ir além e rezar melhor; mas pedindo-o ao Senhor: “Senhor, ensina-me a rezar”. Façamos isto neste tempo de Advento e Ele certamente não deixará cair no vazio a nossa invocação.



Catequese do Papa Francisco
5 de Dezembro de 2018


29 novembro 2018

Novena da Imaculada Conceição


De 29 de novembro a 7 de dezembro, em suplicante preparação para a grande festa mariana de 8 de dezembro

A grande solenidade da Imaculada Conceição de Maria é celebrada pela Igreja a 8 de dezembro, festejando um dos 4 grandes dogmas marianos.
Em preparação para essa festa extraordinária dedicada a Nossa Senhora, sugerimos a seguinte novena, que foi traduzida do espanhol a partir do Devocionário Católico.

Oração inicial (para todos os dias)
Ave, Maria, cheia de graça e bendita mais que todas as mulheres, Virgem singular, Virgem soberana e perfeita, escolhida para ser a Mãe de Deus e preservada por Ele de toda culpa desde o primeiro instante da sua Concepção! Assim como por Eva nos veio a morte, assim nos vem a vida por ti, que, pela graça de Deus, foste escolhida para ser a Mãe do novo povo que Jesus Cristo formou com o Seu Sangue.
A ti, Mãe puríssima, restauradora da linhagem decaída de Adão e Eva, nos dirigimos confiantes e suplicantes nesta novena para rogar que, pela tua intercessão, nos obtenhas de Deus a graça de ser verdadeiros filhos teus e do teu Filho Jesus Cristo, livres de toda mancha de pecado.
Lembra-te, Virgem Santíssima, de que foste escolhida Mãe de Deus não somente para a tua dignidade e glória, mas também para a nossa salvação e o proveito de todo o género humano. Lembra-te ainda de que jamais se ouviu dizer que tenha sido desamparado um só dentre todos os que recorreram à tua proteção e imploraram o teu socorro. Não deixes, portanto, a mim tampouco, porque, se me deixas, me perderei; eu tampouco quero te deixar – quero, sim, crescer cada dia mais na tua verdadeira devoção.
Alcança-me principalmente estas três graças: a primeira, de jamais cometer pecado mortal; a segunda, de ter um grande apreço pela virtude cristã; a terceira, a de uma boa morte.

Além disso, concede-me a graça particular que te peço nesta novena (fazer aqui o pedido particular).

Oração de cada dia

Primeiro dia
Ó Santíssimo Filho de Maria Imaculada e Benigníssimo Redentor nosso, assim como preservaste Maria do pecado original em sua Imaculada Conceição e concedeste a nós o grande benefício de nos livrarmos dele por meio do Teu Santo Batismo, assim te rogamos, humildemente, que nos dês a graça de sermos sempre bons cristãos, regenerados em Ti, nosso Deus Altíssimo.

Segundo dia
Ó Santíssimo Filho de Maria Imaculada e Benigníssimo Redentor nosso, assim como preservaste Maria de todo pecado mortal em toda a sua vida e a nós concede tanto a graça para evitá-lo quanto o Sacramento da confissão para remediá-lo, assim te rogamos, humildemente, pela intercessão de Tua Mãe Imaculada, que nos dês a graça de jamais cometer pecado mortal, e, se tão terrível desgraça acontecer, a de sair dele o antes possível por meio de uma boa confissão.

Terceiro dia
Ó Santíssimo Filho de Maria Imaculada e Benigníssimo Redentor nosso, assim como preservaste Maria de todo pecado venial em toda a sua vida e pedes a nós que purifiquemos mais e mais a nossa alma para sermos dignos de Ti, assim te rogamos, humildemente, pela intercessão de Tua Mãe Imaculada, que nos dês a graça de evitar os pecados veniais e de procurar e obter a cada dia mais pureza e mais delicadeza de consciência.

Quarto dia
Ó Santíssimo Filho de Maria Imaculada e Benigníssimo Redentor nosso, assim como livraste Maria da inclinação ao pecado e lhe deste perfeito domínio sobre todas as suas paixões, assim te rogamos, humildemente, pela intercessão de Maria Imaculada, que nos dês a graça de ir domando as nossas paixões e destruindo as nossas más inclinações, para podermos servir-Te com verdadeira liberdade de espírito, superando as nossas imperfeições.

Quinto dia
Ó Santíssimo Filho de Maria Imaculada e Benigníssimo Redentor nosso, assim como, desde o primeiro instante de sua Concepção, Tu deste a Maria mais graça que a todos os santos e anjos do céu, assim te rogamos, humildemente, pela intercessão de Tua Mãe Imaculada, que nos inspires singular apreço pela Divina Graça que nos concedeste com o Teu Sangue e nos permitas aumentá-la sempre mais com as nossas boas obras e com a recepção dos Teus Santos Sacramentos, em especial o da Comunhão.

Sexto dia
Ó Santíssimo Filho de Maria Imaculada e Benigníssimo Redentor nosso, assim como, desde o primeiro momento, deste a Maria, com toda a plenitude, as virtudes sobrenaturais e os dons do Espírito Santo, assim te suplicamos, humildemente, pela intercessão de Tua Mãe Imaculada, que nos dês a abundância desses mesmos dons e virtudes, para podermos vencer toda tentação e realizarmos muitos atos de virtude à altura da nossa profissão da fé cristã.

Sétimo dia
Ó Santíssimo Filho de Maria Imaculada e Benigníssimo Redentor nosso, assim como deste a Maria, entre todas as demais virtudes, a exímia pureza e castidade pela qual é chamada Virgem das virgens, assim te suplicamos, pela intercessão de Tua Mãe Imaculada, que nos concedas a dificílima virtude da castidade, que tantos conservaram mediante a devoção à Virgem Santíssima e graças à Tua proteção.

Oitavo dia
Ó Santíssimo Filho de Maria Imaculada e Benigníssimo Redentor nosso, assim como deste a Maria a graça de uma ardentíssima caridade e amor a Deus sobre todas as coisas, assim te rogamos, humildemente, pela intercessão de Tua Mãe Imaculada, que nos concedas um sincero amor a Ti, ó Deus, Senhor nosso, nosso Bem verdadeiro, nosso Benfeitor, nosso Pai, e que prefiramos tudo perder a ofender-Te com um só pecado.

