14 abril 2021

Catequese sobre a Oração #29

 



A Igreja mestra em oração

Estimados irmãos e irmãs, bom dia!

A Igreja é uma grande escola de oração. Muitos de nós aprendemos a silabar as primeiras orações enquanto estávamos no colo dos pais ou dos avós. Talvez conservemos a memória da mãe e do pai que nos ensinavam a recitar as orações antes de dormir. Estes momentos de recolhimento são frequentemente aqueles em que os pais ouvem algumas confidências íntimas dos filhos e podem dar os seus conselhos inspirados pelo Evangelho. Depois, no caminho do crescimento, há outros encontros, com outras testemunhas e mestres de oração (cf. Catecismo da Igreja Católica, 2686-2687). É bom recordá-los.

A vida de uma paróquia e de cada comunidade cristã é cadenciada pelos tempos da liturgia e da oração comunitária. Aquele dom, que na infância recebemos com simplicidade, compreendemos que é um património grande, um património muito rico, e que a experiência da oração merece ser aprofundada cada vez mais (cf. ibid., 2688). O hábito da fé não é engomado; desenvolve-se connosco; não é rígido, cresce, até através dos momentos de crise e ressurreição; aliás, não se pode crescer sem momentos de crise, porque a crise te faz crescer: entrar em crise é um modo necessário para crescer. E o sopro da fé é a oração: crescemos na fé tanto quanto aprendemos a rezar. Depois de certas passagens da vida, compreendemos que sem fé não poderíamos ter bom êxito e que a oração foi a nossa força. Não só a oração pessoal, mas também a dos irmãos e irmãs, da comunidade que nos acompanhou e apoiou, das pessoas que nos conhecem, das pessoas às quais pedimos que rezem por nós.

Também por este motivo na Igreja florescem continuamente comunidades e grupos dedicados à oração. Alguns cristãos sentem até a chamada de fazer da oração a ação principal dos seus dias. Na Igreja existem mosteiros, conventos e eremitérios onde vivem pessoas consagradas a Deus e que muitas vezes se tornam centros de irradiação espiritual. São comunidades de oração que irradiam espiritualidade. São pequenos oásis nos quais se partilha uma oração intensa e se constrói a comunhão fraterna dia após dia. Trata-se de células vitais, não apenas para o tecido da Igreja, mas para a própria sociedade. Pensemos, por exemplo, no papel que o monaquismo desempenhou no nascimento e no crescimento da civilização europeia, e também noutras culturas. Rezar e trabalhar em comunidade faz progredir o mundo. É um motor.

Tudo na Igreja nasce na oração, e tudo cresce graças à oração. Quando o Inimigo, o Maligno, quer combater contra a Igreja, fá-lo primeiro procurando secar as suas fontes, impedindo-as de rezar.  Por exemplo, vemos isto em certos grupos que concordam em levar a cabo reformas eclesiais, mudanças na vida da Igreja...  Há muitas organizações, há os meios de comunicação que informam todos... Mas a oração não se vê, não se reza. “Devemos mudar isto, temos de tomar esta decisão que é um pouco forte...”. É interessante a proposta, é interessante, apenas com o debate, apenas com os meios de comunicação, mas onde está a oração? A oração é aquela que abre a porta ao Espírito Santo, o qual inspira a ir em frente. As mudanças na Igreja sem oração não são mudanças da Igreja, são mudanças de grupo. E quando o Inimigo – como já disse – quer lutar contra a Igreja, fá-lo primeiro procurando secar as suas fontes, impedindo-as de rezar, e [induzindo-as a] fazer estas outras propostas. Se a oração cessar, por algum tempo parece que tudo pode continuar como habitualmente – por inércia – mas depois de pouco tempo a Igreja compreende que se torna como que um invólucro vazio, que perdeu o seu eixo central, que já não possui a nascente do calor e do amor.

As mulheres e os homens santos não têm uma vida mais fácil do que os outros, pelo contrário, também eles têm os próprios problemas para enfrentar e, além disso, são frequentemente objeto de oposições. Mas a sua força é a oração, que haurem sempre do “poço” inesgotável da mãe Igreja. Com a oração alimentam a chama da sua fé, como se fazia com o óleo das lâmpadas. E assim vão em frente, caminhando na fé e na esperança. Os santos, que muitas vezes contam pouco aos olhos do mundo, na realidade são aqueles que o sustentam, não com as armas do dinheiro e do poder, dos meios de comunicação e assim por diante, mas com as armas da oração.

