23 setembro 2020

O Grupo de Catequistas: um trabalho de equipa


Fonte: Arquidiocese de Braga

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Objectivos Gerais:
Consciencializar o catequista para a importância de um ambiente de partilha e amizade no grupo de catequistas;
Fomentar no grupo de catequistas o sentido de união.


Pistas para reflexão:

- Consciente da necessidade de se criar, no grupo catequético, uma relação assente na unidade e na partilha, como é que tu, enquanto catequista, avalias a tua relação com os outros catequistas, procurando responder às seguintes questões:

- Achas que esta relação de equipa entre catequistas é importante? Porquê?

- Sentes a necessidade de viver, juntamente com os outros catequistas, experiências de formação espiritual e catequética?

- Esforças-te por fomentar uma relação de equipa com os demais catequistas da tua paróquia?

- Como é esta realidade na paróquia? Reflecte um pouco sobre os seus aspectos positivos e sobre os seus aspectos negativos.

- A partir da tua própria experiência na comunidade eclesial, de que forma podemos fomentar a colaboração entre os catequistas? 

 
 

Reflexão:


 “De facto, o corpo é um só, mas tem muitos membros; e no entanto, apesar de serem muitos, todos os membros do corpo formam um só corpo. Assim acontece também com Cristo. Pois todos fomos baptizados num só Espírito para sermos um só corpo […]. E todos bebemos de um só Espírito”.

O corpo não é feito de um só membro, mas de muitos. Se o pé diz. «Eu não sou a mão; logo, não pertenço ao corpo», nem por isso deixa de fazer parte do corpo. Se o corpo inteiro fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo ele fosse ouvido, onde estaria o olfacto? Deus é que dispôs cada um dos membros no corpo, segundo a sua vontade. Se o conjunto fosse um só membro, onde estaria o corpo? Há, portanto, muitos membros, mas um só corpo” […] Ora, vós sois o corpo de Cristo e sois seus membros, cada um no seu lugar” (I Coríntios 12, 12-27)

Na sua carta dirigida aos Coríntios, São Paulo utiliza a metáfora do corpo e dos seus membros para apelar à necessidade da unidade e da solidariedade que caracterizam a Igreja, o corpo de Cristo, a comunidade cristã. Ao recebermos todos o mesmo Baptismo e o mesmo Espírito tornamo-nos filhos de Deus e todos somos responsáveis pelo anúncio da Sua Palavra.

Além disso, não nos esqueçamos que, dadas as dificuldades que muitas vezes encontramos no anúncio da fé cristã, é cada vez mais importante que cada um de nós aprenda a viver em comunidade, aceitando as diferenças uns dos outros. Assim sendo, urge a necessidade de se criar, no grupo de catequistas, e entre todos os cristãos, um ambiente fraterno, alegre e responsável, que assente na partilha e na capacidade de entreajuda. Cada um, com a sua originalidade, contribui, de forma indispensável, para a construção e crescimento de todos. Na verdade, é neste ambiente de união e de comunhão, que deve caracterizar o grupo de catequistas, onde cada um entende o chamamento de Deus; aprofunda e amadurece a sua própria fé e assume o seu compromisso de viver e dar testemunho da sua própria fé cristã. Com efeito, ainda que o trabalho pessoal do catequista seja importante, é indispensável, de igual modo, partilhar a nossa fé com outros catequistas e deixarmo-nos enriquecer com a sua sabedoria e experiência.

Antes de anunciar a Palavra e convidar os outros a formar comunidade, devemos nós próprios, enquanto catequistas, formar uma verdadeira comunidade de discípulos de Deus, assente na união e na solidariedade entre todos. É este testemunho de união fraterna que se assume como um factor decisivo na tarefa catequizadora da comunidade. Ninguém é superior ou inferior em relação aos outros. O cimento da vida comunitária é a cooperação e a solidariedade entre todos, que faz com que todos se voltem para cada um.

Ainda que cada catequista seja diferente um do outro, em idade, mentalidade ou formação, todos trabalham para uma mesma finalidade, todos têm uma tarefa comum a realizar: a de anunciar a Palavra de Deus e a de educar para a fé. Daí que todos os catequistas se devam sentir membros responsáveis e activos na realização da sua missão, sendo, para tal, indispensável criar um clima de relações positivas, assentes na amizade, na fraternidade, no acolhimento e no respeito. A unidade na missão evangelizadora da Igreja é para Cristo condição indispensável para que o mundo acredite: “Para que todos sejam um só; como Tu, ó Pai, estás em Mim e Eu em Ti, que também eles estejam em Nós, para que o mundo creia que Tu Me enviaste” (Jo 17, 21). 