Nono dia
Ó Santíssimo Filho de Maria Imaculada e Benigníssimo Redentor nosso, assim como deste a Maria a graça de ir para o Céu e ser nele colocada no primeiro lugar depois de Ti, nós Te suplicamos, humildemente, pela intercessão de Tua Mãe, Maria Imaculada, que nos concedas uma boa morte; que recebamos bem os últimos sacramentos; que expiremos sem mancha alguma de pecado na consciência e que cheguemos ao Céu, para sempre desfrutar da Tua companhia e da de nossa Mãe, com todos os que foram salvos.

Orações finais (para todos os dias)
Bendita seja a tua pureza e eternamente seja bendita, pois todo um Deus se compraz em tão graciosa beleza! A ti, celestial Princesa, Virgem Santa Maria, ofereço neste dia a minha alma, vida e coração. Olha-me compassiva; não me deixes, minha Mãe!

Rezar três Ave-Marias.

A tua Imaculada Concepção, ó Virgem Mãe de Deus, anunciou alegria ao universo!

Oremos: Ó Deus, que, pela Imaculada Conceição da Virgem Maria, preparaste morada digna para o Teu Filho, nós Te rogamos que, assim como pela previsão da morte do Teu Filho a livraste de toda mancha, assim concedas a nós, pela sua intercessão, chegar a Ti limpos de todo pecado. Pelo mesmo Senhor nosso, Jesus Cristo. Amém.


Fonte: Aleteia


21 novembro 2018

Catequese sobre os Mandamentos #16



Os nossos encontros sobre o Decálogo levam-nos hoje ao último mandamento. Ouvimo-lo na introdução. Estas não são as últimas palavras do texto, mas muito mais: são o cumprimento da viagem através do Decálogo, tocando o coração de tudo aquilo que nele nos é transmitido. Com efeito, vendo bem, não acrescentam um conteúdo novo: as indicações «não cobiçarás a mulher [...], nem coisa alguma que pertença ao teu próximo» estão pelo menos latentes nos mandamentos sobre o adultério e sobre o furto; então, qual é a função destas palavras? É um resumo? É algo mais?
Recordemos que todos os mandamentos têm a tarefa de indicar o confim da vida, o limite para além do qual o homem se destrói a si mesmo e ao próximo, danificando a sua relação com Deus. Se fores mais além, destruir-te-ás a ti mesmo, destruirás também a relação com Deus e o relacionamento com os outros. Os mandamentos indicam isto. Através desta última palavra põe-se em evidência o facto de que todas as transgressões nascem de uma comum raiz interior: os desejos maléficos. Todos os pecados nascem de um desejo maligno. Todos! É ali que o coração começa a mover-se; assim a pessoa entra naquela onda e acaba numa transgressão. Mas não numa transgressão formal, legal: numa transgressão que fere a si mesmo e ao próximo.
No Evangelho, o Senhor Jesus diz explicitamente: «É do interior do coração dos homens que procedem os maus pensamentos: devassidões, roubos, assassinatos, adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez. Todos estes vícios procedem de dentro e tornam impuro o homem» (Mc 7, 21-23).
Portanto, compreendemos que todo o percurso feito pelo Decálogo não teria utilidade alguma, se não chegasse a alcançar este nível, o coração do homem. De onde nascem todas estas perversidades? O Decálogo mostra-se lúcido e profundo a tal propósito: o seu ponto de chegada — o último mandamento — é o coração; e se ele, se o coração não for libertado, o resto de nada serve. Eis o desafio: libertar o coração de todas estas perversidades. Os preceitos de Deus podem reduzir-se unicamente à bonita fachada de uma vida que, contudo, permanece uma existência de escravos, não de filhos. Frequentemente, por detrás da máscara farisaica da retidão asfixiante esconde-se algo de perverso e não resolvido.
Pelo contrário, devemos deixar-nos desmascarar por estes mandamentos sobre a cobiça, porque nos mostram a nossa pobreza, para nos levar a uma santa humilhação. Cada um de nós pode interrogar-se: mas quais desejos malvados tenho com frequência? A inveja, a cobiça, as tagarelices? Todos estes vícios que procedem de dentro. Cada um pode questionar-se, e isto far-lhe-á bem. O homem precisa desta bendita humilhação, aquela pela qual descobre que não se pode libertar sozinho, aquela pela qual clama a Deus para ser salvo. São Paulo explica-o de modo insuperável, referindo-se exatamente ao mandamento não cobiçarás (cf. Rm 7, 7-24).
É inútil pensarmos que nos podemos corrigir a nós mesmos, sem o dom do Espírito Santo. É inútil pensarmos em purificar o nosso coração unicamente com o esforço titânico da nossa vontade: isto não é possível. É necessário abrir-se à relação com Deus, na verdade e na liberdade: só assim as nossas fadigas podem dar fruto, porque é o Espírito Santo que nos leva em frente.
A tarefa da Lei bíblica não consiste em iludir o homem que uma obediência literal o leva a uma salvação artificial e, de resto, inatingível. A tarefa da Lei consiste em conduzir o homem à sua verdade, ou seja, à sua pobreza, que se torna abertura autêntica, abertura pessoal à misericórdia de Deus, que nos transforma e nos renova. Deus é o único capaz de renovar o nosso coração, contanto que lhe abramos o coração: eis a única condição; Ele faz tudo, mas devemos abrir-lhe o coração.
As últimas palavras do Decálogo educam todos a reconhecer-se mendigos; ajudam a colocar-nos diante da desordem do nosso coração, para deixarmos de viver de modo egoísta e para nos tornarmos pobres de espírito, autênticos na presença do Pai, deixando-nos redimir pelo Filho e instruir pelo Espírito Santo. O Espírito Santo é o Mestre que nos guia: deixemo-nos ajudar. Sejamos mendigos, peçamos esta graça!
«Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus!» (Mt 5, 3). Sim, felizes aqueles que deixam de se iludir, julgando que se podem salvar da própria debilidade sem a misericórdia de Deus, a única que pode curar. Somente a misericórdia de Deus cura o coração. Ditosos aqueles que reconhecem os seus desejos malvados e, com um coração arrependido e humilhado, não se apresentam a Deus e aos outros homens como pessoas justas, mas como pecadores. É bonito o que Pedro disse ao Senhor: “Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um pecador”. Como é bonito este pedido: “Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um pecador”.