No Evangelho de Lucas, Jesus apresenta uma pergunta dramática que nos faz sempre refletir: «Quando vier o Filho do Homem, encontrará acaso fé sobre a terra?» (Lc 18, 8), ou será que só encontrará organizações, como um grupo de “empresários da fé”, todos bem organizados, fazendo beneficência, muitas coisas..., ou será que encontrará fé? «Quando vier o Filho do Homem, encontrará acaso fé sobre a terra?». Esta pergunta surge no final de uma parábola que mostra a necessidade de rezar com perseverança, sem se cansar (cf. vv. 1-8). Portanto, podemos concluir que a lâmpada da fé estará sempre acesa na terra, enquanto houver o óleo da oração. A lâmpada da verdadeira fé da Igreja estará sempre acesa na terra enquanto houver o óleo da oração. É o que leva em frente a fé e a nossa vida pobre, débil e pecadora, mas a oração leva-a em frente com segurança. Uma pergunta que nós cristãos devemos fazer a nós mesmos: rezo? Rezamos? Como rezo? Como papagaios ou rezo com o coração? Como rezo? Será que rezo com a certeza de que estou na Igreja e rezo com a Igreja, ou rezo um pouco de acordo com as minhas ideias e deixo que as minhas ideias se tornem oração? Isto é oração pagã, não oração cristã. Repito: podemos concluir que a lâmpada da fé estará sempre acesa na terra enquanto houver o óleo da oração.

Esta é uma tarefa essencial da Igreja: rezar e educar para rezar. Transmitir de geração em geração a lâmpada da fé com o óleo da oração. A lâmpada da fé que ilumina, que governa tudo como deve ser, mas que só pode ir em frente com o óleo da oração. Caso contrário, apaga-se. Sem a luz desta lâmpada, não poderíamos ver o caminho para evangelizar, aliás, não poderíamos ver o caminho para crer realmente; não poderíamos ver os rostos dos irmãos dos quais nos devemos aproximar e servir; não poderíamos iluminar a sala onde nos encontramos em comunidade... Sem fé, tudo desmorona; e sem a oração, a fé extingue-se. Fé e oração, juntas. Não há outro caminho. Por isso a Igreja, que é casa e escola de comunhão, é casa e escola de fé e de oração.


Catequese do Papa Francisco
14 de Abril de 2021




07 abril 2021

Catequese sobre a Oração #28

 



Rezar em comunhão com os santos

Estimados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje gostaria de me concentrar no nexo entre a oração e a comunhão dos santos. Na verdade, quando rezamos, nunca o fazemos sozinhos: mesmo que não pensemos nisso, estamos imersos num majestoso rio de invocações que nos precede e continua depois de nós.

Nas orações que encontramos na Bíblia, e que muitas vezes ressoam na liturgia, há um vestígio de histórias antigas, de libertações prodigiosas, de deportações e tristes exílios, de regressos comovedores, de louvores que fluem perante as maravilhas da criação... E assim estas vozes são transmitidas de geração em geração, num entrelaçamento contínuo entre a experiência pessoal, a do povo e a da humanidade à qual pertencemos. Ninguém se pode desligar da própria história, da história do seu povo; temos sempre esta herança nos nossos hábitos e também na nossa oração. Na oração de louvor, especialmente na que floresce no coração dos pequeninos e dos humildes, algo ecoa do cântico do Magnificat que Maria elevou a Deus perante a sua parenta Isabel; ou da exclamação do velho Simeão que, pegando no colo o Menino Jesus, disse: «Agora, Senhor, deixai ir em paz o vosso servo, segundo a vossa palavra» (Lc 2, 29).

As orações – as boas – são “difusivas”, difundem-se continuamente, com ou sem mensagens nas “redes sociais”: das enfermarias dos hospitais, dos momentos de encontro festivo, bem como daqueles em que se sofre em silêncio... A dor de cada um é a dor de todos, e a felicidade de uns é transferida para a alma de outros. A dor e a felicidade fazem parte da mesma história: são histórias que se tornam história na própria vida. Revive-se a história com as próprias palavras, mas a experiência é a mesma.

