27 junho 2025

Mensagem de Leão XIV para o V Dia Mundial dos Avós e dos Idosos

 



“Bem-aventurado aquele que não perdeu a esperança” (cf. Sir 14, 2)


Queridos irmãos e irmãs,

Jubileu que estamos a viver ajuda-nos a descobrir que a esperança é, em todas as idades, perene fonte de alegria. Além disso, quando é provada pelo fogo de uma longa existência, torna-se fonte de uma bem-aventurança plena.

A Sagrada Escritura apresenta vários casos de homens e mulheres já avançados em idade que o Senhor inclui nos seus desígnios de salvação. Pensemos em Abraão e Sara: já idosos, permanecem incrédulos diante da palavra de Deus, que lhes promete um filho. A impossibilidade de gerar parecia ter fechado o seu olhar de esperança para o futuro.

A reação de Zacarias ao anúncio do nascimento de João Batista não é diferente: «Como hei-de verificar isso, se estou velho e a minha esposa é de idade avançada?» (Lc 1, 18). A velhice, a esterilidade e a diminuição das forças parecem extinguir as esperanças de vida e fecundidade de todos esses homens e mulheres. E parece também puramente retórica a pergunta que Nicodemos faz a Jesus, quando o Mestre lhe fala de um “novo nascimento”: «Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura poderá entrar no ventre de sua mãe outra vez, e nascer?» (Jo 3, 4). Pois bem, em todas as ocasiões em que aparece uma resposta aparentemente óbvia, o Senhor surpreende os seus interlocutores com uma intervenção salvífica.

Os idosos, sinais de esperança

Na Bíblia, Deus mostra várias vezes a sua providência dirigindo-se a pessoas idosas. Foi o que aconteceu a Abraão, Sara, Zacarias, Isabel e também com Moisés, chamado a libertar o seu povo quando tinha oitenta anos (cf. Ex 7, 7). Com estas escolhas, Ele ensina-nos que, aos seus olhos, a velhice é um tempo de bênção e graça e que, para Ele, os idosos são as primeiras testemunhas da esperança. «O que é este tempo da velhice? – pergunta-se Santo Agostinho a este respeito, e continua – Deus responde-te assim: “Oh, que a tua força desapareça de verdade, para que em ti permaneça a minha força e possas dizer com o Apóstolo: quando sou fraco, então é que sou forte”» (Enarr. In Ps. 70, 11). Assim, a constatação de que hoje o número daqueles que estão avançados em idade aumenta cada vez mais torna-se, para nós, um sinal dos tempos que somos chamados a discernir, para ler bem a história que vivemos.

Com efeito, só se compreende a vida da Igreja e do mundo na sucessão das gerações. Por isso, abraçar um idoso ajuda-nos a entender que a história não se esgota no presente, nem em encontros rápidos e relações fragmentárias, mas se desenrola rumo ao futuro. No livro do Génesis, encontramos o comovente episódio da bênção dada por Jacó, já idoso, aos filhos de José, seus netos: as suas palavras os exortam a olhar com esperança para o futuro, como o tempo das promessas de Deus (cf. Gn 48, 8-20). Portanto, se é verdade que a fragilidade dos idosos precisa do vigor dos jovens, é igualmente verdade que a inexperiência dos jovens precisa do testemunho dos idosos para projetar o futuro com sabedoria. Quantas vezes os nossos avós foram para nós um exemplo de fé e devoção, de virtudes cívicas e compromisso social, de memória e perseverança nas provações! A nossa gratidão e coerência nunca serão suficientes para agradecer este bonito legado que nos foi deixado com tanta esperança e amor.

Sinais de esperança para os idosos

Desde as suas origens bíblicas, o Jubileu representou um tempo de libertação: os escravos eram libertados, as dívidas perdoadas, as terras devolvidas aos seus proprietários originais. Era um momento de restauração da ordem social desejada por Deus, em que se sanavam as desigualdades e as opressões acumuladas ao longo dos anos. Na sinagoga de Nazaré, Jesus renova estes eventos de libertação quando proclama a boa nova aos pobres, a visão aos cegos, a soltura dos prisioneiros e o retorno à liberdade para os oprimidos (cf. Lc 4, 16-21).

Olhando para os idosos nesta perspectiva jubilar, também nós somos chamados a viver com eles uma libertação, sobretudo da solidão e do abandono. Este ano é o momento propício para realizá-la: a fidelidade de Deus às suas promessas ensina-nos que há uma bem-aventurança na velhice, uma alegria autenticamente evangélica que nos convida a derrubar os muros da indiferença na qual os idosos estão frequentemente encerrados. Em todas as partes do mundo, as nossas sociedades estão a habituar-se, com demasiada frequência, a deixar que uma parte tão importante e rica do seu tecido social seja marginalizada e esquecida.

Perante esta situação, é necessária uma mudança de atitude, que testemunhe uma assunção de responsabilidade por parte de toda a Igreja. Cada paróquia, associação ou grupo eclesial é chamado a tornar-se protagonista da “revolução” da gratidão e do cuidado, a realizar-se através de visitas frequentes aos idosos, criando para eles e com eles redes de apoio e oração, tecendo relações que possam dar esperança e dignidade àqueles que se sentem esquecidos. A esperança cristã impele-nos continuamente a ousar mais, a pensar em grande, a não nos contentarmos com o status quo. Neste caso específico, a trabalhar por uma mudança que devolva aos idosos a estima e o afeto.

Por isso, o Papa Francisco quis que o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos fosse celebrado, em primeiro lugar, encontrando aqueles que estão sozinhos. E decidiu-se, pela mesma razão, que aqueles que não puderem vir a Roma neste ano em peregrinação podem «obter a Indulgência jubilar se se deslocarem para visitar por um côngruo período […] idosos em solidão […] quase fazendo uma peregrinação em direção a Cristo presente neles (cf. Mt 25, 34-36)» (Penitenciaria Apostólica, Normas sobre a Concessão da Indulgência Jubilar, III). Visitar um idoso é um modo de encontrar Jesus, que nos liberta da indiferença e da solidão.

