A vocação de Ser Catequista
Ser catequista não é desempenhar uma função, mas habitar uma identidade. Há aqui um deslocamento profundo, da lógica do “fazer” para a verdade do “ser”. E isso muda tudo. Porque o fazer pode cansar, pode frustrar, pode medir-se por resultados visíveis, mas o ser enraíza-se numa relação, numa pertença, numa fonte que não depende do sucesso imediato.
A primeira grande intuição é esta: ser catequista é viver em relação com Cristo. Não como ideia, nem como conteúdo a transmitir, mas como presença que molda a vida. A imagem de “permanecer” é exigente, implica tempo, silêncio, disponibilidade interior. Num mundo de pressa e eficácia, esta permanência parece improdutiva, quase inútil. No entanto, é precisamente aí que nasce a fecundidade. Sem esta intimidade, a catequese corre o risco de se tornar um discurso vazio, repetição de fórmulas, ensino sem alma. Daí esta pergunta que vos faço: como posso falar de Alguém com quem não estou verdadeiramente? O catequista é, antes de mais, alguém que se deixa olhar, transformar e amar por Cristo. Só depois pode falar.
Mas esta permanência não fecha, abre. Eis o segundo movimento. Quem se centra em Cristo descentra-se de si. A fé não é posse, é dom que se transmite. O catequista vive nesta tensão vital, isto é, recebe e entrega, escuta e anuncia, recolhe-se e sai. É quase um ritmo de respiração espiritual. Quando este movimento quebra, algo morre, ou a relação com Cristo se torna estéril, ou a missão se torna ativismo vazio. Há aqui uma crítica subtil a qualquer forma de catequese que seja autorreferencial, que retenha o dom em vez de o partilhar. O verdadeiro catequista não acumula fé, distribui-a.
E depois surge o terceiro desafio, talvez o mais desconfortável que é sair. Sair dos esquemas, das seguranças, das rotinas, das ideias feitas sobre quem “merece” ou “está preparado”. A história de Jonas revela algo muito humano, o medo de um Deus que nos leva para além do que controlamos. Ser catequista implica aceitar que Deus é maior do que os nossos limites e mais criativo do que os nossos métodos. Implica arriscar. E é provocador dizer, eu sei, que é preferível errar por excesso de saída do que adoecer por falta dela. Uma catequese fechada, mesmo correta, pode tornar-se estéril. Uma catequese em saída, mesmo imperfeita, torna-se viva.
No fundo, esta reflexão conduz a uma síntese exigente e bela, de que ser catequista é viver uma vida habitada por Cristo, entregue aos outros e aberta ao imprevisível de Deus. Não se trata de dominar conteúdos, mas de encarnar uma presença. Não se trata de garantir resultados, mas de ser fiel ao encontro.
E talvez o mais profundo seja isto, o catequista não é aquele que leva Deus aos outros, como se Ele estivesse ausente. É aquele que ajuda a reconhecer que Deus já chegou primeiro. A missão deixa então de ser peso e torna-se descoberta. O catequista torna-se, assim, um mediador humilde de encontros que não controla, apenas serve.
Ser catequista, afinal, é aceitar ser transformado continuamente por aquilo que se anuncia. É deixar que a própria vida se torne Evangelho visível. E isso, mais do que uma tarefa, é uma aventura interior que dura toda a vida.
Catarina Pereira
Catequese e Família
catequistascolaboradores@gmail.com
Hino aos Catequistas
Com coração aberto, luz e amor,
Guiam passos pequenos ao Salvador.
Na palavra viva, no gesto e no olhar,
Mostram a todos o caminho a trilhar.
Ó catequistas, faróis da fé,
Plantais esperança onde Deus está.
Na Igreja sois semente que dá vida,
Testemunhas de Cristo, alegria partilhada.
Entre risos, perguntas e oração,
Semeais ternura e fé no coração.
Em cada encontro, cada gesto e canção,
Floresce a graça e a devoção.
Ó catequistas, faróis da fé,
Plantais esperança onde Deus está.
Na Igreja sois semente que dá vida,
Testemunhas de Cristo, alegria partilhada.
Que nunca falte coragem para ensinar,
A beleza de Deus no mundo partilhar.
Com paciência e amor sem fim,
Transformais vidas, levando a Deus enfim.
Ó catequistas, faróis da fé,
Plantais esperança onde Deus está.
Na Igreja sois semente que dá vida,
Testemunhas de Cristo, alegria partilhada.
Aleluia! Aleluia! Aleluia!






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