31 dezembro 2020
Oração para o começo do ano
30 dezembro 2020
Catequese sobre a Oração #20
A oração de acção de graças
Hoje gostaria de meditar sobre a oração de ação de graças. Inspiro-me num episódio narrado pelo evangelista Lucas. Enquanto Jesus está a caminho, dez leprosos vão ao seu encontro e imploram: «Jesus, Mestre, tem piedade de nós!» (17, 13). Sabemos que para os doentes de lepra, o sofrimento físico era acompanhado de marginalização social e de marginalização religiosa. Eram marginalizados. Jesus não evita um encontro com eles. Muitas vezes vai além dos limites impostos pelas leis e toca o doente – que não se podia fazer - abraça-o, cura-o. Neste caso, não há contacto. À distância, Jesus convida-os a apresentar-se aos sacerdotes (v. 14), que, segundo a lei, estavam encarregados de certificar a cura. Jesus não diz mais nada. Ouviu o seu pedido, ouviu o seu grito de piedade, e envia-os imediatamente aos sacerdotes.
Aqueles dez confiam n'Ele, não permanecem lá até ao momento de serem curados, não: confiam e partem imediatamente, e enquanto caminham, os dez são curados. Então, os sacerdotes poderiam ter verificado a sua cura e readmiti-los na vida normal. Mas aqui está o ponto mais importante: daquele grupo, apenas um, antes de ir ter com os sacerdotes, volta para agradecer a Jesus e louvar a Deus pela graça recebida. Só um, os outros nove continuam o caminho. E Jesus observa que aquele homem era samaritano, uma espécie de “herege” para os judeus daquela época. Jesus comenta: «Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro?» (17, 18). A narração é comovedora!
Esta narração, por assim dizer, divide o mundo em dois: os que não agradecem e os que o fazem; os que tomam tudo como se lhes fosse devido, e os que aceitam tudo como dom, como graça. O Catecismo escreve: «Qualquer acontecimento e qualquer necessidade podem transformar-se em oferenda de ação de graças» (n. 2638). A oração de ação de graças começa sempre a partir do reconhecer-se precedidos pela graça. Fomos pensados antes que aprendêssemos a pensar; fomos amados antes que aprendêssemos a amar; fomos desejados antes que brotasse um desejo no nosso coração. Se olharmos para a vida desta forma, então o “agradecimento” torna-se o motivo-guia dos nossos dias. Muitas vezes esquecemos até de dizer “obrigado”.
Para nós, cristãos, a ação de graças deu o nome ao Sacramento mais essencial que existe: a Eucaristia. Com efeito, a palavra grega significa exatamente isto: agradecimento. Como todos os crentes, os cristãos bendizem a Deus pelo dom da vida. Viver é, sobretudo, ter recebido a vida. Todos nós nascemos porque alguém desejou a vida para nós. E esta é apenas a primeira de uma longa série de dívidas que contraímos vivendo. Dívidas de gratidão. Na nossa existência, mais do que uma pessoa fitou-nos com um olhar puro, gratuitamente. Muitas vezes são educadores, catequistas, pessoas que desempenharam o seu papel além da medida exigida pelo dever. E eles fizeram surgir em nós a gratidão. A amizade é também um dom pelo qual devemos estar sempre gratos.
Este “obrigado”, que devemos pronunciar continuamente, este obrigado que o cristão partilha com todos, dilata-se no encontro com Jesus. Os Evangelhos atestam que a passagem de Jesus suscitava frequentemente alegria e louvor a Deus naqueles que o encontravam. As histórias de Natal são povoadas de orantes, cujos corações foram alargados pela vinda do Salvador. E também nós fomos chamados a participar neste imenso júbilo. Isto também é sugerido pelo episódio dos dez leprosos que foram curados. Naturalmente, todos eles ficaram felizes por ter recuperado a saúde, podendo assim sair daquela interminável quarentena forçada que os excluía da comunidade. Mas entre eles havia um que acrescentou alegria à alegria: além da cura, regozijou-se por ter encontrado Jesus. Não só está livre do mal, mas agora também tem a certeza de ser amado. Este é o núcleo: quando agradeces, expressas a certeza de seres amado. Este é um passo grande: ter a certeza de ser amado. É a descoberta do amor como a força que governa o mundo. Dante disse: o Amor «que move o sol e as outras estrelas» (Paraíso, XXXIII, 145). Já não somos viajantes que vagueiam por aqui e por ali, não: temos uma casa, habitamos em Cristo, e desta “morada” contemplamos o resto do mundo, e parece-nos infinitamente mais bonito. Somos filhos do amor, somos irmãos do amor. Somos homens e mulheres de graça.
Portanto, irmãos e irmãs, procuremos estar sempre na alegria do encontro com Jesus. Cultivemos a alegria. O diabo, ao contrário, depois de nos ter enganado – com qualquer tentação - deixa-nos sempre tristes e sozinhos. Se estivermos em Cristo, nenhum pecado nem ameaça nos pode impedir de continuar o nosso percurso com alegria, com os nossos numerosos companheiros de caminho.
Acima de tudo, não deixemos de agradecer: se formos portadores de gratidão, o mundo também se tornará melhor, talvez só um pouco, mas é suficiente para lhe transmitir um pouco de esperança. O mundo precisa de esperança e com a gratidão, com esta atitude de dizer obrigado, transmitimos um pouco de esperança. Tudo está unido, tudo está interligado, e cada um pode desempenhar a sua parte onde quer que esteja. O caminho para a felicidade é aquele que São Paulo descreveu no final de uma das suas cartas: «Orai sem cessar. Dai graças em todas as circunstâncias, pois a respeito de vós esta é a vontade de Deus, em Jesus Cristo. Não extingais o Espírito!» (1 Ts 5, 17-19). Não extingais o Espírito, bom programa de vida! Não extinguir o Espírito que temos dentro leva-nos à gratidão.
28 dezembro 2020
Mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz | 2021
MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
PARA A CELEBRAÇÃO DO 54º DIA MUNDIAL DA PAZ
1 de janeiro de 2021
"A cultura do cuidado como percurso da paz"
1. Aproximando-se o Ano Novo, desejo apresentar as minhas respeitosas saudações aos Chefes de Estado e de Governo, aos responsáveis das Organizações Internacionais, aos líderes espirituais e fiéis das várias religiões, aos homens e mulheres de boa vontade. Para todos formulo os melhores votos, esperando que o ano de 2021 faça a humanidade progredir no caminho da fraternidade, da justiça e da paz entre as pessoas, as comunidades, os povos e os Estados.
O ano de 2020 ficou marcado pela grande crise sanitária da Covid-19, que se transformou num fenómeno plurissectorial e global, agravando fortemente outras crises inter-relacionadas como a climática, alimentar, económica e migratória, e provocando grandes sofrimentos e incómodos. Penso, em primeiro lugar, naqueles que perderam um familiar ou uma pessoa querida, mas também em quem ficou sem trabalho. Lembro de modo especial os médicos, enfermeiras e enfermeiros, farmacêuticos, investigadores, voluntários, capelães e funcionários dos hospitais e centros de saúde, que se prodigalizaram – e continuam a fazê-lo – com grande fadiga e sacrifício, a ponto de alguns deles morrerem quando procuravam estar perto dos doentes a fim de aliviar os seus sofrimentos ou salvar-lhes a vida. Ao mesmo tempo que presto homenagem a estas pessoas, renovo o apelo aos responsáveis políticos e ao sector privado para que tomem as medidas adequadas a garantir o acesso às vacinas contra a Covid-19 e às tecnologias essenciais necessárias para dar assistência aos doentes e a todos aqueles que são mais pobres e mais frágeis.[1]
É doloroso constatar que, ao lado de numerosos testemunhos de caridade e solidariedade, infelizmente ganham novo impulso várias formas de nacionalismo, racismo, xenofobia e também guerras e conflitos que semeiam morte e destruição.