As orações renascem sempre: cada vez que damos as mãos e abrimos o coração a Deus, encontramo-nos numa companhia de santos anónimos e de santos reconhecidos que rezam connosco, e que intercedem por nós, como irmãos e irmãs mais velhos que passaram pela nossa mesma aventura humana. Na Igreja não há luto que permaneça solitário, não há lágrima que se verte no esquecimento, porque tudo respira e participa de uma graça comum. Não era ocasional que nas igrejas antigas as sepulturas estivessem no jardim em redor do edifício sagrado, como que a indicar que em cada Eucaristia participam de certa forma aqueles que nos precederam. Há os nossos pais e os nossos avós, há os padrinhos e madrinhas, há os catequistas e os outros educadores... Essa fé passada, transmitida, que recebemos: com a fé também se transmitiu a forma de rezar, a oração.

Os santos ainda estão aqui, não distantes de nós; e as suas representações nas igrejas evocam aquela “nuvem de testemunhas” que nos rodeia sempre (cf. Hb 12, 1). Ouvimos no início a leitura do trecho da Carta aos Hebreus. São testemunhas que não adoramos – bem entendido, não adoramos estes santos – mas que veneramos e que de mil maneiras diferentes nos remetem para Jesus Cristo, o único Senhor e Mediador entre Deus e o homem. Um santo que não vos recorda Jesus Cristo não é um santo, nem sequer um cristão. O Santo faz-nos lembrar Jesus Cristo porque percorreu o caminho da vida como cristão. Os Santos recordam-nos que também nas nossas vidas, embora fracas e marcadas pelo pecado, a santidade pode florescer. Nos Evangelhos lemos que o primeiro santo “canonizado” foi um ladrão e “canonizado” não por um Papa, mas pelo próprio Jesus. A santidade é um percurso de vida, de encontro com Jesus, seja longo ou curto, seja num instante, mas é sempre um testemunho. Um santo é o testemunho de um homem ou de uma mulher que conheceu Jesus e que seguiu Jesus. Nunca é demasiado tarde para se converter ao Senhor, que é bom e grande no amor (cf. Sl 102, 8).

Catecismo explica que os santos «contemplam a Deus, louvam-n'O e não cessam de tomar a seu cuidado os que deixaram na terra. […]  A sua intercessão é o mais alto serviço que prestam ao desígnio de Deus. Podemos e devemos pedir-lhes que intercedam por nós e por todo o mundo» (CIC, 2683). Em Cristo existe uma misteriosa solidariedade entre aqueles que passaram para a outra vida e nós, peregrinos nesta: os nossos queridos defuntos, do Céu, continuam a cuidar de nós. Eles rezam por nós e nós rezamos por eles, e oramos com eles.

Este nexo de oração entre nós e os Santos, ou seja, entre nós e as pessoas que chegaram à plenitude da vida, este laço de oração já o experimentamos aqui, na vida terrena: rezamos uns pelos outros, pedimos e oferecemos orações... A primeira forma de rezar por alguém é falar com Deus sobre ele ou ela. Se o fizermos frequentemente, todos os dias, o nosso coração não se fecha, permanece aberto aos irmãos. Rezar pelos outros é a primeira forma de os amar, e impele-nos à proximidade concreta. Mesmo nos momentos de conflito, uma forma de o dissolver, de o suavizar, é rezar pela pessoa com quem estou em conflito. E algo muda com a oração. A primeira coisa que muda é o meu coração, a minha atitude. O Senhor muda-o para tornar possível um encontro, um novo encontro, e evitar que o conflito se torne uma guerra sem fim.