Estas pessoas sabem ter compaixão, misericórdia pelos outros, porque a experimentam em si mesmos.



Catequese do Papa Francisco
21 de Novembro de 2018
© Copyright - Libreria Editrice Vaticana



20 novembro 2018

Catequeses para o Ano Missionário


«Todos, Tudo e Sempre em Missão» é tema da Nota Pastoral com que a Conferência Episcopal Portuguesa promulgou um Ano Missionário extraordinário que decorre de outubro de 2018 a outubro de 2019.
Os catequetas, conscientes da “preocupação de formar a consciência missionária dos mais novos em contexto de transmissão da fé e encontro com Jesus Cristo”, quiseram responder ao apelo dos Bispos portugueses e criaram “um conjunto de catequeses para a infância e adolescência e sugestões de ação para os catequistas”.
“A Catequese da Infância e da Adolescência é um percurso de fé, cuja grande finalidade é exatamente a de «fazer discípulos» (CT,1) de Jesus, o Filho de Deus. Por isso a catequese deve ser missionária procurando despertar nas crianças e adolescentes o sentido missionário da sua vocação cristã, ajudando-os a assumir o compromisso inerente, manifesto em serviço/gestos gratuitos de solidariedade, fraternidade, partilha e entrega aos outros”, afirmam no documento que introduz os novos subsídios.
No final os autores das catequeses fazem votos para que “ao longo deste ano, os adolescentes das nossas catequeses, possam descobrir a necessidade da missão e, ao mesmo tempo, deixar-se seduzir pela beleza de ser discípulo missionário de Jesus”.
Em anexo encontra as catequeses para a infância, adolescência e um conjunto de orientações/sugestões de ação missionária em catequese.

Educris|19.11.2018



Recursos:

Catequese Missionária - Adolescência:
Download Documento

Catequese Missionária - Infância:
Download Documento

Orientações para a Catequese:
Download Documento



14 novembro 2018

Catequese sobre os Mandamentos #15



Na catequese de hoje abordaremos a oitava Palavra do Decálogo: «Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo».
Este mandamento — reza o Catecismo — «proíbe falsificar a verdade nas relações com outrem» (n. 2.464). Viver de comunicações não autênticas é grave, porque impede os relacionamentos e, por conseguinte, também o amor. Onde há mentira não há amor, não pode haver amor. E quando falamos de comunicação entre as pessoas, entendemos não apenas as palavras, mas inclusive os gestos, as atitudes, até os silêncios e as ausências. Uma pessoa fala com tudo aquilo que é e que faz. Todos nós estamos em comunicação, sempre. Todos nós vivemos comunicando e estamos continuamente em equilíbrio entre a verdade e a mentira.
Mas o que significa dizer a verdade? Significa ser sincero? Ou exato? Na realidade, isto não é suficiente, porque podemos estar sinceramente em erro, ou podemos ser exatos no detalhe, mas não entender o sentido do conjunto. Às vezes justificamo-nos dizendo: “Mas eu disse o que sentia!”. Sim, mas absolutizaste o teu ponto de vista. Ou então: “Eu simplesmente disse a verdade!”. Talvez, mas revelaste dados pessoais ou reservados. Quantas bisbilhotices destroem a comunhão por inoportunidade ou falta de delicadeza! Aliás, os mexericos matam, e quem o disse foi o Apóstolo Tiago na sua Carta. Os tagarelas, as tagarelas são pessoas que matam: matam o próximo, porque a língua mata como uma facada. Estai atentos! Um bisbilhoteiro ou uma bisbilhoteira é um terrorista, pois com a sua língua lança a bomba e vai embora tranquilo, mas aquilo que diz aquela bomba lançada destrói a reputação de outrem. Não vos esqueçais: mexericar significa matar.
Mas então: o que é a verdade? Eis a pergunta formulada por Pilatos, precisamente quando Jesus, diante dele, realizava o oitavo mandamento (cf. Jo 18, 38). Com efeito, as palavras «Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo» pertencem à linguagem forense. Os Evangelhos culminam na narração da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus; e esta é a narração de um processo, da execução da sentença e de uma consequência inaudita.
Interrogado por Pilatos, Jesus diz: «Foi para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo: para dar testemunho da verdade» (Jo 18, 37). E Jesus dá este «testemunho» mediante a sua Paixão e Morte. O Evangelista Marcos narra que «o centurião que estava diante de Jesus, ao ver que Ele tinha expirado assim, disse: “Este homem era realmente o Filho de Deus!”» (15, 39). Sim, porque era coerente, foi coerente: com esse seu modo de morrer, Jesus manifesta o Pai, o seu amor misericordioso e fiel.
A verdade encontra a sua plena realização na própria pessoa de Jesus (cf. Jo 14, 6), no seu modo de viver e de morrer, fruto da sua relação com o Pai. Ele, Ressuscitado, oferece também a nós esta existência de filhos de Deus, enviando o Espírito Santo, que é Espírito de verdade, o qual confirma ao nosso coração que Deus é nosso Pai (cf. Rm 8, 16).
Em cada um dos seus gestos, o homem, as pessoas afirmam ou negam esta verdade. Desde as pequenas situações diárias até às escolhas mais exigentes. Mas é a mesma lógica, sempre: aquele que os pais e os avós nos ensinam, quando nos dizem para não mentir.
Questionemo-nos: quais obras, palavras e escolhas de nós cristãos comprovam a verdade? Cada um pode perguntar-se: sou uma testemunha da verdade, ou sou mais ou menos um mentiroso disfarçado de verdadeiro? Cada qual se interrogue. Nós cristãos não somos homens e mulheres extraordinários. No entanto, somos filhos do Pai celestial, que é bom e não nos desilude, instilando no nosso coração o amor pelos irmãos. Esta verdade não se diz tanto com discursos, é um modo de existir, uma maneira de viver, que se vê em cada gesto (cf. Tg 2, 18). Este homem é verdadeiro, aquela mulher é verdadeira: vê-se! Mas como, se não abre a boca? Contudo, comporta-se como verdadeiro, como verdadeira. Diz a verdade, age de modo verdadeiro. Um bom modo de vivermos!
A verdade é a maravilhosa revelação de Deus, da sua Face de Pai, é o seu amor ilimitado. Esta verdade corresponde à razão humana mas supera-a infinitamente, porque constitui um dom que desceu sobre a terra e se encarnou em Cristo Crucificado e Ressuscitado; ela é revelada por quem lhe pertence e tem as suas mesmas atitudes.
Não levantarás falso testemunho significa viver como filho de Deus, que nunca, nunca se desmente, jamais diz mentiras; viver como filhos de Deus, deixando sobressair em cada gesto esta grande verdade: que Deus é Pai e que podemos confiar n’Ele. Eu confio em Deus: esta é a grande verdade. Da nossa confiança em Deus, que é Pai e me ama, nos ama, nasce a minha verdade, o ser verdadeiro e não mentiroso.