Na velhice, pode-se ter esperança

O livro de Ben Sirá afirma que a bem-aventurança é daqueles que não perderam a esperança (cf. 14, 2), dando a entender que na nossa vida – especialmente se for longa – podem existir muitos motivos para sempre lançar o olhar para o passado, em vez de olhar para o futuro. No entanto, como escreveu o Papa Francisco durante a sua última internação no hospital, «o nosso físico é débil mas, mesmo assim, nada nos pode impedir de amar, de rezar, de nos doarmos, de sermos uns pelos outros, na fé, sinais luminosos de esperança» (Angelus, 16 de março de 2025). Possuímos uma liberdade que nenhuma dificuldade pode tirar-nos: a de amar e rezar. Todos, sempre, podemos amar e rezar.

O bem que desejamos às pessoas que nos são caras – ao cônjuge com quem compartilhamos grande parte da vida, aos filhos, aos netos que alegram os nossos dias – não desaparece quando as forças se esvaem. Pelo contrário, muitas vezes é justamente o carinho deles que desperta as nossas energias, trazendo-nos esperança e conforto.

Estes sinais de vitalidade do amor, que têm a sua raiz em Deus mesmo, dão-nos coragem e recordam-nos que «mesmo se, em nós, o homem exterior vai caminhando para a ruína, o homem interior renova-se, dia após dia» (2 Cor 4, 16). Por isso, sobretudo na velhice, perseveremos confiantes no Senhor. Deixemo-nos renovar todos os dias, na oração e na Santa Missa, pelo encontro com Ele. Transmitamos com amor a fé que vivemos na família e nos encontros quotidianos durante tantos anos: louvemos sempre a Deus pela sua benevolência, cultivemos a unidade com as pessoas que nos são caras, abramos o nosso coração aos que estão mais longe e, em particular, aos necessitados. Assim, seremos sinais de esperança, em todas as idades.

Vaticano, 26 de junho de 2025

LEÃO PP. XIV




22 junho 2025

Catequeses para finalizar o ano



(sugestões para encontros com adolescentes/jovens)


1. Encontro de oração e envio

Objetivo: Terminar o ano com um momento de interioridade, agradecimento e missão

Estrutura:
- Acolhimento e silêncio – Cria ambiente com música instrumental
- Partilha em círculo – "O que levo deste ano?" ou "Onde vi Deus na minha caminhada de fé?"
- Leitura bíblica – Ex: Mt 28,19-20 (“Ide e fazei discípulos…”)
- Tempo de oração pessoal – Cada um escreve uma oração de agradecimento
- Oração de envio – Rezar uns pelos outros

Lembrança personalizada – Uma cruz, um versículo num cartão, ou uma vela com o nome



2. Sessão de filme com reflexão

Objetivo: Usar a linguagem cinematográfica para consolidar temas vividos.

Sugestão de filme curto:

Estrutura:
- Ver o filme
- Debate/reflexão:
  "Com quem me identifiquei?"
  "Que mensagem me tocou?"
  "Como posso ser ‘borboleta’ na vida dos outros?"
  Etc....

Oração final inspirada no tema:

Senhor Jesus,
Hoje vimos uma história…
uma história que parecia ser só um filme,
mas que afinal tocou qualquer coisa cá dentro.
Tocaste-me com os gestos,
com os silêncios,
com aquela personagem que parecia perdida
e afinal encontrou um caminho.
Tu falas de mil maneiras,
e hoje falaste-me através de uma imagem,
de uma palavra,
de um olhar.
Obrigado por me mostrares que não estou sozinho.
Que mesmo quando falho,
mesmo quando me sinto pequeno ou sem rumo,
Tu continuas a acreditar em mim.
Ajuda-me a levar esta história comigo,
não apenas na memória,
mas na vida.
Que eu seja também sinal de esperança para os outros,
como aquele personagem que escolheu amar,
perdoar, recomeçar.
Fica comigo, Senhor,
hoje e sempre.
Amen.



3. Dinâmica com fogo e testemunhos

Objetivo: Libertar, agradecer, marcar um recomeço.

Material: Vela grande (símbolo de Cristo), papel e canetas

Estrutura:
- Leitura: Lc 24,13-35 (Os discípulos de Emaús)
- Partilha: “O que queimou o meu coração este ano?

Cada um escreve:
- Num papel: "O que deixo para trás" – queimar num recipiente metálico.
- Noutro: "O que quero viver com Cristo daqui para a frente" – guardar.

Oração final à volta da vela com envio.



4. Criativo e interativo

Objetivo: Fazer a síntese do ano com criatividade

Atividades:
- Mural ou linha do tempo – Colocar post-its com momentos marcantes do ano (bons e difíceis)
- Quiz bíblico ou da catequese – Divertido e ajuda a relembrar
- Cartas entre pares – Cada um escreve uma carta anónima a outro com uma palavra de encorajamento (tu distribuis no fim)

Tempo de oração espontânea ou guiada



5. Caminhada com estações da vida

Objetivo: Fazer uma revisão de vida a partir de etapas simbólicas

Como fazer:
- Prepara um percurso com 5 estações
- Cada estação tem uma pergunta/reflexão:
  Onde me senti mais próximo de Deus este ano?
  Quando me senti perdido ou desanimado?
  Que pessoa foi sinal de Deus para mim?
  Em que momento percebi que cresci?
  Que palavra ou gesto quero levar para o futuro?

Extras: Dá-lhes uma folha para anotar. Finaliza com um momento de oração em círculo.



6. Galeria da Fé

Objetivo: Ajudar a reconhecer o agir de Deus nas suas vidas

Como fazer:
- Cada um traz ou tira uma foto que represente a sua caminhada de fé (pode ser simbólica).
- Fazem uma “galeria” e cada um explica a sua imagem.
- Termina com um momento de oração em que oferecem essa imagem a Deus



7. Carta para o Futuro

Objetivo: Ligar o presente com o futuro em Deus

Como fazer:

Cada adolescente escreve uma carta para si mesmo daqui a 5 anos:
. Onde gostaria de estar?
. O que não quer esquecer sobre a fé?
. Que conselho dá ao “eu do futuro”?

Guardas essas cartas num envelope e combinas entregá-las ou enviar uma foto delas mais tarde (p.ex., daqui a 1 ano).

Encerra com a leitura de Jr 29,11: “Sei os planos que tenho para vós...”



8. Encontro da Semente

Objetivo: Celebrar o crescimento interior e o compromisso com o futuro

Materiais: Pequenos vasos ou copos, terra, sementes (girassol, manjericão, etc.)