Estes e outros acontecimentos, que marcaram o caminho da humanidade no ano de 2020, ensinam-nos a importância de cuidarmos uns dos outros e da criação a fim de se construir uma sociedade alicerçada em relações de fraternidade. Por isso, escolhi como tema desta mensagem «a cultura do cuidado como percurso de paz»; a cultura do cuidado* para erradicar a cultura da indiferença, do descarte e do conflito, que hoje muitas vezes parece prevalecer.
2. Deus Criador, origem da vocação humana ao cuidado
Em muitas tradições religiosas, existem narrativas que se referem à origem do homem, à sua relação com o Criador, com a natureza e com os seus semelhantes. Na Bíblia, o livro do Génesis revela, desde o início, a importância do cuidado ou da custódia no projeto de Deus para a humanidade, destacando a relação entre o homem (’adam) e a terra (’adamah) e entre os irmãos. Na narração bíblica da criação, Deus confia o jardim «plantado no Éden» (cf. Gn 2, 8) às mãos de Adão com o encargo de «o cultivar e guardar» (Gn 2, 15). Isto significa, por um lado, tornar a terra produtiva e, por outro, protegê-la e fazê-la manter a sua capacidade de sustentar a vida.[2] Os verbos «cultivar» e «guardar» descrevem a relação de Adão com a sua casa-jardim e indicam também a confiança que Deus deposita nele fazendo-o senhor e guardião de toda a criação.
O nascimento de Caim e Abel gera uma história de irmãos, cuja relação em termos de tutela ou custódia será vivida negativamente por Caim. Depois de ter assassinado o seu irmão Abel, a Deus que lhe pergunta por ele, Caim responde: «Sou, porventura, guarda do meu irmão?» (Gn 4, 9).[3] Com certeza! Caim é o «guarda» de seu irmão. «Nestas narrações tão antigas, ricas de profundo simbolismo, já estava contida a convicção atual de que tudo está inter-relacionado e o cuidado autêntico da nossa própria vida e das nossas relações com a natureza é inseparável da fraternidade, da justiça e da fidelidade aos outros».[4]
3. Deus Criador, modelo do cuidado
A Sagrada Escritura apresenta Deus, além de Criador, como Aquele que cuida das suas criaturas, em particular de Adão, Eva e seus filhos. O próprio Caim, embora caia sobre ele a maldição por causa do crime que cometera, recebe como dom do Criador um sinal de proteção, para que a sua vida seja salvaguardada (cf. Gn 4, 15). Este facto, ao mesmo tempo que confirma a dignidade inviolável da pessoa, criada à imagem e semelhança de Deus, manifesta também o plano divino para preservar a harmonia da criação, porque «a paz e a violência não podem habitar na mesma morada».[5]
É precisamente o cuidado da criação que está na base da instituição do Shabbat que, além de regular o culto divino, visava restabelecer a ordem social e a solicitude pelos pobres (Gn 2, 1-3; Lv 25, 4). A celebração do Jubileu, quando se completava o sétimo ano sabático, consentia uma trégua à terra, aos escravos e aos endividados. Neste ano de graça, cuidava-se dos mais vulneráveis, oferecendo-lhes uma nova perspetiva de vida, para que não houvesse qualquer necessitado entre o povo (cf. Dt 15, 4).
Digna de nota é também a tradição profética, onde o auge da compreensão bíblica da justiça se manifesta na forma como uma comunidade trata os mais frágeis no seu seio. É por isso que particularmente Amós (2, 6-8; 8) e Isaías (58) erguem continuamente a voz em prol de justiça para os pobres, que, pela sua vulnerabilidade e falta de poder, são ouvidos só por Deus, que cuida deles (cf. Sal 34, 7; 113, 7-8).
4. O cuidado no ministério de Jesus
A vida e o ministério de Jesus encarnam o ápice da revelação do amor do Pai pela humanidade (Jo 3,16). Na sinagoga de Nazaré, Jesus manifestou-Se como Aquele que o Senhor consagrou e enviou a «anunciar a Boa-Nova aos pobres», «a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos» (Lc 4, 18). Estas ações messiânicas, típicas dos jubileus, constituem o testemunho mais eloquente da missão que o Pai Lhe confiou. Na sua compaixão, Cristo aproxima-Se dos doentes no corpo e no espírito e cura-os; perdoa os pecadores e dá-lhes uma nova vida. Jesus é o Bom Pastor que cuida das ovelhas (cf. Jo 10, 11-18; Ez 34, 1-31); é o Bom Samaritano que Se inclina sobre o ferido, trata das suas feridas e cuida dele (cf. Lc 10, 30-37).
No ponto culminante da sua missão, Jesus sela o seu cuidado por nós, oferecendo-Se na cruz e libertando-nos assim da escravidão do pecado e da morte. Deste modo, com o dom da sua vida e o seu sacrifício, abriu-nos o caminho do amor e disse a cada um: «Segue-Me! Faz tu também o mesmo» (cf. Lc 10, 37).
5. A cultura do cuidado, na vida dos seguidores de Jesus
As obras de misericórdia espiritual e corporal constituem o núcleo do serviço de caridade da Igreja primitiva. Os cristãos da primeira geração praticavam a partilha para não haver entre eles alguém necessitado (cf. At 4, 34-35) e esforçavam-se por tornar a comunidade uma casa acolhedora, aberta a todas as situações humanas, disposta a ocupar-se dos mais frágeis. Assim, tornou-se habitual fazer ofertas voluntárias para alimentar os pobres, enterrar os mortos e nutrir os órfãos, os idosos e as vítimas de desastres, como os náufragos. E em períodos sucessivos, quando a generosidade dos cristãos perdeu um pouco do seu ímpeto, alguns Padres da Igreja insistiram que a propriedade é pensada por Deus para o bem comum. Santo Ambrósio afirmava que «a natureza concedeu todas as coisas aos homens para uso comum. (…) Portanto, a natureza produziu um direito comum para todos, mas a ganância tornou-o um direito de poucos».[6] Superadas as perseguições dos primeiros séculos, a Igreja aproveitou a liberdade para inspirar a sociedade e a sua cultura. «As necessidades da época exigiam novas energias ao serviço da caridade cristã. As crónicas históricas relatam inúmeros exemplos de obras de misericórdia. De tais esforços conjuntos, resultaram numerosas instituições para alívio das várias necessidades humanas: hospitais, albergues para os pobres, orfanatos, lares para crianças, abrigos para forasteiros, e assim por diante».[7]
6. Os princípios da doutrina social da Igreja como base da cultura do cuidado
A diakonia das origens, enriquecida pela reflexão dos Padres e animada, ao longo dos séculos, pela caridade operosa de tantas luminosas testemunhas da fé, tornou-se o coração pulsante da doutrina social da Igreja, proporcionando a todas as pessoas de boa vontade um precioso património de princípios, critérios e indicações, donde se pode haurir a «gramática» do cuidado: a promoção da dignidade de toda a pessoa humana, a solidariedade com os pobres e indefesos, a solicitude pelo bem comum e a salvaguarda da criação.