O primeiro modo de enfrentar um tempo de angústia é pedir aos irmãos, aos santos acima de tudo, que rezem por nós. O nome que nos é dado no Batismo não é uma etiqueta nem um ornamento! É normalmente o nome da Virgem, de um Santo ou de uma Santa, os quais gostariam de nos “dar uma ajuda” na vida, de nos auxiliar para obtermos de Deus as graças de que mais precisamos. Se na nossa vida as provações não superaram o cume, se ainda somos capazes de perseverança, se apesar de tudo continuamos com confiança, talvez tudo isto, mais do que aos nossos méritos, o devamos à intercessão de muitos santos, alguns no Céu, outros peregrinos como nós na terra, que nos protegerem e acompanharam porque todos sabemos que aqui na terra há pessoas santas, homens e mulheres santos que vivem em santidade. Eles não o sabem, nós também não o sabemos, mas há santos, santos de todos os dias, santos escondidos ou ,como eu gosto de dizer, os “santos da porta ao lado”, aqueles que vivem connosco, que trabalham connosco, e levam uma vida de santidade.

Abençoado seja Jesus Cristo, o único Salvador do mundo, juntamente com este imenso florescimento de santos e santas que povoam a terra e que fizeram da sua vida um louvor a Deus. Pois – como afirmava São Basílio – «para o Espírito, o santo é uma morada particularmente adequada, uma vez que se oferece para habitar com Deus e é chamado seu templo» (Liber de Spiritu Sancto, 26, 62: PG 32, 184A; cf. CIC, 2684).


Catequese do Papa Francisco
7 de Abril de 2021




01 abril 2021

As lições de Quinta-feira Santa



Aqui começa o Tríduo Pascal, a preparação para a grande celebração da Páscoa, a Vitória de Jesus Cristo sobre a morte, o pecado, o sofrimento e o inferno.

Este é o dia em que a Igreja celebra a instituição dos grandes Sacramentos da Ordem e da Eucaristia. Jesus é o grande e eterno Sacerdote; mas quis precisar de ministros sagrados, retirados do meio do povo, para levar ao mundo a Salvação que Ele conquistou com a sua Morte e Ressurreição.
Jesus desejou ardentemente celebrar aquela hora: “Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer” (Lc 22,15).
Na celebração da Páscoa, após instituir o Sacramento da Eucaristia, ele disse aos Discípulos: “Fazei isto em memória de Mim”. Com essas palavras Ele instituiu o Sacerdócio cristão: “Pegando o cálice, deu graças e disse: Tomai este cálice e distribui-o entre vós. Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim” (Lc 22, 17-19).
Na noite em que foi traído, mais nos amou; bebeu o cálice da Paixão até a última e amarga gota. São João disse que: “Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou” (Jo 13,1).
Depois que Jesus passou por toda a terrível paixão e morte de Cruz, ninguém mais tem o direito de duvidar do amor de Deus por cada pessoa.
Aos mesmos discípulos ele vai dizer depois no Domingo da Ressurreição: “Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20,23). Estava assim instituída também a sagrada Confissão, o sacramento da Penitência; o perdão dos pecados dos homens que Ele tinha acabado de conquistar com o seu Sangue.
Na noite da Ceia Pascal o Senhor lavou os pés dos discípulos, fez esse gesto marcante, que era realizado pelos servos, para mostrar que no seu Reino “o último será o primeiro”, e que o cristão deve ter como meta servir e não ser servido. Quem não vive para servir não serve para viver. Quem não vive para servir não é feliz, porque a autêntica felicidade, que o tempo não apaga, as crises não destroem e o vento não leva, é a que nasce do serviço ao outro, desinteressadamente.
Nesta mesma noite Jesus fez várias promessas importantíssimas à Igreja que institui sobre Pedro e os Apóstolos. Prometeu-lhes o Espírito Santo, e a garantia de que ela seria guiada por Ele a “toda a verdade”. Sem isto a Igreja não poderia guardar intacto o “depósito da fé”, que São Paula chamou de “sã doutrina”. Sem a assistência permanente do Espírito Santo desde Pentecostes, ela não poderia ter chegado ate´ hoje e não poderia cumprir sua missão de levar a salvação a todos os homens de todas as nações.
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós” (Jo 14, 16-17).
Que promessa maravilhosa: o Espírito da Verdade permanecerá convosco e em vós. Como pode alguém ter a coragem de dizer que um dia a Igreja errou o caminho. Seria preciso que o Espírito da Verdade a tivesse abandonado.
“Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito” (Jo 14, 25-26).
Na última Ceia o Senhor deixou à Igreja essa grande promessa: O Espírito Santo “ensinar-vos-á todas as coisas”. É por isso que São Paulo disse a Timóteo que “a Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3, 15). Quem desafiar a verdade de doutrina e de fé ensinada pela Igreja, vai escorregar pelas trevas do erro.
E na mesma santa Ceia, o Senhor lhes diz: “Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade…” (Jo 16, 12-13).
Jesus sabia que aqueles homens simples não tinham condições de compreender toda a teologia cristã; mas assegura-lhes que o Paráclito lhes ensinaria tudo, ao longo do tempo, até os nossos dias de hoje. E o Sagrado Magistério dirigido pelo Papa continua assistido pelo Espírito de Jesus.
São essas Promessas, feitas à Igreja na Santa Ceia, que dão a ela a estabilidade e a infalibilidade em matéria de fé e de costumes. Portanto, não só o Senhor instituiu os Sacramentos da Eucaristia e da Ordem, na Santa Ceia, mas colocou as bases para a firmeza permanente da Sua Igreja. Assim, ele concluiu a obra que o Pai lhe confiou, antes de consumar sua missão na Cruz.

