29 novembro 2023

Messias



O dia de Natal é o dia da chegada do Messias. E no Tempo do Advento não se fala de outra coisa. O Messias é Jesus...
Messias significa ungido. Este era o nome especial que se dava às pessoas de quem se esperavam grandes coisas. A maior parte dessas pessoas acreditava que era aquele que viria salvar todo o povo.
Foram sobretudo os profetas que falaram ao povo do Messias, para lhe dar esperança. Foram várias as imagens que eles usaram para falar do Messias.

Aqui ficam algumas muito interessantes:

1. O rebento (Jr 23, 5-6), isto é, as primeiras folhas de uma planta, que nascem na primavera.
O Messias é visto como o sinal de uma nova vida que nasce na árvore da família de David. Esta imagem retoma a de Is 11,1-16.

2. O pastor (Ez 34,23-25)
Se o povo é muitas vezes descrito como um rebanho sem pastor, o Messias será o Pastor sábio e humilde que terá os traços de "príncipe" e os de "servo" de Deus.

3. O Rei que monta um jumento (Zc 9,9-10)
O Messias, embora rei, não entrará na cidade montado num cavalo, símbolo de força e poder, mas num jumento, animal humilde e simples.

4. O servo sofredor (Is 42,1-9); 49,1-6; 50,4-11; 52,13-53,12)
Quatro cantos apresentam um servo humilde, luz das nações que dá a vida pela salvação do povo, levando sobre os ombros os pecados de Israel.




«Maranathá»


Maranathá é uma palavra aramaica, uma das línguas que se falavam no tempo de Jesus. Significa "o Senhor vem" ou "vem, Senhor, vem". Desde muito cedo esta palavra entrou na oração dos cristãos, que encontram nela uma fonte de esperança. A vinda do Senhor às vidas dos cristãos que sofriam era uma graça que os enchia de conforto, mesmo no meio das dores dos perseguidores.

Hoje, Maranathá usa-se especialmente no tempo do Advento, porque é o tempo em que estamos à espera de celebrar a vinda de Jesus para junto de nós. Mas este termo aplica-se tanto ao Natal como à última vinda de Jesus, que não se sabe quando acontecerá.





A Árvore de Natal



Quando chega o Natal, é quase obrigatório ir buscar o pinheiro, decorá-lo com fitas, bolas, muitas luzes e colocá-lo bem no meio da sala. Esse será o lugar das prendas, não é? Mas sabes qual o significado do pinheiro? O pinheiro é uma árvore muito especial e resistente. Se olhares lá para fora, podes reparar que agora, no inverno, a maioria das árvores ficam tristes, perdem as folhas e tudo o que resta delas são ramos castanhos. Mas isso não acontece com o pinheirinho. Quanto mais chove, mais verde ele fica.

Por esta razão, antigamente alguns povos pensavam que o pinheiro tinha poderes especiais e associavam esta árvore aos seus deuses antigos.

Intrigado com esta árvore, e preocupado com a fé dessas pessoas, São Bonifácio (um monge beneditino que se dedicou a ensinar às pessoas da Alemanha tudo sobre Jesus) comparou Jesus ao pinheiro e deu-lhe um novo significado: «Como as folhas do pinheiro nunca caem e como o seu verde nunca murcha, assim também Jesus nunca nos abandona nem o Seu carinho por nós desfalece.» Desde esse momento que todos temos um pinheiro na nossa sala, para nos lembrarmos que Jesus está sempre connosco.


Fonte: Liturgia Diária Júnior




10 novembro 2023

Salmo 62 (63)



1. O Salmo 62, no qual nos detemos para refletir, é o Salmo do amor místico que celebra a adesão total a Deus, partindo de um anseio quase físico e chegando à sua plenitude num abraço íntimo e perene. A oração faz-se desejo, sede e fome, porque envolve a alma e o corpo.

Como escreve Santa Teresa de Ávila, "a sede exprime o desejo de algo, mas um desejo tão intenso que perecemos se dele nos privamos" (Caminho de perfeição, c. XIX). Deste Salmo, a liturgia propõe-nos as primeiras duas estrofes, que estão centradas precisamente nos símbolos da sede e da fome, enquanto a terceira estrofe faz oscilar um horizonte obscuro, do juízo divino sobre o mal, em contraste com a luminosidade e a candura do resto do Salmo.

2. Então, iniciemos a nossa meditação com o primeiro cântico, o da sede de Deus (cf. vv. 2-4). É a aurora, o sol que está a nascer no céu obscuro da Terra Santa, e o orante começa o seu dia, indo ao templo para buscar a luz de Deus. Ele tem necessidade daquele encontro com o Senhor de maneira quase instintiva, dir-se-ia "física". Assim como a terra árida é morta, enquanto não for irrigada pela chuva, e assim como nas fendas do terreno ela se parece com uma boca dessedentada e seca, assim o fiel aspira por Deus para ser por Ele saciado e poder assim existir em comunhão com Ele.

O profeta Jeremias já tinha proclamado:  o Senhor é "fonte de águas vivas", reprovando o povo por ter cavado "cisternas rotas, que não podem reter as águas" (2, 13). O próprio Jesus exclamará em voz alta:  "Se alguém tem sede venha a mim e beba... que acredite em mim" (Jo 7, 37-38). Em plena tarde de um dia ensolarado e silencioso, Ele promete à mulher samaritana:  "Quem beber da água que Eu lhe der, jamais terá sede, porque a água que Eu lhe der se tornará nele uma nascente de água a jorrar para a vida eterna" (Jo 4, 14).