Catequese do Papa Francisco
14 de Novembro de 2018
© Copyright - Libreria Editrice Vaticana




08 novembro 2018

A Beleza da tua Casa


Eu amo, Senhor, a beleza da casa em que habitais  (Sl 25,8)

Onde celebrar a Eucaristia?

Diz-nos o Catecismo da Igreja Católica, nos n.ºs 1179 e seguintes, que o culto «em espírito e verdade» da Nova Aliança não está ligado a nenhum lugar exclusivo. O que tem mais importância, quando os fiéis se reúnem num mesmo lugar, são as «pedras vivas» que se juntam para a «edificação» dum edifício espiritual.

Mas, quando há liberdade religiosa, os cristãos constroem edifícios destinados ao culto divino. Estas igrejas visíveis não são simples lugares de reunião, mas significam e manifestam a Igreja que vive nesse lugar, morada de Deus com os homens reconciliados e unidos em Cristo.

Na diversidade dos seus estilos, todas as igrejas apresentam as mesmas características dominantes, impostas pela própria natureza da celebração litúrgica.

Regra geral, há uma diferenciação nítida entre o lugar reservado aos ministros, o presbitério ou santuário como se lhe costuma chamar, e a nave, onde estão os fiéis.

No presbitério encontramos a cadeira do presidente da assembleia, o estrado para a proclamação da palavra de Deus, o altar e o sacrário.

A cadeira do presidente, chama-se cátedra – cadeira do mestre que ensina.

A proclamação da palavra de Deus requer na igreja um lugar próprio para a sua proclamação, este lugar é o ambão da Palavralugar onde se sobe, e é para lá que se deve dirigir a atenção dos fiéis.

No altar, é tornado presente o sacrifício da Cruz sob os sinais sacramentais, ele é também a mesa do Senhor, para a qual o povo de Deus é convidado.

O sacrário lugar de oração pessoal, onde encontramos a presença permanente de Cristo e está situado na igreja num lugar digno e com a maior honra.

Não teria sido dito tudo se não evocássemos o batistério lugar apropriado para a celebração do batismo, e  a torre, que se ergue para o céu como ato de fé permanente.

Em resumo, a igreja é a casa de todos os filhos de Deus, amplamente aberta e acolhedora.


Adaptado de Pierre Journel, A Missa Ontem e Hoje, SNL


07 novembro 2018

Catequese sobre os Mandamentos #14


Continuando a explicação do Decálogo, hoje chegamos à sétima Palavra: «Não roubarás».
Ouvindo este mandamento, pensamos no tema do roubo e no respeito pela propriedade alheia. Não existe cultura na qual o furto e a prevaricação dos bens sejam lícitos; com efeito, a sensibilidade humana é muito suscetível relativamente à defesa da posse.
Mas vale a pena abrir-se a uma leitura mais ampla desta Palavra, focalizando o tema da propriedade dos bens à luz da sabedoria cristã.
Na doutrina social da Igreja fala-se de destino universal dos bens. Que significa? Ouçamos o que diz o Catecismo: «No princípio, Deus confiou a terra e os seus recursos à gestão comum da humanidade, para que dela cuidasse, a dominasse pelo seu trabalho e gozasse dos seus frutos. Os bens da criação são destinados a todo o género humano» (n. 2.402). E ainda: «O destino universal dos bens continua a ser primordial, embora a promoção do bem comum exija o respeito pela propriedade privada, pelo direito a ela e pelo respetivo exercício» (n. 2.403).(1)
No entanto, a Providência não dispôs um mundo “em série”; existem diferenças, variadas condições, diferentes culturas, de modo que se pode viver provendo uns aos outros. O mundo é rico de recursos para assegurar os bens primários a todos. E contudo, muitos vivem numa indigência escandalosa e os recursos, usados sem critério, vão-se deteriorando. Mas o mundo é um só! (2) A humanidade é única! Hoje, a riqueza do mundo está nas mãos da minoria, de poucos, e a pobreza, aliás, a miséria e o sofrimento atingem tantos, a maioria.
Se há fome na terra, não é porque falta alimento! Ao contrário, devido às exigências do mercado, às vezes chega-se a destruí-lo, a deitá-lo fora. O que falta é um empresariado livre e clarividente, que garanta uma produção adequada, e uma abordagem solidária, que garanta uma distribuição equitativa. O Catecismo diz ainda: «Quem usa esses bens, não deve considerar as coisas exteriores, que legitimamente possui, só como próprias, mas também como comuns, no sentido de que possam beneficiar, não só a si mesmo, mas também aos outros» (n. 2.404). Para ser boa, toda a riqueza deve ter uma dimensão social.
É nesta perspetiva que se revela o significado positivo e amplo do mandamento «não roubarás». «A propriedade de um bem faz do seu detentor um administrador da Providência» (ibid.). Ninguém é senhor absoluto dos bens: é um administrador dos bens. A posse é uma responsabilidade: “Mas eu sou rico de tudo...” — esta é uma responsabilidade que tens. E cada bem subtraído à lógica da Providência de Deus é atraiçoado, é traído no seu sentido mais profundo. O que realmente possuo é aquilo que sei doar. Esta é a medida para avaliar como consigo gerir as riquezas, se bem ou mal; esta palavra é importante: o que realmente possuo é aquilo que sei doar. Se eu souber doar, se for aberto, então sou rico não apenas daquilo que possuo, mas também em generosidade, generosidade inclusive como dever de distribuir a riqueza, a fim de que todos beneficiem dela. Com efeito, se não consigo doar algo é porque o bem que possuo tem poder sobre mim e sou escravo dele. A posse dos bens constitui uma ocasião para os multiplicar com criatividade e utilizá-los com generosidade, e assim crescer em caridade e liberdade.
Mesmo sendo Deus, o próprio Cristo «não considerou como uma usurpação ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo» (Fl 2, 6-7), enriquecendo-nos com a sua pobreza (cf. 2 Cor 8, 9).
Enquanto a humanidade fadiga para ter mais, Deus redime-a tornando-se pobre: aquele Homem Crucificado pagou por todos um resgate inestimável da parte de Deus Pai, «rico em misericórdia» (Ef 2, 4; cf. Tg 5, 11). O que nos torna ricos não são os bens, mas o amor. Ouvimos muitas vezes aquilo que o povo de Deus diz: “O diabo entra pelos bolsos”. Começa-se pelo amor ao dinheiro, pela fome de possuir; depois, vem a vaidade: “Ah, eu sou rico e tenho orgulho disto”; e, no final, o orgulho e a soberba. É assim que o diabo age em nós. Mas a porta de entrada são os bolsos!
Estimados irmãos e irmãs, Jesus Cristo revela-nos mais uma vez o pleno sentido das Escrituras. «Não roubarás» quer dizer: ama com os teus bens, tira proveito dos teus meios para amar como podes. Então, a tua vida torna-se boa e a posse torna-se verdadeiramente uma dádiva. Pois a vida não é o tempo para possuir, mas para amar. Obrigado!