Prof. Felipe Aquino








Quinta-feira Santa, dia da instituição da Eucaristia




A Igreja celebra hoje a Quinta-feira Santa. Neste dia, durante a Última Ceia, Jesus instituiu dois sacramentos: a Eucaristia e a Ordem Sacerdotal.
Esta data é comemorada pela Igreja com uma eucaristia especial. Nela, o sacerdote lava os pés de doze pessoas que representam os apóstolos, repetindo assim o gesto de Jesus Cristo. Com esta ação, Jesus transmite a mensagem da caridade, quando diz: “Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz”.
Dessa forma, o Senhor Jesus dá um testemunho idôneo da vocação ao serviço do mundo e da Igreja que todos os fiéis devem seguir.
Por outro lado, também é celebrada a instituição do Sacramento da Ordem sacerdotal por Cristo e a instituição da Eucaristia.
A Santa Missa é então a celebração da Ceia do Senhor, na qual Jesus, na véspera da sua paixão, “enquanto ceava com seus discípulos, tomou pão…”.
Ele quis que, como em sua última Ceia, seus discípulos se reunissem e recordassem-no abençoando o pão e o vinho: “Fazei isto em memória de mim”.
Neste dia, há alegria e a Igreja rompe a austeridade quaresmal cantando o “Glória”: é a alegria de quem se sabe amado por Deus; porém, ao mesmo tempo, é sóbria e dolorida, porque é conhecido o preço que Cristo pagou por nós.
Hoje inicia a festa da “crise pascoal”, isto é, da luta entre a morte e a vida, já que a vida nunca foi absorvida pela morte mas sim combatida por ela. A noite do sábado de Glória é o canto à vitória, porém tingida de sangue, e hoje é o hino à luta, mas de quem vence, porque sua arma é o amor.





Papa explica significado de cada um dos dias do Tríduo




Na audiência geral na quarta-feira, 31 de março, o Papa Francisco descreveu em que consiste o Tríduo Pascal, os dias centrais do Ano Litúrgico, no qual a Igreja celebra o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor.
Em sua catequese realizada na biblioteca do Palácio Apostólico, o Santo Padre enfatizou que o Tríduo Páscoa começa na tarde da Quinta-feira Santa com a Missa da Ceia do Senhor, que comemora os acontecimentos da Última Ceia.
A tarde da Quinta-feira Santa, afirmou o Papa, "É a noite em que Cristo entregou aos seus discípulos o testamento do seu amor na Eucaristia, não como uma lembrança, mas como um memorial, como a sua presença perene”.
“É a noite em que Ele nos pede para nos amarmos uns aos outros, tornando-nos servos uns dos outros, como fez ao lavar os pés dos discípulos. É um gesto que antecipa a cruenta oblação na cruz", ressaltou.
"Vivemos esse mistério toda vez que celebramos a Eucaristia, quando vamos à missa não vamos apenas rezar, vamos renovar, para fazer esse Mistério novamente pascal, isso é importante não esquecer", disse o Papa.