Desenvolvimento:

Reflexão: “O que cresceu em mim este ano?”
- Cada um planta uma semente, símbolo do que quer cultivar na fé.
- Pode escrever numa etiqueta: “Cultivar a oração” / “Ser mais paciente” / “Confiar em Deus”

Oração com bênção das sementes e envio



9. Encontro “Missão Aceite”

Objetivo: Dar aos adolescentes uma “missão” para levar para a vida.

Como fazer:

Breve introdução: “Ser cristão é ser enviado.”

Cada um tira ao acaso (ou escolhe) uma “missão para o mundo” escrita num papel:
“Fazer alguém sentir-se amado esta semana.”
“Convidar um amigo para a missa.”
“Rezar 5 minutos por alguém que me irrita.”
“Dizer ‘obrigado’ a alguém que nunca agradeci.”
Outras sugestões...

Partilham ideias e rezam uns pelos outros



Catarina Pereira
Catequese e Família
catequistascolaboradores@gmail.com



19 junho 2025

Jesus no meio de nós: o milagre da Eucaristia




"Isto é o meu Corpo… este é o cálice do meu Sangue."
Estas palavras de Jesus, ditas na Última Ceia, são o coração da festa que celebramos na Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, também conhecida como a festa do Corpo de Deus.

Mas o que significa, afinal, esta solenidade?

É muito mais do que uma tradição ou uma missa especial. É uma festa que nos recorda o maior presente que Jesus nos deixou: Ele próprio, na Eucaristia. Cada vez que participamos na Missa e comungamos, não estamos a receber um simples símbolo ou um ritual bonito, recebemos Jesus vivo e verdadeiro, presente no Pão e no Vinho consagrados.


1. Jesus quis ficar connosco
Na noite em que ia ser entregue, Jesus sabia que os discípulos iriam sentir a sua falta. Por isso, encontrou uma maneira de ficar com eles - e connosco - para sempre, na Eucaristia. Através das mãos do sacerdote, o pão torna-se o seu Corpo, e o vinho o seu Sangue. Parece impossível? Sim, mas é por isso que é um mistério de fé. É um gesto de amor sem medida.

2. Comungar é deixar que Jesus viva em nós
Quando comungamos, Jesus entra no nosso coração. Ele quer transformar-nos, ensinar-nos a amar melhor, a perdoar mais depressa, a ajudar sem esperar recompensa. Comungar não é só "ir à frente" na Missa. É acolher Jesus, é dizer-Lhe: "Quero viver como Tu". É um compromisso.

3. A Eucaristia faz de nós uma família
Na Missa, não estamos sozinhos. Estamos em comunidade, em Igreja. Somos todos diferentes, mas à volta do altar somos todos irmãos e irmãs, unidos pelo mesmo Pão. Por isso a Eucaristia também nos desafia a viver em comunhão com os outros, com os que gostam de nós e com os que nos custam mais. Jesus deu-Se a todos, e pede-nos o mesmo.


Um desafio para ti:
Na próxima Missa, antes de comungares, faz silêncio por dentro. Pensa:
"Jesus, Tu dás-Te a mim inteiro. Eu quero dar-Te também o meu coração. Ajuda-me a viver como Tu me ensinas."

E lembra-te: cada Eucaristia é um milagre de amor. Um milagre que se repete sempre que o sacerdote levanta o pão e diz:
"Isto é o meu Corpo, que será entregue por vós." (cf. 1Cor 11, 23-25)


Manuel Sampaio
Catequese e Família
catequistascolaboradores@gmail.com




Catequese: O Corpo e Sangue de Cristo – Um Amor que se dá





Objetivo:
Ajudar os adolescentes a compreenderem o valor da Eucaristia como presença real de Jesus e expressão máxima do Seu amor por nós.


Duração total sugerida: 1h30 a 2h


1. Acolhimento e oração inicial (15 min)

Ambientação:
Se possível, preparar o espaço com uma vela acesa, uma Bíblia aberta e, se for num local apropriado, o Santíssimo Sacramento reservado ou presente no Sacrário.


Oração:
Jesus,
estamos aqui diante de Ti,
com as nossas dúvidas, as nossas distrações,
as nossas perguntas sobre a vida e sobre Ti.
Às vezes sentimos que não Te vemos,
que não Te ouvimos,
ou que estamos longe de Ti.
Mas Tu estás sempre presente,
especialmente na Missa, quando Te dás por inteiro,
no pão e no vinho, no Teu Corpo e Sangue.

Ensina-nos a valorizar esse momento,
a perceber que na Eucaristia estás vivo,
que nos queres alimentar e dar forças.

Dá-nos coragem para Te seguir,
mesmo quando é difícil.
E faz do nosso coração um lugar onde Tu possas habitar.

Fica connosco, Senhor.
Amen.

Sugestão de cântico: Fazei isto em Memória de Mim



2. Introdução e diálogo inicial (15 min)

Perguntas para o grupo:
O que é para vocês a Missa? 
Já pensaram no que realmente acontece ali?

Objetivo: Ouvir o que os adolescentes pensam. Incentivar respostas livres e criar ligação.

Depois da partilha, explicar:
(texto para ajudar)

Ir à Missa pode parecer, às vezes, algo rotineiro ou até um pouco aborrecido. Mas já paraste para pensar o que é realmente a Missa e o que acontece ali? A verdade é que, na Missa, estamos diante do maior mistério da nossa fé: Jesus dá-Se totalmente por nós.
A Missa não é apenas um conjunto de orações e cânticos. É um encontro com Jesus vivo. Quando participamos nela com o coração aberto, acontece algo extraordinário: Jesus oferece-Se ao Pai por nós, tal como fez na cruz, e dá-Se a nós como alimento no pão e no vinho consagrados.
Desde o início, os cristãos reúnem-se ao domingo para escutar a Palavra de Deus e partilhar o Pão da Vida. E é isso que continuamos a fazer hoje.

(opcional) A Missa tem duas partes principais:
- Liturgia da Palavra
Primeiro, escutamos leituras da Bíblia. Deus fala-nos através das Escrituras. Podemos ouvir passagens do Antigo Testamento, dos Salmos, das cartas dos apóstolos e, sobretudo, do Evangelho, onde escutamos as palavras e os gestos de Jesus.
O sacerdote depois faz a homilia. Explica a Palavra e ajuda-nos a perceber como a podemos viver no dia a dia.

