Portas fechadas, corações abertos


Na tarde daquele primeiro dia da semana, as portas estavam fechadas. Fechadas por medo, fechadas por incerteza, fechadas porque o coração humano, quando ferido, procura proteger-se. E, no entanto, é precisamente aí, no meio das portas trancadas, que Jesus entra. Não força, não arromba, não acusa. Entra com a delicadeza de quem respeita a nossa fragilidade e, ao mesmo tempo, com a autoridade de quem traz uma vida nova. E a primeira palavra que oferece não é uma repreensão, mas um dom: "A paz esteja convosco".
Esta paz não é ausência de problemas. Não é a tranquilidade superficial de quem ignora a dor. É uma paz que nasce da certeza de que o amor venceu a morte, de que as feridas não têm a última palavra. Por isso, Jesus mostra as mãos e o lado. As suas feridas permanecem, mas já não são sinal de derrota, tornaram-se fonte de vida. Isto diz-nos algo muito profundo, que as nossas feridas, quando tocadas por Deus, podem transformar-se em lugares de graça.
Os discípulos alegram-se ao ver o Senhor, mas não ficam parados nessa alegria. Jesus envia-os: "Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós." A fé nunca é um refúgio fechado, mas sim um envio. Quem encontra Cristo não pode guardar essa experiência só para si. É chamado a levar paz, reconciliação, esperança, especialmente onde há medo e divisão.
E depois há Tomé. Tão humano, tão próximo de nós. Ele não estava quando Jesus veio. Talvez estivesse desiludido, talvez cansado de esperar. E quando lhe contam, ele não consegue acreditar. Quer ver, quer tocar. Não se contenta com o testemunho dos outros. Quantas vezes também nós dizemos: "Se eu não vir, não acredito." Não é falta de fé no sentido de rejeição, é uma fé ferida, que procura, que luta.
E Jesus volta. Não exclui Tomé, não o repreende duramente. Vem novamente por causa dele. Aproxima-se da sua dúvida com ternura: "Põe aqui o teu dedo… não sejas incrédulo, mas crente." Deus não tem medo das nossas perguntas. Não se afasta das nossas resistências. Pelo contrário, vem ao encontro delas.
E Tomé faz uma das mais belas profissões de fé do Evangelho: "Meu Senhor e meu Deus!" Não é apenas uma constatação, é uma entrega. É o momento em que a dúvida se transforma em confiança, em que o coração finalmente se abre.
Depois, Jesus diz algo que atravessa os séculos e chega até nós: "Felizes os que acreditam sem terem visto." Esta bem-aventurança não é menor, é maior. É a felicidade de quem, no meio das incertezas da vida, escolhe confiar. De quem não tem todas as respostas, mas decide caminhar. De quem, mesmo com portas fechadas no coração, deixa Cristo entrar.
Talvez hoje também nós tenhamos portas fechadas: medos, feridas antigas, desilusões, dúvidas. O Evangelho não nos pede que as escondamos. Convida-nos a deixá-las ser visitadas. Porque Cristo ressuscitado continua a entrar, continua a dizer "a paz esteja contigo", continua a mostrar que o amor é mais forte.
E talvez a pergunta mais importante não seja "acredito ou não acredito?", mas "deixo-me encontrar?" Porque a fé começa aí, num encontro que não elimina imediatamente as dúvidas, mas acende uma luz no meio delas.
Que possamos, como Tomé, passar da exigência de provas à coragem da entrega. E que, mesmo sem ver, aprendamos a reconhecer a presença viva de Cristo nos pequenos sinais do quotidiano, onde a paz renasce, onde o perdão acontece, onde o amor insiste.


Manuel Sampaio
Catequese e Família
catequistascolaboradores@gmail.com



Bem-aventurados os que acreditam

De portas fechadas, com medo no coração,
Os discípulos juntos, sem saber que direção.
Mas Jesus aparece, vem trazer a paz,
Mostra as Suas chagas: "Sou Eu, não temais."

Refrão
Bem-aventurados os que acreditam sem ver,
Que confiam em Jesus e querem viver.
Ele está connosco, vem dar-nos a mão,
E enche de alegria o nosso coração.

"Assim como o Pai Me enviou, envio-vos também,
Recebei o Espírito, vivei no Meu bem."
Soprou sobre eles, deu-lhes nova missão,
Levar ao mundo inteiro o perdão e o amor.

Refrão
Bem-aventurados os que acreditam sem ver,
Que confiam em Jesus e querem viver.
Ele está connosco, vem dar-nos a mão,
E enche de alegria o nosso coração.

Tomé não estava quando Jesus chegou,
Disse: "Só acredito se eu próprio O tocar."
Mas Jesus voltou e chamou-o com amor:
"Vem ver as Minhas mãos, não duvides mais."

"Meu Senhor, meu Deus!" - Tomé respondeu,
E ali encontrou a fé que nasceu.
Jesus disse então para todos nós:
"Felizes os que creem, escutando a Minha voz."

Refrão
Bem-aventurados os que acreditam sem ver,
Que confiam em Jesus e querem viver.
Ele está connosco, é vida e luz,
Seguimos com alegria os passos de Jesus.



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