02 setembro 2020

Identidade do Catequista






Objetivos:

– Reconhecer a razão de ser do catequista na missão da Igreja;
– Conhecer o essencial da missão do catequista;
– Confrontar a concepção de catequista que tenho com a que a Igreja apresenta.


Desenvolvimento:

O Catequista

A vocação de catequista, a sua existência na Igreja, é um dom do qual há que dar graças a Deus. Juntamente com este louvor é preciso discernir que tipo de catequistas a Igreja precisa, hoje, para realizar a sua tarefa de evangelização (cf EN 14), nesta situação histórica concreta. O catequista surge, então, como alguém chamado por Deus, vocacionado; que acredita no Senhor, com uma fé profunda; e consciente do seu ser Igreja, com uma clara identidade eclesial.
O catequista participa e prolonga a missão de Jesus como Mestre, pois realiza o mandato do Senhor: “Ide e fazei discípulos”(Mt 28,19). Assim, Jesus Cristo, no seu seguimento e imitação, constitui para o catequista o modelo determinante de toda a sua missão.
Para que a catequese seja significativa, o catequista deve estar enraizado na forma de ensinar de Jesus Cristo que é cativante e atrativa, pelo que deve viver alimentado continuamente do Mistério Pascal de Jesus Cristo, que é o conteúdo fundamental do Evangelho e o núcleo do testemunho da fé Apostólica.

– Com uma fé profunda

Porque é chamado a ser educador da fé, o catequista deve possuir, antes de mais, uma profunda vida de fé. Deve estar imbuído de um profundo sentido religioso, com uma experiência madura de fé e um forte sentido de Deus, do divino. Isto porque o catequista deve ser o anunciador de Deus e dizê-Lo no mundo de hoje. Ao dizer a sua fé, está a responder às inquietações mais profundas do coração humano, que é a sede de absoluto que habita em cada homem (Cf DGC 23).
O catequista é, então, alguém consciente da sua fé. Tem uma posição tranquila e serena da sua opção por Cristo, confia n’Ele e vive em docilidade à ação do Espírito Santo. Na sua pessoa verifica-se a interação entre fé e vida, ou seja, vive uma autêntica experiência de fé.
Isto significa que o catequista deve ocupar-se da sua própria vida no Espírito como exigência da responsabilidade que lhe outorga a Igreja, catequizar. O catequista experimentará um processo contínuo de amadurecimento na fé e configuração com Cristo, segundo a vontade de Deus Pai, guiado pelo Espírito Santo(cf ChL 57).

De acordo com a exortação apostólica Christifideles Laici, o plano pessoal de vida espiritual cristã, necessário para todo aquele que quer viver na busca permanente da vontade de Deus, tem como elementos indispensáveis a escuta pronta e dócil da Palavra de Deus, a oração filial e constante, uma verdadeira direção espiritual, e a leitura, feita na fé, dos dons e dos talentos recebidos, bem como das diversas situações sociais e históricas em que nos encontramos(Cf ChL 58). Este plano de vida espiritual proposto pela Igreja está ao serviço da vida no Espírito, ou seja, do processo configurador com Cristo, sob a ação do Espírito Santo.


– Clara identidade eclesial

A identidade eclesial provém de uma forte adesão a Jesus Cristo e do seguimento d’Ele. O catequista tem bem clara a sua pertença à Igreja, o seu ser Igreja. A identidade do catequista vem, pois, definida não só pela sua personalidade de cristão, igual a todos os baptizados, mas também, e sobretudo, pela sua missão específica na Igreja. O catequista transmite a fé da Igreja como testemunha. Experimenta o seu ser Igreja como algo que faz parte da sua fé.
Isto é de extrema importância, porque há uma relação direta entre a concepção de Igreja e a transmissão da fé. Só com catequistas que se sentem Igreja, que têm e vivem uma correta concepção da mesma, a transmissão de fé se realiza corretamente. Mais, uma das principais causas da pouca eficácia da nossa catequese atual está precisamente no deficit eclesial dos nossos catequistas. Porque a Igreja faz parte da confissão de fé, se ela não está plenamente presente, a fé que se transmite é deficiente: “a confissão de fé só é completa quando integra a referência à Igreja” (DGC 83), o creio e o cremos exigem-se e implicam-se mutuamente.
O catequista, como agente da Evangelização, age em nome da Igreja, o que tem uma dupla consequência: sente-se apoiado por toda a Igreja e transmite a fé da Igreja (cf EN 60).