1 Cf. Enc. Laudato si’, 67: «Cada comunidade pode tomar da bondade da terra aquilo de que necessita para a sua sobrevivência, mas tem também o dever de a proteger e garantir a continuidade da sua fertilidade para as gerações futuras. Em última análise, “ao Senhor pertence a terra” (Sl 24 [23], 1), a Ele pertence “a terra e tudo o que nela existe” (Dt 10, 14). Por isso, Deus proíbe-nos toda a pretensão de posse absoluta: “Nenhuma terra será vendida definitivamente, porque a terra me pertence, e vós sois apenas estrangeiros e meus hóspedes” (Lv 25, 23)».
2 Cf. São Paulo VI, Enc. Populorum progressio, 17: «Mas cada homem é membro da sociedade: pertence à humanidade inteira. Não é apenas tal ou tal homem; são todos os homens, que são chamados a este pleno desenvolvimento [...] Herdeiros das gerações passadas e beneficiários do trabalho dos nossos contemporâneos, temos obrigações para com todos, e não podemos desinteressar-nos dos que virão depois de nós para aumentar o círculo da família humana. A solidariedade universal é para nós não só um facto e um benefício, mas também um dever».


Catequese do Papa Francisco
7 de Novembro de 2018
© Copyright - Libreria Editrice Vaticana



04 novembro 2018

Porque há-de um jovem ser cristão?


por D. Nuno Brás, bispo auxiliar de Lisboa
in Jornal Voz da Verdade
28|10|2018

Nestes últimos tempos tenho dado comigo a colocar-me esta questão: porque há-de um jovem do nosso tempo ser cristão? Porque há-de ir à Missa todos os domingos? Porque há-de participar nalgum grupo? Porque há-de rezar todos os dias? Porque há-de falar de Jesus Cristo? E confessar-se com frequência?

Todo o ambiente à sua volta é contrário a tudo isto. E, convenhamos, por muito animado que seja o diálogo na igreja, lá por fora é muito mais, e mais interessante. Por muito vivas que sejam as celebrações, as discotecas são-no muito mais. E o futebol. E os outros desportos. E os tempos passados com os amigos…

Será que os muitos jovens que (apesar de tudo) encontro nas nossas igrejas lá estão porque há alguém que os ouve? Será que têm algum complexo de inferioridade em relação aos outros, e ali encontram um qualquer refúgio? Será que não se conseguiram libertar dos pais, que os obrigam? Sinceramente, a grande maioria dos jovens que encontro nas nossas comunidades são gente normal, livre e alegre.

Se quisermos, creio que a questão pode ser colocada de outro modo: que tem a Igreja para oferecer aos jovens que eles não encontram noutro lugar?

O quarto evangelho descreve o momento em que dois discípulos de João Baptista foram ter com Jesus. Sabemos, pelo texto, que um era André. Segundo a tradição, o outro seria o próprio jovem João (evangelista). É assim o texto: “No dia seguinte, João (Baptista) encontrava-se de novo ali com dois dos seus discípulos. Então, pondo o olhar em Jesus, que passava, disse: «Eis o Cordeiro de Deus!» Ouvindo-o falar desta maneira, os dois discípulos seguiram Jesus. Jesus voltou-se e, notando que eles o seguiam, perguntou-lhes: «Que pretendeis?» Eles disseram-lhe: «Rabi – que quer dizer Mestre – onde moras?» Ele respondeu-lhes: «Vinde e vereis.» Foram, pois, e viram onde morava e ficaram com Ele nesse dia” (Jo 1,35-39).

Hoje como naquele dia, um jovem só é cristão quando alguém lhe mostra Jesus e ele se dispõe a segui-lo e a permanecer em Sua casa. O que os cristãos têm para dar aos jovens (e a todos os outros) – e o que faz um jovem ser e permanecer cristão – é Jesus. Tudo o resto, ou é uma consequência deste encontro, ou é entusiasmo que depressa passa.



02 novembro 2018

O Ministério do Leitor #08


Cerimonial dos Bispos (14/09/1984)

13.1 Ainda que o Cerimonial dos Bispos não seja um livro propriamente litúrgico, as suas indicações, sobre o ministério dos leitores, confirmam tudo o que antes foi dito pelos documentos já citados.
«O leitor tem, na celebração litúrgica, uma função própria, que exercerá por si mesmo, ainda que estejam presentes outros ministros de ordem superior» (CB 30).

13.2 O leitor foi o primeiro a aparecer entre os ministros abaixo do diácono, encontra-se desde o princípio em todas as Igrejas, e em todas se tem mantido.
Dada a exemplaridade das celebrações presididas pelo Bispo, convém que as leituras aí sejam feitas por vários leitores devidamente preparados.
«O leitor, que historicamente é o primeiro a aparecer entre os ministros inferiores, e se encontra em todas as Igrejas e em todas se tem mantido, é instituído para uma função que lhe é própria: ler a palavra de Deus na assembleia litúrgica. Por isso, na missa e outras acções sagradas, é ele quem faz as leituras, excepto a do Evangelho; na falta do salmista, recita o salmo entre as leituras; e, na falta do diácono, enuncia as intenções da oração universal.
Terá também a seu cuidado, quando necessário, preparar os fiéis que, nas acções litúrgicas, hajam de ler a sagrada Escritura. Nas celebrações presididas pelo Bispo, convém que as leituras sejam feitas por leitores devidamente preparados, e, se são vários, distribuirão entre si as leituras» (CB 31).