- Liturgia Eucarística
Depois vem o momento mais sagrado: o pão e o vinho são apresentados e o sacerdote, em nome de Jesus, reza as palavras da Última Ceia: "Isto é o meu Corpo... Este é o cálice do meu Sangue..."
Acreditamos - e não é só símbolo - que Jesus está verdadeiramente presente com o seu Corpo e Sangue, a sua Alma e a sua Divindade. É o próprio Jesus, vivo, ali no altar.
Neste momento, faz-se presente o sacrifício da cruz. Jesus oferece-Se de novo ao Pai, por amor de todos nós. Mas de forma incruenta, isto é, sem derramamento de sangue.
Depois, todos somos convidados a aproximar-nos e a comungar Jesus, a recebê-Lo no coração.

E porquê tudo isto?
Porque Jesus quer estar connosco. Quer alimentar-nos, fortalecer-nos, unir-nos a Ele e entre nós. A Eucaristia é alimento para a alma, força para viver como cristãos e sinal de unidade entre todos.
Por isso, a Missa não é só um “dever de cristão”. É um presente de amor. Um convite de Jesus: "Vinde a Mim todos vós…" (cf. Mt 11,28)

Ir à Missa com o coração distraído é como ser convidado para um banquete e nem prestar atenção ao que está na mesa. Mas ir à Missa com fé é deixar-se transformar por Jesus, escutá-Lo e alimentarmo-nos d’Ele para depois irmos para o mundo viver como cristãos de verdade.

Então, o que podes fazer?
Antes da Missa, faz silêncio interior. Pensa que vais encontrar-te com Jesus.
Durante a Missa, escuta, responde, canta, reza. Participa com o coração.
Na hora da comunhão, vai com respeito e fé. É Jesus vivo que recebes!
Depois da Missa, agradece. E vive o que recebeste: sê sinal de amor, de paz e de alegria.


3. Palavra de Deus (15 min)

Leitura do Evangelho de São João 6, 51-58: 
(Escolher um jovem para proclamar.)

Eu sou o pão vivo, o que desceu do Céu: se alguém comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, pela vida do mundo.»
Então, os judeus, exaltados, puseram-se a discutir entre si, dizendo: «Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?!» Disse-lhes Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia, porque a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue, uma verdadeira bebida. Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e Eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive e Eu vivo pelo Pai, também quem de verdade me come viverá por mim. Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os antepassados comeram, pois eles morreram; quem come mesmo deste pão viverá eternamente.»

Partilha:
O que é que vos chamou mais à atenção neste Evangelho?
Jesus está a falar de forma simbólica ou real?
Já pensaram que, na Missa, somos alimentados por Jesus vivo?


4. Explicação Catequética (20 min)

(texto para ajudar)
Imagina que alguém te diz isto:
"Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia." (Jo 6,54)
Parece estranho, não é? Foi isso mesmo que Jesus disse à multidão. Muitos não perceberam e até ficaram escandalizados. Mas Jesus não estava a brincar, nem a falar em metáforas confusas. Ele estava a revelar uma verdade profunda e central da nossa fé: na Eucaristia, Ele dá-se totalmente a nós, com o Seu Corpo e Sangue.

No Evangelho de João, capítulo 6, Jesus diz claramente:
"Eu sou o pão vivo que desceu do Céu."
"O pão que Eu hei de dar é a minha carne pela vida do mundo."
"Quem comer a minha carne e beber o meu sangue permanece em mim e Eu nele."

Isto significa que Jesus quer entrar na nossa vida de forma tão íntima e verdadeira que se faz alimento. Não é só 'estar connosco', é estar em nós. Ele dá-Se de uma forma tão concreta que podemos recebê-Lo na comunhão, quando comungamos na Missa.
Quando vamos à Missa, o pão e o vinho, depois da consagração, já não são só pão e vinho: são o Corpo e o Sangue de Jesus. A aparência continua igual, mas a realidade mudou: é Jesus vivo, inteiro, que está ali. É o que a Igreja chama de Presença Real.

Porquê esta maneira tão forte de se dar?
Porque Jesus quer alimentar-nos por dentro. Sabes quando estás fraco ou sem vontade de nada? Quando parece que a vida não faz sentido? Jesus quer ser força, luz, alimento, coragem. Ele quer unir-Se a ti de tal maneira que a tua vida e a d’Ele fiquem ligadas.

"Permanece em mim e Eu em ti", diz Ele.

Mas esta presença não é mágica. Para comungar bem, é preciso ter fé, respeito, e estar em estado de graça, ou seja, com o coração limpo, sem pecado grave. Por isso a Igreja ensina que devemos confessar-nos antes de comungar, se for necessário.
Receber a Eucaristia é como abrir o coração para deixar Jesus morar em nós. Não é um gesto qualquer. É um milagre de amor. É um momento sagrado.
E há mais: quem recebe Jesus com fé, recebe vida eterna. Ele próprio o prometeu:
"Quem come deste pão viverá para sempre."

Por isso, este Evangelho não é apenas bonito ou profundo. É um convite de Jesus:
"Vem, alimenta-te de mim. Deixa-me transformar a tua vida."

Para pensar:
Como tenho vivido a Missa?
Quando comungo, tenho consciência de que estou a receber Jesus?
O que muda na minha vida quando me uno a Ele?


5. Atividade – "O Pão que Alimenta" (20 min)

Materiais:
Cartolinas ou folhas A3
Canetas, marcadores, revistas, tesoura, cola

Proposta:
Em grupos, fazer um cartaz com o título: "O que significa para mim receber Jesus na Eucaristia?"

Cada grupo pode:
Escrever palavras-chave (amor, perdão, alimento, força…)
Fazer colagens de imagens que representem a vida cristã alimentada pela Eucaristia
Desenhar símbolos e frases de Jesus

No final, cada grupo apresenta o cartaz.


6. Testemunho (opcional – 10 min)

Convidar um jovem mais velho, catequista ou membro da comunidade a partilhar:
O que a Eucaristia significa na sua vida? Como a comunhão o ajuda a viver melhor como cristão?