3. No que diz respeito a este tema, a oração do Salmo 62 relaciona-se com o cântico de outro Salmo maravilhoso:  "Assim como a corça suspira pelas correntes de água, assim também a minha alma suspira por Vós, ó meu Deus. A minha alma tem sede do Senhor, do Deus vivo" (41, 2-3). Pois bem, na língua do Antigo Testamento o hebraico a "alma" é expressa com o termo nefesh, que nalguns textos designa a "garganta" e em muitos outros chega a indicar todo o ser da pessoa.

Compreendido nesta aceção, o vocábulo ajuda a entender como é essencial e profunda a necessidade de Deus; sem Ele faltam a respiração e a própria vida. Por isso, o Salmista chega a pôr em segundo plano a própria existência física, se vier a faltar a união com Deus:  "O vosso amor é mais precioso do que a vida" (62, 4). Inclusivamente no Salmo 72, repetir-se-á ao Senhor:  "Além de Vós, nada mais anseio sobre a terra. A minha carne e o meu coração já desfalecem, mas o Senhor é para sempre a rocha do meu coração e a minha herança... o meu bem é estar perto de Deus" (vv. 25-26 e 28).

4. Depois do cântico da sede, eis que se modula nas palavras do Salmista o cântico da fome (cf. Sl 62, 6-9). Provavelmente, com as imagens do "lauto banquete" e da saciedade, o orador remete para um dos sacrifícios que se celebravam no templo de Sião:  o sacrifício chamado "de comunhão", ou seja, um banquete sagrado em que os fiéis comiam a carne das vítimas imoladas. Outra necessidade fundamental da vida é aqui utilizada como símbolo da comunhão com Deus:  a fome é saciada quando se escuta a Palavra divina e se encontra o Senhor. Com efeito, "o homem não vive somente de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor" (Dt 8, 3; cf. Mt 4, 4). E aqui o pensamento do cristão corre para aquele banquete que Cristo preparou na última noite da sua vida terrestre, e cujo profundo valor Ele já tinha explicado durante o discurso de Cafarnaum:  "A minha carne é, em verdade, comida e o meu sangue é, em verdade, bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue fica em mim e eu nele" (Jo 6, 55-56).

5. Através do alimento místico da comunhão com Deus, "a alma une-se a Ele", como declara o Salmista. Uma vez mais, a palavra "alma" refere-se a todo o ser humano. Não é sem motivo que se fala de um abraço, de um abraço quase físico:  Deus e o homem já estão em plena comunhão, e dos lábios da criatura não pode brotar senão o louvor jubiloso e agradecido. Mesmo quando estamos na noite escura, sentimo-nos protegidos sob as asas de Deus, como a arca da aliança é coberta pelas asas dos querubins. E então floresce a expressão extática da alegria:  "Exulto à sombra das vossas asas". O medo dissolve-se, o abraço não se aperta ao vazio, mas ao próprio Deus, enquanto a nossa mão se entrelaça com o poder da Sua direita (cf. Sl 62, 8-9).

6. A partir de uma leitura do Salmo à luz do mistério pascal, a sede e a fome que nos impelem para Deus encontram a sua satisfação em Cristo crucificado e ressuscitado, de Quem chega até nós, mediante o dom do Espírito e dos Sacramentos, a vida nova e o alimento que a sustém.

É o que nos recorda João Crisóstomo que, comentando a anotação joanina:  do lado "saiu sangue e água" (cf. Jo 19, 34), afirma:  "Aquele sangue e aquela água são símbolos do Batismo e dos Mistérios", ou seja, da Eucaristia. E conclui:  "Vedes como Cristo atraiu a si mesmo a esposa? Vedes com que alimento Ele nos nutre a todos nós? Fomos formados e somos nutridos pelo mesmo alimento. Com efeito, assim como a mulher nutre aquele que ela gerou com o próprio sangue e leite, assim também  Cristo  alimenta  continuamente com o seu sangue aquele que Ele mesmo gerou" (Homilia III, destinada aos neófitos, 16-19 passim:  SC 50 bis, 160-162).



Papa João Paulo II
Catequese sobre os Salmos

Salmo 62 (63)

Ó Deus, Tu és o meu Deus!
É a ti que eu procuro desde a aurora!
A minha alma tem sede de ti.
O meu ser anseia por ti,
como terra seca e cansada, sem água.
Quero contemplar-te no santuário,
para ver o teu poder e a tua glória.
A tua misericórdia vale mais do que a vida.
Por isso os meus lábios te louvarão.
Quero bendizer-te toda a minha vida
e em louvor do teu nome erguer as minhas mãos.
Como a minha alma se delicia com leite e abundância,
meus lábios te louvarão em expressões de júbilo.

Se me lembro de ti no meu leito,
durante as vigílias da noite, medito em ti.
Pois Tu és o meu auxílio
e à sombra das tuas asas eu exulto.
A minha alma está ligada a ti,
e a tua mão direita me sustenta.

Porém, os que procuram tirar-me a vida
entrarão nas profundezas da terra.
Esses hão de ser entregues à espada
e tornar-se-ão comida de chacais.

Porém, o rei há de alegrar-se em Deus,
e os que juram por Ele congratular-se-ão,
pois será calada a boca dos que proferem mentiras.