* O cuidado como promoção da dignidade e dos direitos da pessoa
«O conceito de pessoa, que surgiu e amadureceu no cristianismo, ajuda a promover um desenvolvimento plenamente humano. Porque a pessoa exige sempre a relação e não o individualismo, afirma a inclusão e não a exclusão, a dignidade singular, inviolável e não a exploração».[8] Toda a pessoa humana é fim em si mesma, e nunca um mero instrumento a ser avaliado apenas pela sua utilidade: foi criada para viver em conjunto na família, na comunidade, na sociedade, onde todos os membros são iguais em dignidade. E desta dignidade derivam os direitos humanos, bem como os deveres, que recordam, por exemplo, a responsabilidade de acolher e socorrer os pobres, os doentes, os marginalizados, o nosso «próximo, vizinho ou distante no espaço e no tempo».[9]
* O cuidado do bem comum
Cada aspeto da vida social, política e económica encontra a sua realização, quando se coloca ao serviço do bem comum, isto é do «conjunto das condições da vida social que permitem, tanto aos grupos como a cada membro, alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição».[10] Por conseguinte os nossos projetos e esforços devem ter sempre em conta os efeitos sobre a família humana inteira, ponderando as suas consequências para o momento presente e para as gerações futuras. Quão verdadeiro e atual seja tudo isto, no-lo mostra a pandemia Covid-19, perante a qual «nos demos conta de estar no mesmo barco, todos frágeis e desorientados mas ao mesmo tempo importantes e necessários, todos chamados a remar juntos»,[11] porque «ninguém se salva sozinho»[12] e nenhum Estado nacional isolado pode assegurar o bem comum da própria população.[13]
* O cuidado através da solidariedade
A solidariedade exprime o amor pelo outro de maneira concreta, não como um sentimento vago, mas como «a determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum, ou seja, pelo bem de todos e de cada um, porque todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos».[14] A solidariedade ajuda-nos a ver o outro – quer como pessoa quer, em sentido lato, como povo ou nação – não como um dado estatístico, nem como meio a usar e depois descartar quando já não for útil, mas como nosso próximo, companheiro de viagem, chamado a participar, como nós, no banquete da vida, para o qual todos somos igualmente convidados por Deus.
* O cuidado e a salvaguarda da criação
A encíclica Laudato si’ reconhece plenamente a interconexão de toda a realidade criada, destacando a exigência de ouvir ao mesmo tempo o grito dos necessitados e o da criação. Desta escuta atenta e constante pode nascer um cuidado eficaz da terra, nossa casa comum, e dos pobres. A propósito, desejo reiterar que «não pode ser autêntico um sentimento de união íntima com os outros seres da natureza, se ao mesmo tempo não houver no coração ternura, compaixão e preocupação pelos seres humanos».[15] Na verdade «paz, justiça e salvaguarda da criação são três questões completamente ligadas, que não se poderão separar para ser tratadas individualmente, sob pena de cair novamente no reducionismo».[16]
7. A bússola para um rumo comum
Assim, num tempo dominado pela cultura do descarte e perante o agravamento das desigualdades dentro das nações e entre elas,[17] gostaria de convidar os responsáveis das Organizações internacionais e dos Governos, dos mundos económico e científico, da comunicação social e das instituições educativas a pegarem nesta «bússola» dos princípios acima lembrados para dar um rumo comum ao processo de globalização, «um rumo verdadeiramente humano».[18] Na verdade, este permitiria estimar o valor e a dignidade de cada pessoa, agir conjunta e solidariamente em prol do bem comum, aliviando quantos padecem por causa da pobreza, da doença, da escravidão, da discriminação e dos conflitos. Através desta bússola, encorajo todos a tornarem-se profetas e testemunhas da cultura do cuidado, a fim de preencher tantas desigualdades sociais. E isto só será possível com um forte e generalizado protagonismo das mulheres na família e em todas as esferas sociais, políticas e institucionais.
A bússola dos princípios sociais, necessária para promover a cultura do cuidado, vale também para as relações entre as nações, que deveriam ser inspiradas pela fraternidade, o respeito mútuo, a solidariedade e a observância do direito internacional. A este respeito, hão de ser reafirmadas a proteção e a promoção dos direitos humanos fundamentais, que são inalienáveis, universais e indivisíveis.[19]
Deve ser recordado também o respeito pelo direito humanitário, sobretudo nesta fase em que se sucedem, sem interrupção, conflitos e guerras. Infelizmente, muitas regiões e comunidades já não se recordam dos tempos em que viviam em paz e segurança. Numerosas cidades tornaram-se um epicentro da insegurança: os seus habitantes fatigam a manter os seus ritmos normais, porque são atacados e bombardeados indiscriminadamente por explosivos, artilharia e armas ligeiras. As crianças não podem estudar. Homens e mulheres não podem trabalhar para sustentar as famílias. A carestia lança raízes em lugares onde antes era desconhecida. As pessoas são obrigadas a fugir, deixando para trás não só as suas casas, mas também a sua história familiar e as raízes culturais.
As causas de conflitos são muitas, mas o resultado é sempre o mesmo: destruição e crise humanitária. Temos de parar e interrogar-nos: O que foi que levou a sentir o conflito como algo normal no mundo? E, sobretudo, como converter o nosso coração e mudar a nossa mentalidade para procurar verdadeiramente a paz na solidariedade e na fraternidade?
Quanta dispersão de recursos para armas, em particular para as armas nucleares,[20] recursos que poderiam ser utilizados para prioridades mais significativas a fim de garantir a segurança das pessoas, como a promoção da paz e do desenvolvimento humano integral, o combate à pobreza, o remédio das carências sanitárias! Aliás, também isto é evidenciado por problemas globais, como a atual pandemia Covid-19 e as mudanças climáticas. Como seria corajosa a decisão de criar «um “Fundo mundial” com o dinheiro que se gasta em armas e outras despesas militares, para poder eliminar a fome e contribuir para o desenvolvimento dos países mais pobres»![21]
8. Para educar em ordem à cultura do cuidado
A promoção da cultura do cuidado requer um processo educativo, e a bússola dos princípios sociais constitui, para o efeito, um instrumento fiável para vários contextos relacionados entre si. A propósito, gostaria de fornecer alguns exemplos:
A educação para o cuidado nasce na família, núcleo natural e fundamental da sociedade, onde se aprende a viver em relação e no respeito mútuo. Mas a família precisa de ser colocada em condições de poder cumprir esta tarefa vital e indispensável.
Sempre em colaboração com a família, temos outros sujeitos encarregados da educação como a escola e a universidade e analogamente, em certos aspetos, os sujeitos da comunicação social.[22] São chamados a transmitir um sistema de valores fundado no reconhecimento da dignidade de cada pessoa, de cada comunidade linguística, étnica e religiosa, de cada povo e dos direitos fundamentais que dela derivam. A educação constitui um dos pilares de sociedades mais justas e solidárias.