7. Oração final com Adoração (15 min)

Se possível:
Fazer um breve momento de adoração ao Santíssimo

Sugestão de cântico: Hóstia Divina


Oração:

Jesus,
Tu conheces-me como ninguém.
Sabes quando estou feliz, e quando estou cansado, confuso ou com medo.
Às vezes não sei quem sou, nem o que devo escolher.
Às vezes sinto-me perdido no meio de tanta coisa - escola, redes, amigos, pressão.
Mas Tu estás aqui. Estás vivo.
Não és uma ideia ou uma história antiga. És real. És o Pão da Vida.

Dá-me fome de Ti.
Que eu não me contente com o que passa.
Que eu Te procure com verdade.

Ensina-me a parar, a escutar-Te,
A perceber que és Tu que me dás força por dentro.
Que quando Te recebo na Eucaristia, recebo um amor que não falha.

Fica comigo, Jesus.
Ajuda-me a ser luz no meio do mundo.
A fazer a diferença. A ser verdadeiro.
A amar os outros como Tu nos amas.

Tu és o meu alimento.
Tu és a minha paz.
Tu és a minha esperança.

Obrigado por Te dares a mim.

Amen.



Catarina Pereira
Catequese e Família
catequistascolaboradores@gmail.com




07 junho 2025

O anúncio que vale um milhão

 



“Mas não tinha ficado assente que o aborto não mata ninguém, apenas interrompe a gravidez?!”


Miguel Milhão, que nasceu em Braga em 1983 e, aos 23 anos, fundou a Prozis, uma das maiores empresas europeias de suplementos alimentares, foi notícia por ter promovido o anúncio “Obrigado, Mãe”, um testemunho de amor à vida que é também uma homenagem a sua mãe.

O patrocinador deste polémico vídeo, que não conheço pessoalmente, nem a sua empresa, confessou as condições muito difíceis em que veio ao mundo: “Nasci cego do olho esquerdo, a minha mãe era nova, tinha 19 anos, solteira, e eu era um candidato fixe para o aborto”. Embora pressionada para não ter aquele filho, a mãe decidiu levar a gravidez até ao fim, e daí a muito especial gratidão de Miguel. As circunstâncias dolorosas deste nascimento – que recordam as de Cristiano Ronaldo, cuja mãe também foi pressionada para o abortar – deveriam inspirar sentimentos de solidariedade e de esperança, mas, pelo contrário, acirraram o ódio dos impiedosos defensores da cultura da morte.
.
Não em vão Miguel se apelida Milhão porque, de facto, apesar de apresentado como se fosse uma ave rara, tão insólita quão ridícula, há, no nosso país um milhão de pessoas, ou mais, que pensam como ele. A reportagem do insuspeito Público, do passado 31 de Maio, é exemplo disso mesmo, porque os que passaram pela experiência infeliz de um aborto ou, o que é praticamente o mesmo, da morte de um filho recém-nascido, são unânimes nos seus testemunhos. E são muitos porque, “em 2024, morreram em Portugal 320 bebés durante a gravidez ou logo após o parto. É pouco (3,7 mortes por mil nados-vivos). É imenso, para os pais que tiveram de reaprender a viver depois disso”.

Repare-se que a jornalista que assina a reportagem, Daniela Carmo, refere-se à morte de “320 bebés durante a gravidez” e, ainda, que os mesmos até tinham “pais”!?! “Morreram”?! Mas não tinha ficado assente que o aborto não mata ninguém, apenas interrompe a gravidez?! “Bebés durante a gravidez”?! Só se for o protagonista da ultramontana campanha pró-vida que tinha por lema “Não matem o Zézinho”! Ora, a comunicação social há muito que nos ensinou que, antes do nascimento, não há bebé nenhum, porque a gravidez é apenas um processo orgânico! “Pais que tiveram que reaprender a viver depois disso”?! Mas que disparate é este: a gestação só diz respeito à mulher, pois é o seu corpo que está em causa e, como é óbvio, não há “pais” de quem, por ainda não ter nascido, mais não é do que parte do corpo da grávida, que é a única pessoa cuja vontade é relevante em relação ao destino desse conglomerado de células alojadas no seu útero.

Daniel e Diana Costa confidenciaram à jornalista que “sabiam que o coração da filha parara, estava ela grávida de 35 semanas”, porque “não foram detectados batimentos na bebé.” Filha?! Bebé?! E, como se não bastasse, a reportagem também refere “o luto dos pais pelo bebé que perdem”, a que acrescenta a referência a “320 mortes perinatais, que são óbitos que ocorrem durante a gravidez”! Ora a morte, ou óbito, e o luto dizem respeito unicamente a pessoas, não se aplicando, portanto, a gravidezes interrompidas, como é óbvio. Até se chega ao exagero de afirmar que “o médico que lhe fez a ecografia de urgência confirmou o óbito da bebé”, como se um cientista, como é o médico, usasse uma terminologia nada científica, pois é sabido que na gravidez não há bebé, nem óbito nenhum.

A propósito do casal Ana Neves e Marcelo Carvalho, repetem-se os mesmos exageros, que chegam a raiar o absurdo quando se afirma que “Ana havia de passar por outras duas perdas: de João, às 26 semanas, e de Manuel, às 31”. Mas, tratando-se de partes do corpo da mulher, que lógica tem designá-los como se fossem seres humanos?! Se se tratasse de animais domésticos, como cães e gatos, seria razoável dar-lhes nomes de gente, mas não a um conjunto de células femininas! Que um casal o faça, ainda se tolera, mas não um jornal de âmbito nacional!

A reportagem assume um registo trágico quando aborda a questão do aborto. Com efeito, a propósito das “malformações que exigem interrupções da gravidez”, acrescenta-se que as mesmas “são vistas pelo casal como matar o bebé. Isto tem um peso muito grande.” Apesar de todo o cuidado em usar uma linguagem neutra, que esconda, sob a aparência de um inócuo tratamento médico, a brutalidade desse atentado contra uma vida humana inocente, a realidade nua e crua acaba por se impor: quem recorre a este dramático desfecho reconhece que o aborto é, afinal, “matar o bebé”.