13.3 O leitor deve prestar grande atenção à maneira de dizer e pronunciar, e deve ser ele o primeiro a acolher a palavra divina no seu coração e na sua vida.
«Lembre-se o leitor da dignidade da palavra de Deus e da importância do seu ofício, e preste assídua atenção à maneira de dizer e pronunciar, de modo que a palavra de Deus seja percebida com toda a clareza pelos participantes.
Ao anunciar a palavra divina aos outros, ele próprio a deve acolher com docilidade e meditá-la com diligência, para dela dar testemunho com o seu modo de viver» (CB 32).

O que estes documentos dizem sobre o ambão

14.1 O ambão deve corresponder à dignidade da palavra de Deus que nele é proclamada.
«A dignidade da palavra de Deus requer que haja na igreja um lugar adequado para a sua proclamação, e para o qual, durante a liturgia da palavra, convirja espontaneamente a atenção dos fiéis.
Em princípio, este lugar deve ser um ambão estável e não uma simples estante móvel. Tanto quanto a arquitectura da igreja o permita, o ambão dispõe-se de modo que os ministros ordenados e os leitores possam facilmente ser vistos e ouvidos pelos fiéis» (IGMR 309: cf. EDREL 555).
«No espaço da igreja deve haver um lugar elevado, fixo, dotado de conveniente disposição e nobreza, que corresponda à dignidade da palavra de Deus e ao mesmo tempo recorde com clareza aos fiéis que na missa se prepara tanto a mesa da palavra de Deus como a mesa do Corpo de Cristo e, finalmente, os ajude, o melhor possível, a ouvir e a prestar atenção durante a liturgia da palavra. Por isso, deve atender-se, de acordo com a estrutura de cada igreja, às proporções e harmonia entre o ambão e o
altar» (OLM 32: EDREL 834).

14.2 Adorno do ambão.
«Convém que o ambão seja adornado com sobriedade, de acordo com a sua estrutura, de modo permanente ou ocasional, ao menos nos dias mais solenes...» (OLM 33: EDREL 835).

14.3 Dimensões do ambão, iluminação e sonorização.
«Para servir de maneira adequada às celebrações, o ambão deve ser amplo, dado que por vezes têm de estar nele vários ministros. Além disso, devem tomar-se providências para que os leitores disponham, no ambão, de iluminação suficiente para lerem o texto e possam eventualmente utilizar
os instrumentos técnicos modernos para se fazerem ouvir facilmente pelos fiéis» (OLM 34: EDREL 836).

14.4 O que se profere do ambão.
«Do ambão são proferidas unicamente as leituras, o salmo responsorial e o precónio pascal. Podem também fazer-se do ambão a homilia e proporem-se as intenções da oração universal» (IGMR 309: cf. EDREL 555).

14.5 Quem pode subir ao ambão.
«A dignidade do ambão exige que só o ministro da palavra suba até ele» (IGMR 309: cf. EDREL 555).

O que estes documentos dizem sobre os leccionários

15.1 Os livros destinados à proclamação da palavra de Deus, nas celebrações, devem ser dignos, adornados e belos.
«Os livros que contêm os textos da palavra de Deus, bem como os ministros, os lugares e as outras coisas afins, suscitam nos ouvintes a reocordação da presença de Deus que fala ao seu povo. Procure-se, portanto, que também os livros, que na acção litúrgica são sinais e símbolos das realidades celestes, sejam realmente dignos, adornados e belos» (OLM 35: EDREL 837).

15.2 O livro dos Evangelhos ou Evangeliário.
«Como a proclamação do Evangelho é sempre o ponto culminante da liturgia da palavra, a tradição litúrgica, tanto no Ocidente como no Oriente, desde sempre estabeleceu uma certa diferença entre os livros das leituras. Com efeito, o livro dos Evangelhos, elaborado com o maior cuidado, era adornado e gozava de veneração superior à dos outros livros das leituras. É, pois, muito conveniente que, também nos nossos dias, pelo menos nas catedrais e nas paróquias e igrejas maiores mais frequentadas, haja um Evangeliário, ornado com beleza, distinto de qualquer outro livro das leituras. Com razão este livro é entregue ao diácono na sua ordenação e é imposto e sustentado sobre a cabeça do eleito na ordenação episcopal» (OLM 36: EDREL 838).

15.3 Não se devem substituir os leccionários por outras publicações de carácter pastoral.
«Finalmente, em razão da dignidade da palavra de Deus, os leccionários que se utilizam na celebração não devem ser substituídos por outras publicações subsidiárias de carácter pastoral, como as folhas destinadas aos fiéis para eles prepararem as leituras ou para a sua meditação pessoal» (OLM 37: EDREL 839).

in O Ministério do Leitor
Secretariado Nacional de Liturgia



01 novembro 2018

O Povo Reunido





“Onde dois ou três se reunirem em meu nome, Eu estou no meio deles”. (Mt 18, 20)

O princípio do Missal, abre com estas palavras: “Reunido o povo”. Tudo começa pela reunião dos batizados de um certo lugar e de facto a celebração eucarística é a expressão mais importante da vida da Igreja no seio da comunidade dos homens.


Igreja quer dizer assembleia convocada.


Cada Igreja local, como a Igreja universal, sabe que é herdeira das assembleias que o Senhor convocou inúmeras vezes nos tempos antigos: assembleias do deserto, para comer a Páscoa, e de Jerusalém, para celebrar a dedicação do templo de Salomão ou para renovar a Aliança, no tempo de Josias. Mas o carácter específico da assembleia cristã é o de se reunir em Cristo.

Mesmo antes de estar presente na sua palavra e no seu sacrifício, o Ressuscitado da Páscoa está no meio dos seus irmãos. Está em cada um dos fiéis e no corpo que eles constituem. Está, de modo particular, no bispo ou no presbítero que preside à reunião.