As religiões em geral, e os líderes religiosos em particular, podem desempenhar um papel insubstituível na transmissão aos fiéis e à sociedade dos valores da solidariedade, do respeito pelas diferenças, do acolhimento e do cuidado dos irmãos mais frágeis. Recordo, a propósito, as palavras que o Papa Paulo VI proferiu no Parlamento do Uganda em 1969: «Não temais a Igreja; esta honra-vos, educa-vos cidadãos honestos e leais, não fomenta rivalidades nem divisões, procura promover a liberdade sadia, a justiça social, a paz; se tem alguma preferência é pelos pobres, a educação dos pequeninos e do povo, o cuidado dos atribulados e desvalidos».[23]
A todas as pessoas empenhadas no serviço das populações, nas organizações internacionais, governamentais e não governamentais, com uma missão educativa, e a quantos trabalham, pelos mais variados títulos, no campo da educação e da pesquisa, renovo o meu encorajamento para que se possa chegar à meta duma educação «mais aberta e inclusiva, capaz de escuta paciente, diálogo construtivo e mútua compreensão».[24] Espero que este convite, dirigido no contexto do Pacto Educativo Global, encontre ampla e variegada adesão.
9. Não há paz sem a cultura do cuidado
A cultura do cuidado, enquanto compromisso comum, solidário e participativo para proteger e promover a dignidade e o bem de todos, enquanto disposição a interessar-se, a prestar atenção, disposição à compaixão, à reconciliação e à cura, ao respeito mútuo e ao acolhimento recíproco, constitui uma via privilegiada para a construção da paz. «Em muitas partes do mundo, fazem falta percursos de paz que levem a cicatrizar as feridas, há necessidade de artesãos de paz prontos a gerar, com criatividade e ousadia, processos de cura e de um novo encontro».[25]
Neste tempo, em que a barca da humanidade, sacudida pela tempestade da crise, avança com dificuldade à procura dum horizonte mais calmo e sereno, o leme da dignidade da pessoa humana e a «bússola» dos princípios sociais fundamentais podem consentir-nos de navegar com um rumo seguro e comum. Como cristãos, mantemos o olhar fixo na Virgem Maria, Estrela do Mar e Mãe da Esperança. Colaboremos, todos juntos, a fim de avançar para um novo horizonte de amor e paz, de fraternidade e solidariedade, de apoio mútuo e acolhimento recíproco. Não cedamos à tentação de nos desinteressarmos dos outros, especialmente dos mais frágeis, não nos habituemos a desviar o olhar,[26] mas empenhemo-nos cada dia concretamente por «formar uma comunidade feita de irmãos que se acolhem mutuamente e cuidam uns dos outros».[27]
Vaticano, 8 de dezembro de 2020.
Franciscus
[1] Cf. Francisco, Vídeo-mensagem por ocasião da LXXV Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (25 de setembro de 2020).
* A expressão «cultura do cuidado» aparece na encíclica Laudato si’: «o amor social impele-nos a pensar em grandes estratégias que detenham eficazmente a degradação ambiental e incentivem uma cultura do cuidado que permeie toda a sociedade» (n. 231). Veja-se também o número 229.
[2] Cf. Francisco, Carta enc. Laudato si’ (24 de maio de 2015), 67
[3] Cf. Francisco, «Fraternidade, fundamento e caminho para a paz», Mensagem para a celebração do XLVII Dia Mundial da Paz (1 de janeiro de 2014), 2.
[4] Francisco, Carta enc. Laudato si’ (24 de maio de 2015), 70.
[5] Pont. Conselho «Justiça e Paz», Compêndio da Doutrina Social da Igreja, n. 488.
[6] De officiis, 1, 28, 132: PL 16, 67.
[7] K. Bihlmeyer – H. Tüchle, Church History, vol.1 (Westminster, The Newman Press, 1958), 373-374.
[8] Francisco, Discurso aos participantes no Congresso promovido pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, no cinquentenário da «Populorum progressio» (4 de abril de 2017).
[9] Francisco, Mensagem à XXII Sessão da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP22) (10 de novembro de 2016. Cf. Mesa Interdicasterial da Santa Sé sobre a ecologia integral, Em marcha pelo cuidado da casa comum; no V aniversário da «Laudato si’» (LEV, 31 de maio de 2020).
[10] Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes, 26.
[11] Francisco, Momento Extraordinário de Oração em Tempo de Epidemia (27 de março de 2020).
[13] Cf. Francisco, Carta enc. Fratelli tutti (3 de outubro de 2020), 8; 153.
[14] São João Paulo II, Carta enc. Sollicitudo rei socialis (30 de dezembro de 1987), 38.
[15] Francisco, Carta enc. Laudato si’ (24 de maio de 2015), 91.
[16] Conferência do Episcopado Dominicano, Carta past. Sobre la relación del hombre con la naturaleza (21 de janeiro de 1987); cf. Francisco, Carta enc. Laudato si’ (24 de maio de 2015), 92.
[17] Cf. Francisco, Carta enc. Fratelli tutti (3 de outubro de 2020), 125.
[19] Cf. Francisco, Mensagem aos participantes na Conferência Internacional «Os direitos humanos no mundo contemporâneo: conquistas, omissões, negações» (Roma, 10 de dezembro de 2018).
[20] Cf. Francisco, Mensagem à Conferência da ONU finalizada a negociar um instrumento juridicamente vinculante sobre a proibição das armas nucleares, que leve à sua total eliminação (23 de março de 2017).
[21] Francisco, Vídeo-mensagem por ocasião do Dia Mundial da Alimentação de 2020 (16 de outubro de 2020).
[22] Cf. Bento XVI, «Educar os jovens para a justiça e a paz», Mensagem para o XLV Dia Mundial da Paz (1 de janeiro de 2012), 2; Francisco, «Vence a indiferença e conquista a paz», Mensagem para o XLIX Dia Mundial da Paz (1 de janeiro de 2016), 6.
[23] Discurso aos Deputados e Senadores do Uganda (Kampala 1 de agosto de 1969).
[24] Francisco, Mensagem para o lançamento do Pacto Educativo (12 de setembro de 2019).
[25] Francisco, Carta enc. Fratelli tutti (3 de outubro de 2020), 225.
[27] Ibid., 96; cf. Francisco, «Fraternidade, fundamento e caminho para a paz», Mensagem para a celebração do XLVII Dia Mundial da Paz (1 de janeiro de 2014), 1.
23 dezembro 2020
Para rezar junto à manjedoura
Novena de Natal - 9.º Dia
A Virgem dará à luz ao Filho de Deus e Lhe porá o nome de Jesus. Hoje, é um dia de ação de graças, porque celebramos, nesta noite, o maior mistério da nossa fé, que é o fato de o Filho Unigénito de Deus Todo-poderoso e Eterno ter assumido nossa natureza humana e se feito um de nós. Hoje, celebramos o centro da história, Deus em meio a nós, dando-nos a alegria e a paz com Sua presença e Seu amor.