Confirmada a malformação congénita, o casal em questão foi informado da possibilidade legal de pôr termo à existência do filho, ou seja, “retirar o bebé da barriga da mãe”. Mas, por mais que se queira disfarçar o indisfarçável, a verdade acaba sempre por se evidenciar, na sua brutal crueza: “depois veio a assinatura do termo porque temos de assinar um termo para tirar a vida do nosso filho, do João.” Segundo esta mãe, a ‘interrupção voluntária da gravidez’ é, na realidade, “tirar a vida do nosso filho”. Não é menos terrível o processo de eliminação: “há uma agulha que espetam no bebé para fazer parar o coração. É horrível.” Pudera, se afinal outra coisa não é do que assassinar o filho que, pela sua deficiência, mais carecia do amor e proteção dos pais.

A cultura da morte presume que o aborto, quando realizado em hospitais, é a melhor solução para as gravidezes indesejadas, ou para as malformações congénitas, quase como quem remove um inestético sinal. A realidade, infelizmente, é muito diferente, porque os pais de um filho abortado sofrem tanto quanto os que perderam um filho recém-nascido. Por isso, “Ana teve acompanhamento psicológico. Também Diana e Daniel o tiveram. Daniel entrou mesmo numa depressão grave após perder a filha.” O sofrimento dos irmãos também não é pouco: o Duarte, quando soube da perda do irmão, “chorou compulsivamente e repetia: ‘eu quero o meu irmão’.”

Mas, nos casos em que a criança não é viável, não seria preferível evitar o seu nascimento? À pergunta respondeu a Andreia, que passou pela amarga experiência de perder uma filha com apenas um mês de vida: “se voltasse atrás e me dissessem: ‘Tu vais ter esta filha, ela vai estar 30 dias contigo, mas depois vais perdê-la, o que é que escolhias?’ Sem pensar, escolheria ter a Íris aqueles 30 dias. Porque, acima da dor, a Íris é amor e foi o que nos uniu a nós os dois enquanto casal, o facto de termos tido aquela filha que não pôde ficar connosco, mas que nos ensinou muito.”

Curiosamente, ou talvez não, os pais entrevistados não manifestam convicções políticas nem religiosas, alguns nem sequer são casados e houve quem desse às filhas os nomes Ísis e Íris por seguirem “a mitologia egípcia”. Também não se fala de zigotos, nem de embriões, porque, embora ciência e religião coincidam na afirmação óbvia de que o começo da vida humana se dá na concepção, a questão é, sobretudo, humana. Por isso, fala-se sim da Maria Rita, filha da Diana e do Daniel; do Duarte, do Fernando, do João, da Luz e do Manuel, filhos da Ana e do Marcelo; da outra Maria Rita, filha da Andreia e do Marco, pais do Enzo; da Íris e da Ísis, filhas de mais uma Andreia e do Marcos. Não são números, não são amontoados de células, não são tecidos orgânicos, não são partes do corpo feminino, mas pessoas de carne e osso, que foram desejadas e queridas e que, apesar da brevidade da sua existência, receberam e deram muito amor porque, como escreveu Saint-Exupéry, “aqueles que passam por nós não vão sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.”

Obrigado, Miguel Milhão, pela coragem, pela ousadia da verdade, pela pedrada no charco da indiferença ante o pior genocídio da nossa era. Obrigado pela sua mãe, pela sua heróica rebeldia, pela sua determinação em ser uma mulher verdadeiramente livre, pela sua corajosa maternidade assumida, pela sua valentia em ir contra os preconceitos hipócritas e as mentiras anticientíficas do politicamente correcto. Obrigado pelo anúncio que vale um Milhão, o Miguel, e que pode salvar do holocausto silencioso outro milhão, ou muitos milhões de vidas humanas. Bem-haja!


P. Gonçalo Portocarrero de Almada
7 de Junho de 2025
Observador


05 junho 2025

Catequese sobre o Pentecostes




Tema: O Espírito Santo transforma e envia
Duração: 60 a 75 minutos
Público-alvo: Adolescentes


🔹 1. Acolhimento (5 min)

Objetivo: Criar ambiente de confiança e escuta.
Recepção: https://www.youtube.com/watch?v=Z-SlpAmxPtk 


Oração inicial:

Espírito Santo de Deus,
Tu que és fogo que aquece,
vento que nos empurra para a frente,
e luz que ilumina os nossos passos,
vem sobre nós neste momento.
Abre o nosso coração à Tua presença,
renova em nós a alegria de seguir Jesus,
e dá-nos coragem para viver como verdadeiros cristãos.
Ensina-nos a escutar, a compreender e a amar.
Vem, Espírito Santo,
e transforma este encontro num tempo de graça e de crescimento.
Amen.


🔹 2. Dinâmica: “Vento Invisível” (10 min)

Objetivo: Ajudar a perceber a ação invisível mas real do Espírito Santo.
Materiais: Ventoinha ou secador de cabelo frio, penas ou folhas de papel muito leves.

Desenvolvimento:
Ligar a ventoinha ou secador e lançar as penas ou papel no ar.

Perguntar:

Observação direta:
O que estás a ver a acontecer com as penas (ou papéis)?
Estás a ver o ar a mover-se?
Como sabes que está aqui, se não o vês?

Ligação ao Espírito Santo:
Achas que o Espírito Santo age da mesma forma que o vento?
Já sentiste alguma vez algo que não vês, mas que te dá força ou paz?
O que é que o vento te faz lembrar sobre Deus?

Reflexão pessoal:
Houve algum momento da tua vida em que sentiste coragem ou consolo sem saberes bem de onde veio?
Quando te sentes fraco, o que ou quem te ajuda a continuar?
Em que situações gostarias que o Espírito Santo te ajudasse mais?

Aplicação concreta:
Que tipo de “vento” tu és para os outros? Ajudas ou atrapalhas?
Como podes ser sinal do Espírito Santo na tua escola? Em casa? Na catequese?
Se o Espírito Santo é força, coragem e amor... onde mais é necessário hoje no mundo?


Conclusão: 
Como vimos nesta dinâmica, o vento não se vê, mas sente-se. Ele move, empurra, refresca, mexe connosco - mesmo sem o vermos.
O Espírito Santo é assim: não o vemos com os olhos, mas Ele atua no coração, dá-nos força quando estamos fracos, coragem quando temos medo, sabedoria quando estamos confusos.
Foi isso que aconteceu no dia de Pentecostes: o Espírito Santo desceu como um vento impetuoso e encheu de força os discípulos, que até aí estavam com medo.
Hoje, esse mesmo Espírito quer agir em nós. Também nós somos chamados a ser movidos por Ele, a deixar que Ele sopre em nós vida nova, coragem e amor.
Que esta pequena experiência do vento nos ajude a perceber melhor como Deus age discretamente, mas poderosamente, na nossa vida.