– Enviado pela Comunidade

O catequista realiza a sua missão no âmbito da Comunidade, da Paróquia, e por mandato desta, pois a catequese é uma responsabilidade de toda a comunidade cristã (cf DGC 220; AG 14; CT 62): a “catequese tem sido sempre e continuará a ser uma obra pela qual toda a Igreja se deve sentir e mostrar responsável”(CT 16). Além do mais a comunidade cristã, a Igreja, é origem e meta da catequese, além de conteúdo de fé.
A relação entre o catequista e a comunidade que o envia nunca pode ser descuidada, nem pressuposta: a fidelidade à Igreja é fundamental para o catequista e para a sua missão.
Embora toda comunidade seja responsável pela catequese e a todos é pedido o testemunho da fé, só alguns recebem o mandato de serem catequistas (cf DGC 221)


– Preocupação missionária

A realidade em que vivemos, com a situação adversa à fé, pede que a Igreja exerça duas ações simultâneas no campo catequético: a ação missionária e a catequese de iniciação. Assim, um catequista com preocupação missionária deve procurar acima de tudo, que os catequizandos adiram à fé, no meio de uma situação adversa, procurem cooperar com a graça de Deus, para que se realize uma verdadeira conversão.
Esta preocupação missionária não nasce do medo, mas sim da alegria em anunciar a Boa Nova; e não se faz por costume, mas sim porque se descobriu a grande surpresa que é Cristo. Só assim se poderão vencer os anticorpos de uma sociedade que se vacinou contra tudo aquilo que é cristão.


– Com um saber específico

Para realizar a sua missão de educador da fé, para além da formação doutrinal sólida, deve possuir a formação básica sobre os princípios fundamentais da pastoral e o projeto pastoral da Igreja diocesana, dominar o essencial daquilo que é o ato catequético e a programação catequética, conhecer as pessoas com quem vai trabalhar, as suas motivações, bem como as situação social e de fé de cada um dos catequizandos. Por último, saber fazer uma leitura crente e, por isso, esperançosa da realidade (cf DGC 16).


– Para fazer discípulos, numa Igreja sempre renovada

A finalidade da ação do catequista consiste em acompanhar o catequizando num processo de conversão, em ordem a favorecer uma profissão de fé viva, explícita e atuante; ou seja, fazer discípulos de Jesus Cristo. Este objectivo é conseguido na Igreja, como origem, meta e âmbito da catequese. É sempre da comunidade cristã que nasce o anúncio do Evangelho, que convida cada pessoa a seguir Cristo. É esta mesma comunidade eclesial que acolhe aqueles que desejam conhecer Jesus Cristo, acompanha e convida a participar na experiência da fé (DGC 254), contando sempre com o ministério dos catequistas. Por isso os catequistas prestam um serviço eclesial ao serem agentes de transmissão da fé e, por consequência, edificadores da Igreja, onde está presente o Mistério de Deus.
Aqui está o essencial da missão eclesial do catequista: deve estar ao serviço da profissão de fé dos catequizandos, na Igreja, como lugar de transmissão e de possibilidade de profissão de fé. Só na Igreja, que é mistério de comunhão em razão da Comunhão Trinitária, é que a pessoa humana pode aceder ao desígnio de salvação eterna na história, através do mistério pascal de Jesus Cristo. Trata-se de que o homem se deixe introduzir no Mistério trinitário e viver desse Mistério.


Síntese:

- O catequista é alguém dotado de uma profunda fé adulta.
- O mandato de transmitir a fé como testemunha é-lhe conferido pela própria Igreja, pela Comunidade onde exerce o seu ministério.
- Realiza a sua missão com competência e alegria, procurando cooperar com a ação de Deus junto daqueles que Ele chama para a sua Igreja.


Dinâmica:

“Chuva de ideias”O orientador da reunião começa por solicitar a cada participante que se recorde da características de alguns catequistas que admira, talvez até aqueles que foram seus catequistas.
De seguida faz-se uma síntese, coligindo aquelas qualidades que são mais significativas.
O orientador expõe, então, o tema ao qual se segue uma reunião por grupos, de cerca de dez minutos, onde cada grupo vai analisar alguns daqueles textos que vão no Textos de referência.
A reunião, ou tempo formativo, acaba com um plenário.


Encerra-se o encontro com a canção “Somos a Igreja de Cristo”.


Textos de referência:
Cristo é o modelo do catequista: Jo 4,1-41.
O Catequista, pessoa de fé: CCE 1814-1816.
A Igreja está presente na formação do Catequista: DGC 236.
Qualidades dos catequistas: CCE 428.
Os leigos na Catequese: DGC 230-231.
O papel do catequista na ação catequética: DGC 156
Os leigos na Catequese: CT 66.
O catequista realiza uma missão eclesial: EN 60.