Nesta Noite Santa, quando os anjos cantam a fidelidade do Senhor que nasceu em Belém, que esse canto o qual ecoa na história encha de alegria e paz o coração de cada um de nós que estamos aqui e que nossa família, nesta noite, sinta a presença de Deus em nosso meio.
– Nesta noite de Natal coloque o anjo; à meia noite, estando toda a família reunida, que o menor da casa, o avô e a avó tragam, em procissão, a imagem do Menino Deus e O coloquem no presépio.
– Que este momento seja de oração e recolhimento, em que cada um coloque sua própria vida nas mãos do Menino Deus, pedindo Suas graças e Sua bênção.
– Hoje, é o dia ideal para chamar aquela pessoa com quem você brigou, desentendeu-se ou com quem você tenha algum conflito, para lhe desejar Feliz Natal. Ao fazer isso, que o amor seja maior do que tudo o que foi vivido. Que hoje seja dia de alegria e paz!
Oração Inicial
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!
Maria, Virgem Grávida, Mulher de Deus, Virgem do sim fecundo. Tu, que fecundaste ao Verbo de Deus e O levaste em Teu seio durante nove meses, sentindo-O palpitar e crescer dentro de Ti, experimentando Sua presença e sendo transformada por Ele.
Nestes dias que antecedem o nascimento de Teu Filho, nós queremos acompanhar-Te; queremos estar Contigo para aprender de Ti a levar a Deus no coração e deixarmo-nos transformar por Sua presença.
Maria, Virgem Grávida, pedimos-Te que, ao acompanhar-Te, sejas Tu quem interceda por cada um de nós, para que possamos celebrar o Natal cheios da presença de Teu Filho em nossa vida. Maria, Virgem Mãe, mulher da espera confiada, pede por nós para que, neste Natal, todos possamos ficar mais perto de Teu Filho, e assim sermos capazes de recomeçar, de perdoar e sermos perdoados, de voltar a amar e sermos curados interiormente para celebrar e viver a vida de Deus em nós.
Maria, Virgem do sim e da realização, Virgem Mãe do silêncio eloquente, ajuda-nos a celebrar este Natal, tendo Teu Filho centro de nossa vida. Maria, pede por nós agora e sempre.
Que assim seja!
Contemplação
É buscar apropriar-se do texto, não o olhar como espectador, mas ser participante da cena. Ter uma relação pessoal e direta com os personagens. Usar a imaginação para conhecê-los e aprofundar-se neles interiormente.
Oração: Senhor, é hoje a Noite Feliz. Hoje, todos estamos contentes. Há muito movimento, muitos preparativos, há ambiente de festa. Tanto os que creem em Ti quanto os que não creem, hoje, celebram o Natal. Em algumas casas nascerás, e em outras haverá apenas árvores com luzes, mas igualmente Tu estarás aí. Hoje, é Noite Feliz, e nós que cremos em Ti celebramos o Teu nascimento. Hoje, é um dia do qual não podemos nos esquecer, porque é a manifestação mais plena e eloquente de que Tu és um Deus amigo, alguém presente em nossa vida, que se interessa por nós, que nos ama com amor infinito, até querer ser um de nós. Hoje, é o dia por excelência, pois Tu vieste nos dar vida com Tua vida, com Teu nascimento nos devolveu a vida de Deus. Hoje, Senhor, celebramos Tua fidelidade e Teu amor sem limites, e é por isso que São João nos diz:
“Tanto Deus amou o mundo, que nos enviou Seu próprio filho”. Sim, Senhor, hoje é a festa do amor e da fidelidade, é a Tua festa, porque Tu nos deste a vida vindo viver nossa vida.
Obrigado, Senhor!
Oração: Senhor, hoje a liturgia nos apresenta o canto de Zacarias, onde quer manifestar o que é o Teu amor, nos que mostrar como e de que maneira Tu atuas. Tu cumpres o que prometes e tudo faz por amor, para ti não conta a nossa infidelidade, mas que Tu continuas nos amando e sendo fiel, mesmo sem ser amado. Senhor, nesta Noite Santa, quando celebraremos o Natal, pedimos-Te que nos ajudes a valorizar o que é ter fé em Ti. Que nesta noite, cada um de nós possa renovar sua fé, e que não nos cansemos de Te agradecer, porque és um Deus formidável e excecional, único, cheio de amor e ternura, alguém que faz até o impossível para demonstrar o quanto nos ama. Senhor, renova-nos em Teu amor, enche-nos de alegria e gozo como Tua Mãe Santíssima, e que o canto dos anjos inunde os nossos corações e nos faça experimentar Tua paz e alegria. Senhor, que, nesta noite, possamos sentir a alegria do céu.
Que assim seja!
Oração Final
Menino Jesus, o Deus vivo e verdadeiro, o Todo-poderoso e Eterno, que assumiu nossa natureza para se fazer um de nós, que quiseste compartilhar nossa vida para nos redimir. Tu que quiseste experimentar o calor de um abraço, a ternura de um beijo de uma mãe, os braços fortes de um pai, que quiseste ser cuidado por uma mãe. Não há Deus igual a Ti, que se empenhe em estar junto de nós. Tu és o Emanuel, o Deus connosco, que nasceste para dar a vida. Conceda-nos que, nesta Noite Santa, cada família sinta Tua paz e Tua alegria. Que sintamos o gozo que sentiram os pastores, que cada um tenha a paz de Tua Mãe, que todos experimentemos o gozo do céu que se sentiu na terra. Que, nesta Noite Santa, Tu, Menino Jesus, no dia de Teu aniversário, dê-nos a Tua bênção e fique para sempre em nossa casa. Hoje e sempre, encha-nos de bênçãos.
Que assim seja.
Catequese sobre o Natal
Estimados irmãos e irmãs, bom dia!
Nesta catequese, no período que antecede o Natal, gostaria de oferecer alguns pontos de reflexão em preparação para a celebração do Natal. Na Liturgia da Noite ressoará o anúncio do anjo aos pastores: «Não temais, eis que vos anuncio uma Boa Nova que será alegria para todo o povo: hoje nasceu-vos na Cidade de David um Salvador, que é Cristo Senhor. Isto servir-vos-á de sinal, achareis um recém-nascido envolto em faixas e posto numa manjedoura» (Lc 2, 10-12).
Imitando os pastores, também nós caminhamos espiritualmente para Belém, onde Maria deu à luz o Menino num estábulo, «pois - diz São Lucas - não havia para eles lugar na hospedaria» (2, 7). O Natal tornou-se uma festa universal e até quem não acredita sente o encanto deste evento. Contudo, os cristãos sabem que o Natal é um acontecimento decisivo, um fogo eterno que Deus acendeu no mundo, e não pode ser confundido com coisas efémeras. É importante que não seja reduzido a uma celebração meramente sentimental ou consumista. No domingo passado chamei a atenção sobre este problema, evidenciando que o consumismo nos sequestrou o Natal. Não: o Natal não se deve reduzir a festa unicamente sentimental ou consumista, rica de prendas e bons votos, mas pobre de fé cristã, e pobre também de humanidade. Portanto, é necessário refrear uma certa mentalidade mundana, incapaz de compreender o núcleo incandescente da nossa fé, que é o seguinte: «E o Verbo fez-se carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, a glória que o Filho unigénito recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade» (Jo 1, 14). Este é o núcleo do Natal, aliás: é a verdade do Natal, não há outra.