🔹 3. Leitura da Palavra (10 min)

Texto base: Atos dos Apóstolos 2, 1-11

Sugestão: Fazer a leitura encenada com diferentes leitores (narrador, Pedro, povo).

Breve silêncio após a leitura.


🔹 4. Explicação (10-15 min)

Breve reflexão (opcional): Imagina só: os discípulos estavam todos juntos, meio assustados, meio perdidos depois da morte e ressurreição de Jesus. De repente, aparece um vento forte, um barulho poderoso, como se fosse uma festa inesperada - e, mais do que isso, desce o Espírito Santo sobre eles, em forma de línguas de fogo.
Mas olha o mais fixe: esse Espírito Santo não ficou só com eles, a falar numa língua que só eles entendiam. Não! Eles começaram a falar em várias línguas, para toda a gente entender, fosse qual fosse o país de origem.
Isto mostra uma coisa brutal: o Espírito Santo é para todos, sem exceção. Ele dá coragem, força e sabedoria para que possamos contar a boa notícia de Jesus sem medo. E essa força, esse fogo, não desaparece - está dentro de ti também, mesmo que não o vejas.
Então, este texto é um convite:
Deixa o Espírito Santo entrar na tua vida. Que ele te dê coragem para ser diferente, para amar mais, para fazer o bem, mesmo quando é difícil. E lembra-te: não estás sozinho, és parte de uma grande família que leva esta mensagem para o mundo todo.

Explicação dialogada:

O que é o Pentecostes?
Festa judaica (50 dias após a Páscoa) → Agora, para os cristãos, é o nascimento da Igreja.

Quem é o Espírito Santo?
Terceira Pessoa da Santíssima Trindade.
A força de Deus que transforma, une e envia.
É fogo, vento, força, sabedoria, coragem…

O que mudou nos discípulos?
De medrosos a corajosos anunciadores.
Falam em várias línguas → sinal de que a mensagem é para todos.


🔹 5. Ligação à vida (15-20 min)

Perguntas para reflexão em grupo:

Sobre a experiência pessoal:
- Já sentiste alguma vez que Deus te deu coragem para fazer algo difícil?
- Quando tens de tomar decisões difíceis, pedes ajuda a Deus ou fazes tudo sozinho?
- O que te dá força quando estás em baixo ou desanimado?

Sobre os dons do Espírito Santo:
- Qual dos 7 dons do Espírito Santo achas que mais precisas neste momento da tua vida?
- Em que situações precisarias da “fortaleza” do Espírito Santo?
- Conheces alguém que seja um bom exemplo de alguém cheio do Espírito Santo?

Sobre a missão:
- Como podes “levar Deus” aos outros na tua escola ou grupo de amigos?
- Que atitude tua pode mostrar aos outros que o Espírito Santo vive em ti?
- Se hoje fosses enviado pelo Espírito Santo como os apóstolos, a quem irias falar de Jesus?

Sobre a atualidade:
- Achas que o mundo precisa do Espírito Santo? Em que situações concretas?
- Como seria o mundo se todos deixassem o Espírito Santo transformar o coração?
- Há alguma situação no mundo ou na tua comunidade onde tu gostarias que o Espírito Santo atuasse?

Perguntas de grupo (para debate ou escrita):
- “Se o Espírito Santo é invisível, como podemos reconhecê-lo na vida real?”
- “O que distingue um cristão que vive com o Espírito Santo de alguém que vive só para si?”
- “Qual é o ‘medo’ que hoje mais precisa de ser vencido com a força do Espírito?”


🔹 6. Oração (10 min)

Sugestão visual:
Apagar as luzes e acender uma vela grande no centro, representando o Espírito Santo.


Invocação inicial (guiada pelo catequista ou em coro)
Vem, Espírito Santo,
enche os nossos corações com a Tua presença.
Sê o nosso fogo, a nossa luz, a nossa coragem.
Mostra-nos o caminho de Jesus.
Ensina-nos a amar como Ele.
Vem, Espírito Santo,
vem hoje, agora, aqui. Amen.

Material: 7 velas pequenas ou 7 cartões coloridos (um para cada dom).

Forma de oração:
A cada dom, acende-se uma vela ou levanta-se o cartão correspondente. Pode ser feito por diferentes adolescentes, com um leitor por dom.

Oração dos Dons:

1. Sabedoria
Espírito Santo, dá-nos a sabedoria para escolher sempre o que agrada a Deus.
Ajuda-nos a ver a vida com os olhos do Céu.

2. Entendimento (Inteligência)
Dá-nos um coração que compreende, que sabe escutar,
para perceber o que Deus nos quer dizer.

3. Conselho
Mostra-nos o caminho certo nas dúvidas e nas decisões difíceis.
Fala no silêncio do nosso coração.

4. Fortaleza
Dá-nos coragem para fazer o bem, mesmo quando somos gozados ou incompreendidos.
Sê a nossa força nas dificuldades.

5. Ciência
Ensina-nos a ver Deus nas pequenas coisas da vida e a cuidar do mundo com respeito e amor.

6. Piedade
Ajuda-nos a viver como filhos de Deus e irmãos uns dos outros.
Que a nossa fé se veja nos nossos gestos.

7. Temor de Deus (Respeito amoroso)
Dá-nos um coração humilde, cheio de admiração por Ti.
Ensina-nos a respeitar o que é sagrado, e a confiar sempre no Teu amor.



🔹 7. Envio (5 min)

Após a vinda do Espírito Santo, os discípulos não ficaram fechados no Cenáculo. Saíram, falaram com coragem, deram testemunho.
Também nós somos chamados a sair, a viver com coragem e alegria a fé.
O Espírito Santo não nos foi dado só para dentro - é para o mundo, para a vida real, para os outros.

Palavra de Envio
Pentecostes não foi só há 2000 anos. Acontece hoje, em mim e em ti. O Espírito Santo está vivo e age, se O deixarmos.
Que cada um de nós leve estes dons na mochila da vida: não para guardar, mas para partilhar.
Vai, com alegria, com coragem, com fé.
O mundo precisa de jovens com o fogo do Espírito Santo no coração!

