Entre a luz do monte e a coragem de descer (cf. Mt 17, 1-9)
Há momentos em que a vida parece um monte alto. Não é o monte da selfie perfeita nem o da vista turística. É aquele lugar onde tudo muda por dentro.
No Evangelho segundo São Mateus (Mt 17, 1-9), Jesus leva três amigos - Pedro, Tiago e João - para um alto monte. Não levou a multidão. Não fez um evento no Instagram. Levou três. Às vezes, Deus revela-Se no silêncio e na intimidade, não no barulho.
E, de repente, acontece o impensável. O rosto de Jesus brilha como o sol. As roupas tornam-se luz. Não é um truque especial. Não é efeito visual. É como se, por uns segundos, a verdade escondida aparecesse. Eles sempre estiveram com Deus… mas agora vêem-No.
Quantas vezes convivemos com Jesus sem perceber quem Ele é realmente?
Mas a fé não é feita para viver em tendas no topo do monte. A fé é para descer.
Eles caem com medo. Porque quando Deus Se revela, a nossa pequena ideia de controlo desaba. Mas Jesus toca-lhes. Gosto deste detalhe. Antes de qualquer discurso, há um toque.
"Levantai-vos e não temais."
A experiência de Deus não serve para nos esmagar. Serve para nos levantar.
E quando levantam os olhos… só vêem Jesus. Moisés e Elias desaparecem. A luz intensa já não está. Fica apenas Ele. Talvez seja esta a maior mensagem: no fim de todas as experiências extraordinárias, o que fica é Jesus. Simples. Presente. Real.
Depois, descem o monte. Porque a vida acontece cá em baixo. Na escola. Em casa. Nas dúvidas. Nos conflitos. Na rotina.
A Transfiguração não foi fuga da realidade. Foi preparação para enfrentar a cruz.
E quando tudo parecer escuro, lembrar aquela frase que ecoa ainda hoje: Levantai-vos. Não tenhais medo.






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