O Natal convida-nos a refletir, por um lado, sobre a dramaticidade da história, em que homens e mulheres, feridos pelo pecado, procuram incessantemente a verdade, vão em busca de misericórdia e de redenção; e, por outro, sobre a bondade de Deus, que veio ao nosso encontro para nos comunicar a Verdade que salva e para nos tornar participantes da sua amizade e da sua vida. Recebemos este dom de graça, é pura graça, sem o nosso mérito. Há um Santo Padre que diz: “Mas olhai deste lado, do outro, de lá: procurai o mérito e só encontrareis graça”. Tudo é graça, um dom de graça. Recebemos este dom de graça através da simplicidade e da humanidade do Natal, e ele pode remover dos nossos corações e das nossas mentes o pessimismo que hoje se difundiu ainda mais por causa da pandemia. Podemos superar esta sensação de desconcerto inquietador, sem nos deixarmos dominar pelas derrotas e fracassos, na consciência redescoberta de que aquele Menino humilde e pobre, escondido e indefeso, é o próprio Deus, que se fez homem para nós. O Concílio Vaticano II, numa célebre passagem da Constituição sobre a Igreja no mundo contemporâneo, diz-nos que este acontecimento se refere a cada um de nós: «Pela sua encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-se de certo modo a cada homem. Trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado» (Constituição Pastoral Gaudium et spes, 22). Mas Jesus nasceu há dois mil anos, e diz respeito a mim? – Sim, diz respeito a ti e a mim, a cada um de nós. Jesus é um de nós: Deus, em Jesus, é um de nós.
Esta realidade dá-nos muita alegria e coragem. Deus não nos desprezou, não olhou para nós de longe, não passou ao nosso lado, não sentiu repulsa da nossa miséria, não se vestiu com um corpo aparente, mas assumiu plenamente a nossa natureza e condição humana. Nada excluiu, exceto o pecado: a única coisa que Ele não tem. Toda a humanidade está n’Ele. Ele assumiu tudo o que somos, tal como somos. Isto é essencial para a compreensão da fé cristã. Refletindo sobre o seu caminho de conversão, Santo Agostinho escreve nas suas Confissões: «Ainda não tinha a humildade suficiente para possuir o meu Deus, o humilde Jesus, ainda não conhecia os ensinamentos da sua fraqueza» (Confissões VII, 8). E qual é a fraqueza de Jesus? A “fraqueza” de Jesus é um “ensinamento”! Porque nos revela o amor de Deus. O Natal é a festa do Amor encarnado, do amor nascido por nós em Jesus Cristo. Jesus Cristo é a luz dos homens que resplandece nas trevas, que dá sentido à existência humana e a toda a história.
Queridos irmãos e irmãs, que estas breves reflexões nos ajudem a celebrar o Natal com maior consciência. Mas há outra forma de preparação que quero lembrar, tanto a vós como a mim, e que está ao alcance de todos: meditar um pouco em silêncio diante do presépio. O presépio é uma catequese daquela realidade, do que foi feito naquele ano, naquele dia, que ouvimos no Evangelho. Por este motivo, no ano passado escrevi uma Carta, que nos fará bem reler. Intitula-se “Admirabile signum”, “Sinal admirável”. Na escola de São Francisco de Assis, podemos tornar-nos um pouco crianças, permanecer em contemplação da cena da Natividade, deixando que renasça em nós a admiração da forma “maravilhosa” como Deus quis vir ao mundo. Peçamos a graça da admiração: face a este mistério, a esta realidade tão terna, tão bela, tão próxima dos nossos corações, que o Senhor nos conceda a graça da admiração, para que O encontremos, para que nos aproximemos d'Ele, para que nos aproximemos de todos nós. Isto irá renascer em nós a ternura. Há dias, falando com alguns cientistas, comentava-se a inteligência artificial e os robôs... há robôs programados para tudo e para todos, e isto vai progredindo. E eu disse-lhes: “Mas o que nunca serão capazes de fazer os robôs?” Eles pensaram, deram sugestões, mas no final concordaram num ponto: a ternura. Isto os robôs não serão capazes de fazer. E é isto que Deus nos traz hoje: uma forma maravilhosa pela qual Deus quis vir ao mundo, o que reaviva a ternura em nós, a ternura humana que está próxima daquela de Deus. E hoje temos tanta necessidade de ternura, tanta necessidade de carícias humanas, face a tanta miséria! Se a pandemia nos obrigou a estar mais distantes, Jesus, no presépio, mostra-nos o caminho da ternura para estarmos próximos, para sermos humanos. Sigamos este caminho. Feliz Natal!
22 dezembro 2020
Messias
Novena de Natal - 8.º Dia
É uma passagem que nos ajuda a vermos a atitude de Zacarias e de Isabel, que buscam ser fiéis ao que o anjo lhes havia ordenado, dando ao filho o nome de João. Assim como Zacarias ficou mudo ante o anúncio do anjo, agora sua língua se solta para louvar e bendizer o Senhor.
– Neste oitavo dia da novena de Natal, continue preparando o presépio. Depois de ter colocado a imagem de Maria, de José, dos pastores e animais, coloque a estrela.
– Que cada um deixe a própria vida nas mãos do Senhor, agradecendo-Lhe por tudo o que Ele fez por nós.
– Faça algum gesto concreto de sensibilidade e generosidade com alguma família que estará só ou na qual faltará algum membro. Convide-os para rezar amanhã ou para a Missa de Natal. Seja presença para eles.
Oração Inicial
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!
Maria, Virgem Grávida, Mulher de Deus, Virgem do ‘sim’ fecundo. Tu que fecundaste ao Verbo de Deus e O levaste em teu seio durante nove meses, sentindo-O palpitar e crescer dentro de Ti, experimentando Sua presença e sendo transformada por Ele, nestes dias que antecedem o nascimento de Teu Filho, nós queremos acompanhar-Te, queremos estar Contigo para aprender de Ti a levar Deus no coração e nos deixarmos transformar por Sua presença.
Maria, Virgem Grávida, pedimos-Te que, ao acompanhar-Te, sejas Tu quem interceda por cada um de nós, para que possamos celebrar o Natal cheios da presença de Teu Filho em nossa vida. Maria, Virgem Mãe, mulher da espera confiada, pede por nós para que, neste Natal, todos possamos ficar mais perto de Teu Filho, e assim sermos capazes de recomeçar, de perdoar e sermos perdoados, de voltar a amar e sermos curados interiormente para celebrar e viver a vida de Deus em nós.
Maria, Virgem do ‘sim’ e da realização, Virgem Mãe do silêncio eloquente, ajuda-nos a celebrar este Natal, tendo Teu Filho como o centro de nossa vida. Maria, pede por nós agora e sempre.
Que assim seja.
Leitura: Lc 1, 57-66
Aprofundar-se no Evangelho. Ler a Palavra e deter-se nela. Ver os detalhes dos personagens. Fazer uma leitura gastando tempo para conhecê-la, escutando o Senhor.
Contemplação
É buscar apropriar-se do texto, não o olhar como espectador, mas ser participante da cena. Ter uma relação pessoal e direta com os personagens. Usar a imaginação para conhecê-los e aprofundá-los interiormente.