Com os seus irmãos batizados, pede perdão para os seus pecados e escuta a palavra de Deus, mas pertence-lhe a missão de interpretar esta Palavra e de a atualizar, na homilia. No momento próprio, ele empresta os seus lábios a Cristo para dizer as palavras que tornam presente sobre o altar o Corpo e Sangue de Jesus.

Em torno do bispo ou presbítero, desenvolvem-se os vários ministérios:

- Os leitores – que sobem ao ambão para fazer as leituras que precedem o Evangelho;

- O salmista – que canta o salmo;

- O Coro – que dá beleza ao canto do povo e expressão festiva à celebração;

- O Ministro da comunhão – que ajuda o bispo ou presbítero a dar o corpo e sangue do Senhor.

Nesta divisão harmoniosa das funções de cada um, a assembleia dominical dos cristãos é muito mais que uma reunião humana, é o ícone da Igreja.


Adaptado de Pierre Journel, A Missa Ontem e Hoje, SNL






31 outubro 2018

Catequese sobre os Mandamentos #13



Hoje gostaria de completar a catequese sobre a Sexta Palavra do Decálogo — “Não cometerás adultério” — evidenciando que o amor fiel de Cristo é a luz para viver a beleza da afetividade humana. Com efeito, a nossa dimensão afetiva é uma chamada ao amor, que se manifesta na fidelidade, no acolhimento e na misericórdia. Isto é muito importante. Como se manifesta o amor? Na fidelidade, no acolhimento e na misericórdia.
Contudo, não se deve esquecer que este mandamento se refere explicitamente à fidelidade matrimonial, e portanto é bom refletir mais a fundo acerca do significado esponsal. Este trecho da Escritura, este excerto da Carta de São Paulo, é revolucionário! Refletir, com a antropologia daquele tempo, e dizer que o marido tem que amar a esposa como Cristo ama a Igreja: mas é uma revolução! Talvez, naquela época, seja o aspeto mais revolucionário que foi dito acerca do matrimónio. Sempre pelo caminho do amor. Podemos questionar-nos: a quem se destina este mandamento de fidelidade? Só aos esposos? Na realidade, este mandamento é para todos, é uma Palavra paterna de Deus dirigida a cada homem e mulher.
Recordemo-nos que o caminho da maturação humana é o próprio percurso do amor que vai do receber cuidados à capacidade de oferecer cuidados, do receber a vida à capacidade de dar a vida. Tornar-se homens e mulheres adultos significa chegar a viver a capacidade esponsal e parental, que se manifesta nas várias situações da vida como a capacidade de assumir sobre si o peso de outra pessoa e amá-la sem ambiguidades. Trata-se, por conseguinte, de uma atitude global da pessoa que sabe assumir a realidade e sabe entrar numa relação profunda com os demais.
Por conseguinte, quem é o adúltero, o luxurioso, o infiel? É uma pessoa imatura, que conserva para si a própria vida e interpreta as situações com base no seu bem-estar e satisfação. Portanto, para se casar, não é suficiente celebrar o matrimónio! É necessário percorrer um caminho do eu para o nós, do pensar sozinho para o pensar a dois, do viver sozinho para o viver a dois: é um bonito percurso, é um bonito percurso. Quando conseguimos descentralizar-nos, então cada ação é esponsal: trabalhamos, falamos, decidimos, encontramos os outros com a atitude acolhedora e oblativa.
Cada vocação cristã, neste sentido — agora podemos alargar um pouco a perspectiva e dizer que qualquer vocação cristã, neste sentido, é esponsal. É o caso do sacerdócio, porque é uma chamada, em Cristo e na Igreja, a servir a comunidade com todo o afeto, o cuidado concreto e a sabedoria que o Senhor concede. A Igreja não precisa de candidatos para desempenhar o papel de sacerdotes — não, não servem, é melhor que fiquem em casa — mas servem homens aos quais o Espírito Santo toca o coração com um amor sem reservas pela Esposa de Cristo. No sacerdócio ama-se o povo de Deus com toda a paternidade, a ternura e a força de um esposo e de um pai. Assim também a virgindade consagrada em Cristo deve ser vivida com fidelidade e alegria como relação esponsal e fecunda de maternidade e paternidade.
Repito: cada vocação cristã é esponsal, pois é fruto do vínculo de amor no qual todos somos regenerados, o vínculo de amor com Cristo, como nos recordou o trecho de Paulo lido no início. A partir da sua fidelidade, da sua ternura, da sua generosidade olhemos com fé para o matrimónio e para cada vocação, e compreendamos o sentido pleno da sexualidade.
A criatura humana, na sua inseparável unidade de espírito e corpo, e na sua polaridade masculina e feminina, é uma realidade muito boa, destinada a amar e a ser amada. O corpo humano não é um instrumento de prazer, mas o lugar da nossa chamada ao amor, e no amor autêntico não há espaço para a luxúria nem para a sua superficialidade. Os homens e as mulheres merecem mais do que isto!

Portanto, a Palavra «Não cometerás adultério», mesmo se em forma negativa, orienta-nos para a nossa chamada originária, ou seja, para o amor esponsal total e fiel, que Jesus Cristo nos revelou e doou (cf. Rm 12, 1).


Catequese do Papa Francisco
31 de Outubro de 2018
© Copyright - Libreria Editrice Vaticana



26 outubro 2018

O Ministério do Leitor #07


Ordenamento das leituras da Missa (21/01/1981)

11.1 O Ordenamento das leituras da Missa diz coisas importantes sobre o ministério do leitor. É um bom resumo de tudo o que foi dito até aqui.
A finalidade primária da proclamação em voz alta e de forma clara e inteligente é comunicar correctamente a palavra de Deus à assembleia.
«A maneira como os leitores lêem, ao fazerem a proclamação em voz alta e de forma clara e inteligente, tem como finalidade primária comunicar correctamente, por meio das leituras, a palavra de Deus à assembleia...» (OLM 14: EDREL 816).

