Um “Sim” pequeno com uma história grande
Há um momento na história da humanidade que, visto de fora, parece quase ridiculamente simples, isto é, uma jovem rapariga ouve uma proposta absolutamente fora do normal e responde com um "sim". Não houve assinatura de contrato, nem período experimental, nem sequer um "vou pensar e depois digo qualquer coisa". Foi um "sim" limpo, direto, sem rodapés nem letras pequeninas. E, no entanto, estamos aqui, dois mil anos depois a falar disso, o que prova que, às vezes, uma resposta curta pode ter consequências bastante longas.
Imaginemos, por um instante, que Maria tinha optado por uma resposta mais contemporânea. Algo como: "Olhe, isto agora não me dá muito jeito", ou "mande-me um e-mail com mais detalhes", ou até o clássico "vou ver a minha agenda". A história do cristianismo, muito provavelmente, teria ficado em rascunho, à espera de confirmação. Talvez ainda hoje estivéssemos à espera daquele "sim" em atraso, como quem aguarda uma encomenda que nunca chega mas que o sistema insiste em dizer que está "em distribuição".
O que me impressiona naquele "sim" não é apenas o ato em si, mas a ausência de garantias. Hoje em dia, ninguém diz "sim" a nada sem antes consultar opiniões, avaliações, e, se possível, um vídeo no YouTube com "5 coisas que gostava de saber antes de aceitar ser mãe do Filho de Deus". Maria disse "sim" sem reviews, sem testemunhos, sem sequer um grupo de WhatsApp para discutir o assunto. Foi um ato de confiança radical, uma coisa que, convenhamos, está um bocadinho fora de moda.
E, no entanto, é precisamente esse "sim" que sustenta a ideia de que a fé não nasce da certeza absoluta, mas da disponibilidade. Não é tanto saber tudo o que vai acontecer, mas estar disposto a avançar mesmo assim. O curioso é que, hoje, beneficiamos desse "sim" como quem herda uma casa já construída, com tudo no lugar, sem termos passado pelas obras, pelo pó e pelas decisões difíceis sobre onde pôr a cozinha.
Talvez a reflexão mais desconfortável seja esta: quantas vezes dizemos "não" ou o equivalente moderno, que é o "logo se vê", a pequenas coisas que poderiam transformar a nossa vida ou a dos outros? Não estamos a falar de aceitar missões divinas de proporções bíblicas, claro, mas de gestos simples, decisões quotidianas, momentos em que a fé pede menos teoria e mais prática.
No fundo, a história começou com um "sim" dito no silêncio, sem plateia nem aplausos. E talvez seja isso que mais nos desafia, que é perceber que a fé que hoje vivemos não nasceu de um grande espetáculo, mas de uma resposta discreta, corajosa e profundamente humana. Um "sim" que, visto bem, continua à espera de eco, não em grandes discursos, mas nas pequenas escolhas de cada dia.
Natália Matos
Catequese e Família
catequistascolaboradores@gmail.com
Maria diz "Sim"
Refrão:
Maria disse "sim",
Eu também digo "sim"!
Quero seguir Jesus,
Quero dizer "sim"!
1ª Estrofe:
Maria ouviu Deus falar,
No seu coração em paz.
Mesmo sem tudo entender,
Confiou e foi capaz.
Refrão:
Maria disse "sim",
Eu também digo "sim"!
Quero seguir Jesus,
Quero dizer "sim"!
2ª Estrofe:
Foi caminho com Jesus,
Sempre pronta a ajudar.
No silêncio e na escuta,
Ensinou-nos a amar.
Refrão:
Maria disse "sim",
Eu também digo "sim"!
Quero seguir Jesus,
Quero dizer "sim"!
Se eu tiver medo,
Ela vai comigo.
Leva-me a Jesus,
É o meu abrigo.
Refrão final:
Maria disse "sim",
Eu também digo "sim"!
Com Maria ao meu lado,
É mais fácil dizer "sim"!






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