Oração: Senhor Jesus, vendo como Teu Pai atuou na vida de Zacarias e Isabel, como lhes preparou um projeto de amor e como João foi a alegria deles, pensa-se no grande e maravilhoso mistério que é ter uma família, ter um pai e uma mãe, e poder dizer que temos um lugar. Senhor, vendo o amor que Tu manifestastes a Zacarias e Isabel, dando-lhes um filho, dou-Te graças por meu pai e minha mãe, pela generosidade deles em me dar a vida. Bendito seja o Senhor pelo amor dos meus pais, que é reflexo e manifestação do amor que Tu tens por mim. Obrigado, Senhor, porque me amaste por meio dos meus pais. Obrigado, porque minha mãe me quis e cuidou de mim dentro de si e depois me deu à luz. Obrigado pelo nome que tenho. Obrigado, porque tens o meu nome escrito na palma de Tuas mãos. Obrigado, Senhor, porque para Ti eu sou único e irrepetível. Obrigado, Senhor, porque existo e posso Te louvar por ter me dado a vida, ter me dado um pai e uma mãe.
Que assim seja.
Oração: Senhor, vendo como Tu deste a graça a Zacarias e à Isabel para gerar uma vida, para serem pais em sua velhice, e como eles souberam responder ao convite que Tu lhes fizeste, peço-Te que abençoe cada pai e cada mãe de família. Que cada pai tenha a fortaleza que teve Zacarias, a fé e a entrega de José, a disposição e abertura de coração para ser em todo momento um instrumento teu, para que os filhos vejam nos pais um exemplo e testemunho. Encha também, Senhor, o coração de cada mulher que é mãe, para que, com Tua ternura e Teu amor, possam transmitir o amor que Tu nos tens. Faz, Senhor, que nossos filhos encontrem a alegria e a felicidade na alegria de Teus filhos. Que cada família seja reflexo da Tua Família. Que em todas haja paz, amor, alegria e felicidade, como havia na Tua.
Que assim seja.
Oração Final
Senhor Jesus, estamos chegando ao fim de nossa novena, Tua festa está chegando, e isso nos enche de alegria, pois vemos que Tu, o Deus Eterno e Todo-poderoso, quiseste ter uma família, buscaste uma mulher para ser Tua mãe, tiveste José como pai e com eles formaste uma família. Foi onde aprendeste a arte de viver, onde recebeste carinho e afeto, onde sentiste o abraço de uma mãe, onde tiveste a mão firme de um pai, de quem aprendeste a dar valor à vida.
Senhor, nesta véspera da Noite Feliz, pedimos-Te que encha de bênçãos este lugar, que possamos sentir Tua presença em meio a nós, que Tu sejas o centro de nossa vida, inundando-nos de amor e paz, que nos concedas a graça de nos querer cada vez mais, que cada dia nossa família cresça no amor, na compreensão, na entrega mútua, em interesse e preocupação com o outro. Senhor, Tu que tiveste uma família, abençoa a minha, encha-nos de graça para que cada dia Te imitemos mais e mais, e busquemos viver como vocês viveram. Senhor Jesus, abençoa-nos, e que amanhã, ao celebrar o Teu nascimento, sintamos-Te junto de nós e Tu nos encha de alegria e paz.
Que assim seja.
21 dezembro 2020
Novena de Natal - 7.º Dia
A atitude de Maria com esse canto é um programa de vida, um reconhecimento da presença e da ação de Deus em nossa vida. Neste tríduo que antecede o Natal e o fim do ano, essa atitude de gratidão e reconhecimento deve ser o que caracteriza nossa relação com o Senhor e com os demais.
– Neste sétimo dia da novena de Natal, continue preparando o presépio. Depois de ter colocado a imagem de Maria, de José, do estábulo, da manjedoura e dos pastores, coloque as ovelhas, demonstrando como cada um deve louvar e bendizer a Deus com o que tem e faz.
– Que cada um faça uma oração, louvando e bendizendo ao Senhor pela própria vida, pela família, pelo trabalho, pela saúde, pelo que cada um tem e pelo que falta também.
– Faça algum gesto concreto de gratidão e agradecimento. Seja capaz de dizer aos que o rodeiam: “obrigado por…”. Fazer o mesmo na família. Expressar a gratidão com um abraço, um gesto, uma ligação; ser capaz de dizer “obrigado”.
Oração Inicial
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!
Maria, Virgem Grávida, Mulher de Deus, Virgem do ‘sim’ fecundo. Tu, que fecundaste o Verbo de Deus e O levaste em Teu seio durante nove meses, sentindo-O palpitar e crescer dentro de Ti, experimentando Sua presença e sendo transformada por Ele, nestes dias que antecedem o nascimento de Teu Filho, nós queremos acompanhar-te; queremos estar contigo para aprender de ti a levar Deus no coração e nos deixarmos transformar por sua presença.
Maria, Virgem Grávida, pedimos-te que, ao acompanhar-te, sejas tu quem interceda por cada um de nós, para que possamos celebrar o Natal cheios da presença de teu Filho em nossa vida. Maria, Virgem Mãe, mulher da espera confiada, pede por nós para que, neste Natal, todos possamos ficar mais perto de seu Filho, e assim sermos capazes de recomeçar, de perdoar e ser perdoados, de voltar a amar, e ser curados interiormente para celebrar e viver a vida de Deus em nós.
Maria, Virgem do ‘sim’ e da realização, Virgem Mãe do silêncio eloquente, ajuda-nos a celebrar este Natal, tendo Seu Filho como o centro de nossa vida. Maria, pede por nós agora e sempre.
Que assim seja.
Leitura: Lc 1, 46-56
Aprofundar-se no Evangelho. Ler a Palavra e deter-se nela. Ver os detalhes dos personagens. Fazer uma leitura gastando tempo para conhecê-la, escutando o Senhor.
Contemplação
É buscar apropriar-se do texto, não o olhar como espectador, mas ser participante da cena. Ter uma relação pessoal e direta com os personagens. Usar a imaginação para conhecê-los e aprofundá-los interiormente.
Oração: “Obrigado, Maria, por ser sensível à manifestação do Senhor em tua vida. Graças por reconhecer o que és e por dar ao Senhor o lugar que Lhe corresponde em Tua vida. Obrigado por dizer que o Senhor foi quem fez em Ti maravilhas. Obrigado por deixar que Ele fizesse em Ti o que fez. Obrigado por confiar e crer n’Ele. Obrigado por mostrar-nos como o Senhor atua e tem atuado na história, como está ao lado dos que n’Ele confiam, e como se enfrenta o soberbos e orgulhosos, os egoístas e os prepotentes. Obrigado por dar-nos a confiança de que o Senhor levanta os humildes e os famintos. Maria, intercede por nós, para que possamos fazer como Tu fizeste, para ter os sentimentos que Tu tivestes, para deixarmo-nos conduzir e ser cheios do Senhor como Tu foste.
Que assim seja.