A Sexta-Feira Santa "é um dia de penitência, jejum e oração" em que "através dos textos das Escrituras Sagradas e orações litúrgicas, estaremos reunidos no Calvário para comemorar a Paixão a Morte redentora de Jesus Cristo", explicou o Papa que acrescentou que "adorando a Cruz, reviveremos o caminho do cordeiro inocente imolado por nossa salvação".
"Na hora do supremo Sacrifício na Cruz, ele realiza plenamente a obra confiada pelo Pai: ele entra no abismo do sofrimento, entra em sofrimento, entra nessas calamidades deste mundo para redimir, transformá-lo e libertar cada um de nós do poder das trevas, do orgulho, da resistência a sermos amados por Deus", ensinou.
Nesta linha, ele lembrou as palavras de São Pedro "pelas suas chagas nos curou" para enfatizar que "só o amor de Deus pode fazer isso" e acrescentar que "graças a Ele, abandonado na cruz, ninguém está sempre sozinho na escuridão da morte".

O Santo Sábado, explicou o Santo Padre, "é chamado de dia do silêncio, um grande silêncio por toda a terra, um silêncio vivido no choro e perplexidade dos primeiros discípulos, chocados com a ignominiosa morte de Jesus" porque "enquanto a Palavra está em silêncio, enquanto a Vida está no túmulo, aqueles que esperaram nele são submetidos a julgamento severo, eles se sentem órfãos, talvez também órfãos de Deus."
"Este sábado também é Dia de Maria: ela também vive em lágrimas, mas seu coração está cheio de fé, cheio de esperança, cheio de amor. A Mãe tinha seguido o Filho ao longo do caminho doloroso e tinha mantido ao pé da cruz, com sua alma perfurada. Mas quando tudo parece ter acabado, ela cuida, ela observa a espera por esperança na promessa de Deus de ressuscitar os mortos. Assim, na hora mais sombria do mundo, ela se tornou Mãe dos Crentes, Mãe da Igreja e sinal de esperança. Seu testemunho e intercessão nos sustentam quando o peso da cruz se torna muito pesado para nós", destacou.

Em seguida, o Santo Padre explicou o significado da noite de sábado e da Vigília da Páscoa.
"Na escuridão do Sábado santo, irromperão a alegria e a luz com os ritos da Vigília pascal e o canto jubiloso do Aleluia". É o "encontro de fé com o Cristo Ressuscitado e a alegria da Páscoa durará os cinquenta dias que se seguirão, até a vinda do Espírito Santo".
"Aquele que tinha sido crucificado é ressuscitado! Todas as perguntas e incertezas, hesitações e medos são dissipados por essa revelação. O Ressuscitado nos dá a certeza de que o bem sempre triunfa sobre o mal, que a vida sempre supera a morte e nosso fim não é descer cada vez mais, da tristeza em tristeza, mas subir ao topo. O Ressuscitado é a confirmação de que Jesus está certo em tudo: nos prometendo vida além da morte e perdão além dos pecados", disse o Papa.

Por fim, o Santo Padre ressaltou que este ano também viveremos as celebrações da Páscoa "no contexto da pandemia" e acrescentou que as "muitas situações de sofrimento, especialmente quando quem as sofre são pessoas, famílias e populações já provadas pela pobreza, calamidades e conflitos, a Cruz de Cristo é como um farol que indica o porto para navios ainda no mar tempestuoso".
"A Cruz de Cristo é o sinal de esperança que não decepciona; e nos diz que nem mesmo uma lágrima, nem mesmo um lamento se perdem no projeto de salvação de Deus. Pedimos ao Senhor que nos dê a graça de servir, reconhecer este Senhor e (ao contrário dos soldados) não nos deixemos comprar para esquecê-lo", concluiu o Papa.

Antes de concluir com a oração do Pai-Nosso o encontro o Santo Padre dirigiu uma saudação aos fiéis de várias línguas, entre elas, os de língua portuguesa:
“Caros irmãos e irmãs de língua portuguesa: celebrando os mistérios centrais da nossa fé, vos exorto uma vez mais a não permitir nunca que vos roubem a esperança e a alegria trazidas por Cristo com a sua vitória sobre a morte. A todos desejo uma santa e proveitosa celebração do tríduo da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor!”