Sugestão final: “Desafio dos Dons”
Dá a cada adolescente uma pequena folha com os 7 dons e a missão correspondente.
Propõe que escolham um dom por semana para viver de forma especial.
Podem partilhar a experiência na próxima catequese.


Os 7 dons do Espírito Santo - Missão por semana:

Sabedoria -– Ver a vida com os olhos de Deus
➤ Missão: Ouve antes de falar. Sê pacificador entre os teus amigos. Pergunta-te: “O que faria Jesus nesta situação?”

Entendimento (Inteligência) - Compreender os planos de Deus
➤ Missão: Tira tempo para escutar a Palavra de Deus ou uma leitura que te ajude a crescer na fé. Tenta perceber mais antes de criticar.

Conselho - Saber escolher o caminho certo
➤ Missão: Aconselha alguém que está perdido ou triste. Ou, se não souberes o que dizer, escuta com atenção - isso já é um grande dom.

Fortaleza - Ter coragem para fazer o bem, mesmo quando custa
➤ Missão: Enfrenta com calma e verdade uma situação difícil (como um pedido de desculpa, defender alguém gozado, estudar com esforço).

Ciência - Descobrir Deus em tudo o que é verdadeiro
➤ Missão: Vê o mundo como sinal de Deus: na natureza, na ciência, na arte. Valoriza o saber e procura aprender com humildade.

Piedade - Amar a Deus como um Pai e os outros como irmãos
➤ Missão: Reza, mesmo que seja só com palavras simples. Faz um gesto de carinho ou atenção a alguém da tua família ou grupo.

Temor de Deus (Respeito amoroso) - Reconhecer a grandeza de Deus sem medo
➤ Missão: Respeita tudo o que é sagrado: a vida, a fé dos outros, os lugares de oração, o silêncio interior. Sê grato a Deus todos os dias.



Catarina Pereira
Catequese e Família




03 junho 2025

«Soprou sobre eles» Jo 20, 22




Ao cair da tarde - porque é sempre à tardinha que o coração se dispõe a escutar melhor - os discípulos estão fechados. Não apenas por fora, mas por dentro. Trancados numa sala, sim, mas mais ainda encerrados no medo, no cansaço, na vertigem de uma esperança que parecia ter morrido com Ele.
O Ressuscitado vem assim. Sem bater à porta. Sem fazer barulho. Não precisa que lho permitam - basta o amor para que Ele entre.
E quando entra, não traz explicações. Traz presença. E uma palavra breve, quase sussurrada, mas que se cola à alma: "A paz esteja convosco". Como se dissesse: "Não tenham medo da vossa própria história". Como se reescrevesse com ternura aquilo que já tínhamos dado por perdido.
Depois mostra-lhes as mãos e o lado. Mostra-lhes as suas feridas. Feridas que não desaparecem - que não são apagadas - mas que brilham agora como janelas para o invisível. Deus não se envergonha das cicatrizes. É nelas que a Ressurreição se revela.
E então repete: "A paz esteja convosco". Porque há palavras que só nos tocam na segunda vez. E acrescenta: "Como o Pai Me enviou, também Eu vos envio". Não basta acolher. É preciso ser enviado. Ser ferida curada, tornada ferida que cura. O Evangelho é sempre movimento.
E depois, o gesto mais íntimo. Jesus sopra sobre eles. É um gesto antigo. É o sopro do Génesis, quando Deus molda Adão do pó e lhe insufla vida. Agora, esse mesmo sopro - o Espírito - faz de cada um nova criação. É um sopro que nos acorda para o perdão, que nos reconcilia com Deus e connosco mesmos.
Este texto não é apenas memória. É convocação. Também nós temos portas fechadas. Também nós trememos. Mas há um Deus que entra, mesmo com tudo trancado, e diz-nos: "A paz esteja contigo". E sopra. E envia.

Deixaremos que esse sopro nos mova?


Ana Conde
Catequese e Família
catequistascolaboradores@gmail.com




01 junho 2025

Um português na terra onde os bravos caem


Chamava-se Jerónimo. Nome de santo, ou de mártir, que agora dá no mesmo. Tinha sangue de bombeiro e de paraquedista, músculos de soldado e alma de voluntário. Era português, o que, num mundo em que tanta gente foge, ainda quer dizer qualquer coisa. E morreu como poucos têm coragem de viver, isto é, ao lado de outros que também não tinham nada a ganhar senão a dignidade de dizer fui.
Jerónimo Jesus Alcaria Guerreiro caiu perto de Kupiansk, cidade ucraniana de nome difícil e destino ainda mais áspero. Ali, onde a guerra parece nunca deixar de ser ontem, onde os drones sabem o caminho melhor que as mãos humanas, onde os mortos são números até terem nome - como agora Jerónimo tem o seu.
O que leva um homem, jovem, português, a trocar Lisboa por Kharkiv, os bombeiros pelas trincheiras, os incêndios por arame farpado, os corredores da esperança pelos campos de lama e morte? Talvez o mesmo que leva um poeta a escrever, ou um louco a amar, ou seja, um chamamento que nem ele próprio sabia explicar. E no meio disso tudo, um currículo em LinkedIn que dizia "à procura de trabalho", como quem ainda acreditava que a vida lhe devia alguma coisa que não fosse apenas silêncio.
Diz o Secretário de Estado das Comunidades que o corpo está em zona russa, como se isso fosse um pormenor logístico. Não é. É um insulto simbólico ao homem e ao país que o viu nascer. Não conseguimos trazer o corpo. Talvez consigamos trazer o exemplo, mas já ninguém acredita muito nisso. A diplomacia não enterra os seus mortos. Lamenta-os com frases feitas e promessas em modo de nevoeiro.
Jerónimo foi mais do que um português na Ucrânia. Foi mais do que um número na Legião Internacional. Foi um desses seres raros que entendem que a coragem não precisa de palco, só de propósito. E foi embora como viveu: com entrega, com frontalidade, com o peso do mundo às costas e sem garantias de aplauso.
Os Bombeiros de Sacavém falaram de "legado de coragem, entrega e humanidade". Três palavras que andam em vias de extinção, por aqui. A guerra tirou-nos mais do que um compatriota, tirou-nos uma oportunidade de sermos melhores.
Jerónimo morreu longe. Mas é aqui que a sua ausência mais dói.


Natália Matos
Catequese e Família
catequistascolaboradores@gmail.com