Oração: Senhor Jesus, Tua mãe soube reconhecer e manifestar Tua presença nela e na história, e por ter tido a sensibilidade de nos relatar como Tu atuas, o que Te agradas, quem são os Teus privilegiados. Senhor, faz com que aprendamos dela a reconhecer a Tua presença em nosso dia a dia, que possamos descobrir-Te em cada acontecimento, e sabendo como és, como ages, o que gostas, saibamos confiar e esperar em Ti, Senhor, assim como Tua mãe, que reconheceu tudo o que o Pai fez nela. E que, da mesma maneira, possa atuar e saber que sem Ti não sou nada, e que és Tu quem faz tudo em mim.
Que assim seja.
Oração Final
Menino Jesus, assim como Tua Mãe, vimos a Ti para Lhe agradecer e bendizer-Te por tudo o que fazes em nós e por nós. Agradecemos-Te e bendizemos, porque quisestes nos redimir a partir de nossa própria natureza, porque se fizeste um de nós, sendo Tu em tudo semelhante a nós, menos no pecado, porque, assumindo nossa vida, nos deste vida com Tua vida.
Damos-Te graças e Te bendizemos, porque com Teu nascimento dignificaste nossa natureza, nos mostrastes o quanto é sagrada a vida, porque dignificastes a mulher, nascendo Tu mesmo de Maria Virgem. Glorificamos-Te, porque, com Teu nascimento, Tu dás fortaleza e alegria, nos enche de gozo e consolo, nos faz renascer na esperança, nos mostras que Tu estás connosco. Bendito e louvado sejas, porque és o Deus que vive e nos dá a vida, que nos conhece por dentro e que nos enche de amor. Bendito e louvado sejas por Teu nascimento e por Tua vida e redenção. Bendito e louvado sejas hoje e sempre.
Que assim seja!
20 dezembro 2020
Novena de Natal - 6.º Dia
Maria parte apressadamente, sem demora, ao encontro de sua prima que necessita de ajuda. A disponibilidade e o desprendimento da Virgem Maria são as atitudes que a Igreja nos propõe para meditarmos neste dia.
Voltemos nosso olhar para a atitude de Maria, para vermos como estamos vivendo com aqueles que estão ao nosso lado.
– Neste sexto dia da novena de Natal, seguir preparando o presépio. Depois de ter colocado a imagem de Maria, de José, o estábulo, o berço, a vaca e o burro, colocar agora os pastores, manifestando como eram as pessoas sensíveis e humildes que acompanharam o Senhor em Seu nascimento.
– Que cada um coloque sua vida e a vida de toda família nas mãos do Menino Deus, para que Ele nos encha de Suas bênçãos e graças.
– Faça algum gesto ou atitude de sensibilidade e solidariedade. Vá ao encontro das pessoas que sabemos necessitar de alguma ajuda, seja material ou espiritual. Sem que nos peçam, ofereçamos nossa presença e solidariedade.
Oração Inicial
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!
Maria, Virgem Grávida, Mulher de Deus, Virgem do ‘sim’ fecundo, Tu, que fecundaste ao Verbo de Deus e O levaste em Teu seio durante nove meses, sentindo-O palpitar e crescer dentro de Ti, experimentando Sua presença e sendo transformada por Ele, nestes dias que antecedem o nascimento de Teu Filho, nós queremos acompanhar-Te, queremos estar Contigo para aprender de Ti, a levar Deus no coração e deixarmo-nos transformar pela Sua presença.
Maria, Virgem Grávida, nós Te pedimos que, ao acompanhar-Te, sejas Tu quem interceda por cada um de nós, para que possamos celebrar o Natal cheios da presença de Teu Filho em nossa vida. Maria, Virgem Mãe, mulher da espera confiada, pede por nós para que, neste Natal, todos possamos ficar mais perto de Teu Filho, e assim sermos capazes de recomeçar, de perdoar e sermos perdoados, de voltar a amar, e sermos curados interiormente, para celebrar e viver a vida de Deus em nós.
Maria, Virgem do ‘sim’ e da realização, Virgem Mãe do silêncio eloquente, ajuda-nos a celebrar este Natal, tendo Teu Filho centro de nossa vida. Maria, pede por nós agora e sempre.
Que assim seja.
Leitura: Lucas 1, 39-45
Aprofunde-se no Evangelho. Leia a Palavra e detenha-se nela. Veja os detalhes dos personagens. Faça uma leitura, gaste tempo para conhecê-la e escute o Senhor. Veja a atitude de Maria e de Isabel, o que fazem, o que dizem, como se relacionam.
Contemplação
É buscar apropriar-se do texto, não o olhar como espectador, mas ser participante da cena. Ter uma relação pessoal e direta com os personagens. Usar a imaginação para conhecê-los e aprofundá-los interiormente.
Oração
Maria, minha Mãe, agradeço-Te por Teu testemunho, por Teu exemplo, por Tua prontidão e disponibilidade em estar atenta às necessidades de quem necessitava da Tua ajuda. Agradeço por Tua atitude de serviço e entrega, porque não duvidaste nem demoraste a se fazer presente. Agradeço por ter sido capaz de se desinstalar para ser sensível e solidária com Isabel. Maria, Tu que sabias estar junto a quem necessitava de Tua presença, Tu que nos mostra como viver a vida, vem nos acompanhar nestes dias em que nos preparamos para o nascimento de Teu Filho. Vem, Virgem Santa, ajudar-nos a colocar nosso coração para receber Teu Filho.
Que assim seja.
Oração
Menino Jesus, quando Tua Mãe chegou na casa de Isabel, João saltou de alegria em seu ventre, e ela fez uma profissão de fé, reconhecendo que era você quem a visitava, chamou Sua mãe de ‘A Mãe do meu Senhor’. Agora, também nós queremos Te dar um espaço em nossa vida, pretendemos que venhas e tenhas um lugar especial. Por isso, Senhor, pedimos-te que nos ajude a tomar consciência do significado de teu nascimento, da grandeza desse acontecimento. Ajuda-nos a valorizar Teu gesto de amor e que este Natal seja um tempo de profundo reconhecimento e ação de graças por tudo o que significa, e o Senhor nasça em nosso meio. Dê-nos de presente a graça de valorizar e reconhecer Teu gesto salvador nascendo de mulher e sendo um de nós. Ajuda-nos para que, neste Natal, o Senhor seja o centro de nossa celebração.
Que assim seja.
Oração Final
Maria, Virgem Mãe de nosso Senhor, levou o Deus da vida em Tuas entranhas e Lhe deu vida humana. Sendo a Mãe de Deus, Tu sabes ser serviçal e atenta às necessidades de Tua prima Isabel, por isso, ajuda-nos a saber, ver e ser sensíveis às necessidades dos que nos rodeiam, a sermos capazes de renunciar a nós mesmos e ir ao encontro dos demais. Ajuda-nos a sermos generosos em nosso tempo e com nossos bens para ajudar aos que necessitam, para que, como a Senhora, estejamos disponíveis e abertos para nos dar aos demais. Maria, Virgem Mãe, que saiamos apressadamente, sem demora, prontamente ao encontro dos que necessitam de nossa ajuda. Maria, que levemos Jesus e sejamos mensageiros da alegria e da paz, consolo e fortaleza, ajuda e solidariedade, para que, neste Natal, muitos possam reconhecer o Teu Filho como Deus e Senhor, e que o Senhor seja hoje e sempre: “a Mãe de nosso Senhor” e nossa Mãe.
Que assim seja.



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