11.2 A importância do canto das conclusões Palavra do Senhor e Palavra da salvação justifica que um cantor, distinto do leitor que proclamou a leitura, as cante.
«A conclusão Palavra do Senhor (ou Palavra da salvação) no final das leituras, também pode ser cantada por um cantor distinto do leitor que proclamou a leitura, respondendo todos com a aclamação. Deste modo, a assembleia reunida honra a palavra de Deus, recebida com fé e com espírito de acção de graças» (OLM 18: EDREL 820).
«No final das leituras, para tornar mais fácil a aclamação do povo, propõem-se as palavras: «Palavra do Senhor», que o leitor deve proferir, ou outra expressão do mesmo género, conforme os costumes locais» (OLM 125: EDREL 927).

11.3 Ler as leituras bíblicas na Missa é função ministerial. Mas na falta de leitores e de diácono o sacerdote celebrante lê todas as leituras.
«A tradição litúrgica atribui a função de ler as leituras bíblicas na celebração da Missa aos ministros: leitores e diácono. Na falta de diácono ou de outro sacerdote, o próprio sacerdote celebrante lê o Evangelho, e, se também não há leitor, todas as leituras» (OLM 49: EDREL 851).

11.4 Os leitores não são um luxo, mas uma necessidade. Devem ser preparados. Convém distribuir, por eles, as várias leituras a fazer.
«A assembleia litúrgica precisa de leitores, embora não instituídos para esta função. Procure-se, portanto, que haja alguns leigos, dos mais idóneos, que estejam preparados para exercer este ministério. Se se dispuser de vários leitores e houver várias leituras a fazer, convém distribuí-las
entre eles» (OLM 52: EDREL 854).

11.5 As intenções da oração universal, na falta de diácono.
«Nas missas sem diácono, a função de propor as intenções da oração universal confia-se a um cantor, principalmente quando essas intenções forem cantadas, a um leitor ou a outra pessoa» (OLM 53: EDREL 855).

11.6 Vestes dos leitores instituídos e não instituídos, ao subirem ao ambão para proclamar as leituras.
«O... leitor instituído no seu ministério próprio, quando sobe ao ambão para ler a palavra de Deus na celebração da missa com participação do povo, deve usar a veste sagrada própria da sua função. No entanto, aqueles que exercem o ministério de leitor de forma ocasional, ou mesmo habitualmente, podem subir ao ambão com o trajo comum, respeitando, porém, os costumes das várias regiões» (OLM 54: EDREL 856).

11.7 A preparação dos leitores deve ser espiritual (formação bíblica e litúrgica) e técnica (formação para a arte de ler em público). Foi destes princípios que surgiu a estrutura deste livro, nas várias partes que o compõem.
«A preparação (dos leitores) deve ser principalmente espiritual, mas é necessária a preparação técnica. A preparação espiritual pressupõe pelo menos a dupla formação, bíblica e litúrgica: a formação bíblica, para que possam os leitores compreender as leituras, no seu contexto próprio e
entender à luz da fé o núcleo da mensagem revelada; a formação litúrgica, para que os leitores possam perceber o sentido e a estrutura da liturgia da palavra e os motivos que explicam a conexão entre a liturgia da palavra e a liturgia eucarística. A preparação técnica deve tornar os leitores cada vez mais aptos na arte de ler em público, quer de viva voz, quer com a ajuda dos modernos instrumentos de amplificação sonora» (OLM 55: EDREL 857).

Código de Direito Canónico (25/01/1983)

12.1 Leitores instituídos.
«Os leigos do sexo masculino, possuidores da idade e das qualidades determinadas por decreto da Conferência episcopal, podem, mediante o rito litúrgico, ser assumidos de modo estável para desempenharem o ministério de leitor (...); porém, a colação deste ministério não lhes confere o direito à sustentação ou remuneração por parte da Igreja» (CDC, can 230, § 1).

12.2 Leitores não instituídos.
«Os leigos, por deputação ocasional, podem desempenhar nas acções litúrgicas a função de leitor...» (CDC, can. 230, § 2).

12.3 Alguns ministérios que os leigos podem suprir.
«Onde as necessidades da Igreja o aconselharem, por falta de ministros, os leigos, mesmo que não sejam leitores..., podem suprir alguns ofícios, como os de exercer o ministério da palavra, presidir às orações litúrgicas, conferir o baptismo e distribuir a sagrada Comunhão, segundo as prescrições do direito» (CDC, can 230, § 3).


in O Ministério do Leitor
Secretariado Nacional de Liturgia



25 outubro 2018

Domingo - O dia do Senhor




«Fazei isto em memória de Mim» (1 Cor 11,24)

A Igreja fiel a este mandamento do Senhor, sempre celebrou a Eucaristia no Domingo, dia da ressurreição de Jesus – primeiro dia da semana.
O Domingo é o dia por excelência da assembleia litúrgica, em que os fiéis se reúnem para, ouvindo a Palavra de Deus e participando na Eucaristia, fazem memória da paixão, ressurreição, e glória do Senhor Jesus. (catecismo da igreja católica, nº 1167).

A reunião dos cristãos à volta do altar no dia do Senhor tem as suas raízes na experiência pascal dos Apóstolos.

Contam as escrituras que estavam eles reunidos, quando Maria Madalena e as companheiras vieram ter com eles, trazendo a grande notícia. Pedro e João foram então verificar que o túmulo estava de facto vazio (Jo 20,3-10).
Ainda eles se encontravam reunidos, à tarde, quando os discípulos que tinham partido para Emaús vieram juntar-se-lhes, deslumbrados do seu encontro com o Ressuscitado. De repente, Jesus manifestou-Se e pediu que Lhe dessem o que sobrara da refeição (Lc 24,33-34).
Oito dias depois, estavam novamente reunidos, quando o Senhor mostrou a Tomé o seu lado aberto (Jo 20,26).
Para estes discípulos, reunir-se no dia da ressurreição não constitui um dever entre outros, mas uma necessidade, uma ALEGRIA - “No primeiro dia da semana, estai sempre alegres, pois quem se aflige num dia como este, comete pecado” (Doutrina dos Apóstolos).

Ao longo dos tempos, o facto de o domingo ser feriado, impôs a cessação de todo o trabalho manual, e nessa medida deu um prolongamento familiar e social à alegria dos batizados, solicitando também a sua abertura aos outros, fazendo assim eco da Palavra de Deus

Adaptado de Pierre Journel, A Missa Ontem e Hoje, SNL
“Os cristãos não celebram a Missa porque é Domingo, mas é Domingo precisamente porque celebram a Missa”.
(SNL – A Eucaristia faz a  Igreja)